{"id":1391,"date":"2026-10-12T15:14:45","date_gmt":"2026-10-12T18:14:45","guid":{"rendered":"https:\/\/profetico.info\/igreja\/?p=1391"},"modified":"2026-10-12T15:14:47","modified_gmt":"2026-10-12T18:14:47","slug":"teoria-da-sociedade-em-rede","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/profetico.info\/igreja\/sem-categoria\/teoria-da-sociedade-em-rede\/","title":{"rendered":"Teoria da Sociedade em Rede"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">EDIMIR BRILHADOR<strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A INTELEC\u00c7\u00c3O DA TEORIA DA SOCIEDADE EM REDE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>DE MANUEL CASTELLS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MARING\u00c1<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">2006<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">EDIMIR BRILHADOR<strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A INTELEC\u00c7\u00c3O DA TEORIA DA SOCIEDADE EM REDE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>DE MANUEL CASTELLS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Trabalho apresentado como requisito para conclus\u00e3o de curso de Ci\u00eancias Sociais, da Universidade Estadual de Maring\u00e1, orientado pelo Prof. Walter Praxedes<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MARING\u00c1<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">2006<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">EDIMIR BRILHADOR<strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A INTELEC\u00c7\u00c3O DA TEORIA DA SOCIEDADE EM REDE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>DE MANUEL CASTELLS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aprovado em ____\/____\/____<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Trabalho apresentado como requisito para conclus\u00e3o de curso de Ci\u00eancias Sociais, da Universidade Estadual de Maring\u00e1, sob a aprecia\u00e7\u00e3o da seguinte banca examinadora:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">______________________________________<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Walter Praxedes \u2014 UEM-PR<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">______________________________________<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antonio Oza\u00ed da Silva \u2014 UEM-PR<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">______________________________________<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nilson Nobuaki Yamauti &nbsp;\u2014 UEM-PR<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRILHADOR, Edimir. <strong>A intelec\u00e7\u00e3o da teoria da sociedade em rede de Manuel Castells<\/strong>. 2006. 73 f. Monografia (gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Sociais) \u2014 Universidade Estadual de Maring\u00e1. Maring\u00e1. 2006.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>RESUMO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este trabalho analisa a teoria da \u201csociedade em rede\u201d do soci\u00f3logo espanhol Manuel Castells contida na sua obra composta em tr\u00eas volumes <em>A sociedade em rede<\/em>. Objetiva entender a teoria e ressaltar os pontos relevantes como: a sociedade em rede e sua depend\u00eancia das tecnologias da informa\u00e7\u00e3o, a constru\u00e7\u00e3o da identidade na sociedade em rede e a interpreta\u00e7\u00e3o de fim de mil\u00eanio. Resumidamente, a sociedade em rede \u00e9 a nova estrutura social que surge no final do s\u00e9culo XX, constru\u00edda a partir dos fluxos de informa\u00e7\u00e3o\/comunica\u00e7\u00e3o formando uma rede global informacional. A depend\u00eancia se caracteriza pela assimila\u00e7\u00e3o e intensifica\u00e7\u00e3o do uso dos sistemas eletr\u00f4nicos em todas as atividades humanas. J\u00e1 a constru\u00e7\u00e3o da identidade na sociedade em rede se d\u00e1 pelo entrincheiramento do sujeito social em torno de um princ\u00edpio comunal como a religi\u00e3o, a na\u00e7\u00e3o em oposi\u00e7\u00e3o a um advers\u00e1rio bem definido, geralmente institui\u00e7\u00f5es sociais consideradas antiquadas, como o patriarcalismo e processos modernos como a globaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Na interpreta\u00e7\u00e3o de fim de mil\u00eanio \u00e9 analisado as transforma\u00e7\u00f5es macrossociais e macropol\u00edticas ocorridas no \u00faltimo quarto de s\u00e9culo, como a queda do Imp\u00e9rio Sovi\u00e9tico, o crime organizado, o surgimento