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Lição 02 – A glória de João 17:5 no contexto imediato

Texto base: Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer. (João 17:4)

Objetivo: Entender o que Jesus quis dizer ao falar de “glória” em João 17:5 observando o contexto imediato de sua oração.

Introdução: Na lição anterior, vimos o conceito correto de glória para ser aplicado em João 17:5. Nesta lição, é importante conservar o contexto para que o encaixe do sentido seja adequado. Na primeira lição, nós lidamos com a exegese, nesta com a hermenêutica. De uma maneira simples para entendermos o que é exegese e hermenêutica. Exegese pode ser comparada com os materiais de uma construção, hermenêutica é o projeto. Assim como o construtor, com o projeto arquitetônico em mãos consegue juntar os materiais no lugar certo, dando forma ao edifício, o leitor com o conceito e assunto corretos compreende o texto.

Por isso, antes de analisarmos a expressão sobre a glória em João 17:5, é essencial observar o cenário em que essas palavras foram ditas. Estamos diante de uma oração de Jesus, feita pouco antes de sua prisão, num momento solene em que Ele fala diretamente ao Pai. Nada aqui é casual: cada frase está ligada à missão que Ele recebeu, à obra que realizou e ao propósito de Deus para a salvação. Por isso, entender o contexto imediato de João 17:1–5 nos ajuda a perceber que o tema central não é especulação sobre natureza celestial de Jesus numa suposta existência “antes que o mundo existisse”, mas a conclusão da obra de Cristo de pregar o reino de Deus e a glorificação que resulta de sua obediência a esta missão.

01) Em que momento Jesus fala essas palavras?

Jesus fala em forma de oração. O texto começa dizendo que Ele “levantou os olhos ao céu” e disse: “Pai, é chegada a hora” (Jo 17:1). Isso mostra que não é um discurso teológico para multidões, mas uma conversa íntima com o Pai, pouco antes da prisão. O tema central é a conclusão de sua missão.

02) O que Jesus pede primeiro ao Pai?

Ele pede: “glorifica teu Filho” (Jo 17:1). O pedido não é por livramento, mas por glorificação. Isso indica que a glória está ligada ao que está para acontecer — sua morte, ressurreição e exaltação.

03) Jesus já possuía autoridade antes de pedir a glória?

Sim. Ele afirma que o Pai lhe deu “autoridade sobre toda carne” (Jo 17:2). Isso mostra que sua missão foi delegada por Deus. A glorificação não é para receber autoridade inicial, mas para a manifestação plena da posição que o Pai determinou.

04) O que é a vida eterna segundo Jesus?

Ele define claramente: “que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17:3). Aqui Jesus distingue o Pai como “único Deus verdadeiro” e a si mesmo como o enviado. O foco é relacionamento e missão, não natureza metafísica.

05) O que Jesus declara sobre sua obra na terra?

Ele afirma: “eu te glorifiquei na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer” (Jo 17:4). Isso mostra que sua vida foi uma revelação da glória de Deus. Ele glorificou o Pai ao obedecer e cumprir a missão.

06) Então o que significa o pedido do verso 5?

Depois de afirmar que terminou a obra, Jesus diz: “agora glorifica-me tu, ó Pai” (Jo 17:5). A palavra “agora” liga o pedido ao cumprimento da missão. Ele não está falando de voltar a um estado anterior, mas de receber a glória que corresponde à obra concluída. Podemos colocar da seguinte forma: o trabalhador realizou o serviço e merece receber o salário. Jesus havia acabado de cumprir a missão de pregar o evangelho do reino e, a partir daquele momento, esperava as recompensas prometidas por Deus. Veremos nas próximas lições que havia um tempo futuro determinado para a glorificação e que nada tem haver com um suposto passado de Jesus.

07) Como o contexto ajuda a entender a “glória” aqui?

No próprio evangelho, a glorificação está ligada à cruz e exaltação. Jesus já havia dito: “é chegada a hora de ser glorificado o Filho do Homem” (Jo 12:23). Portanto, a glória em João 17 é a exaltação resultante da obediência, não apenas um brilho celestial e muito menos a uma condição anterior de Jesus.

Conclusão

João 17:1–5 apresenta Jesus em oração ao Pai, num momento decisivo em que declara que a hora de sua missão havia chegado. Ele afirma ter completado a obra que lhe foi confiada e reconhece que, por meio de sua vida e obediência, glorificou o Pai na terra. Com a missão cumprida, Jesus então pede para ser glorificado, indicando que essa glorificação está relacionada à exaltação que viria como resultado de sua fidelidade. Assim, a glória mencionada nesse contexto está ligada à obra concluída e à posição que Deus concede, conforme o plano divino estabelecido antes da fundação do mundo. Entenda, plano divino, não condição divina de Jesus. Veremos mais detalhes nas próximas lições ao falarmos da exaltação de Jesus.

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