do quarto mundo, o desenvolvimento do Pac\u00edfico asi\u00e1tico e a cria\u00e7\u00e3o do Estado em rede atrav\u00e9s da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia. Esta an\u00e1lise visa mostrar como Castells utilizou a teoria para a interpreta\u00e7\u00e3o destes temas. A metodologia para a elabora\u00e7\u00e3o da pesquisa foi a an\u00e1lise focada na rela\u00e7\u00e3o entre a teoria e os dados. Os resultados foram satisfat\u00f3rios a contar pela contig\u00fcidade de informa\u00e7\u00f5es locadas nestas p\u00e1ginas. O resultado foi compreens\u00e3o da nova estrutura e din\u00e2mica social baseada nas tecnologias da informa\u00e7\u00e3o. A conclus\u00e3o desta pesquisa \u00e9 que, de fato, vivenciamos o limiar de uma nova era pautada na revolu\u00e7\u00e3o da tecnologia da informa\u00e7\u00e3o, na reestrutura\u00e7\u00e3o do capitalismo e na inger\u00eancia de diversos movimentos sociais (feministas, ambientalistas, fundamentalistas etc) e que novas conjunturas favorecidas pela sociedade em rede redesenha o mapa do mundo com base na capacidade de assimila\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica das na\u00e7\u00f5es, empresas e indiv\u00edduos criando v\u00ednculos inextirp\u00e1veis.&nbsp; &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Palavras-chave:<\/strong> Rede. N\u00f3s. Espa\u00e7os. Fluxos. Informa\u00e7\u00e3o. Sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SUM\u00c1RIO<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Introdu\u00e7\u00e3o&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&nbsp; 6<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PARTE I<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A teoria da sociedade em rede e sua depend\u00eancia das tecnologias da informa\u00e7\u00e3o&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&nbsp; 9<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PARTE II<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A constru\u00e7\u00e3o da identidade na sociedade em rede&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;. 9<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PARTE III<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A interpreta\u00e7\u00e3o de fim de mil\u00eanio&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&nbsp; 23<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conclus\u00e3o&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.. 66<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Refer\u00eancias&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230; 69<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Bibliografia&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230; 73<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">INTRODU\u00c7\u00c3O<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O objetivo desta pesquisa \u00e9 o entendimento da teoria da sociedade em rede de Manuel Castells exposta em sua trilogia <em>Sociedade em rede<\/em> volumes I, II e III. Os esfor\u00e7os se concentram nos pontos relevantes da obra. Analisarei tr\u00eas caracter\u00edsticas fundamentais da sua obra: a teoria da sociedade em rede e sua depend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s tecnologias da informa\u00e7\u00e3o, como as identidades est\u00e3o em constru\u00e7\u00e3o na sociedade em rede e a interpreta\u00e7\u00e3o da conjuntura no final de s\u00e9culo. A id\u00e9ia \u00e9 entender a rela\u00e7\u00e3o da sociedade em rede e os diversos atores sociais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pretendo, ao longo deste trajeto, alcan\u00e7ar uma compreens\u00e3o razo\u00e1vel sobre as transforma\u00e7\u00f5es nas principais dimens\u00f5es da vida humana: sociedade, economia, cultura, pol\u00edtica etc., a partir do prisma do paradigma informacional, ocorridas no final de mil\u00eanio. Castells diz que estas transforma\u00e7\u00f5es s\u00e3o frutos do paradigma informacional porque tem como base a informa\u00e7\u00e3o processada por computadores em rede. Para ele, a fus\u00e3o entre os sistemas de telecomunica\u00e7\u00f5es tem criado uma gigantesca rede que interliga v\u00e1rios pontos do planeta, consolidando uma Rede global informacional. A Rede \u00e9 global porque afeta todo o planeta por sua presen\u00e7a ou por sua aus\u00eancia. A Rede \u00e9 informacional porque est\u00e1 assentada nos sistemas eletr\u00f4nicos de processamento da informa\u00e7\u00e3o. A Rede \u00e9 constru\u00edda pela conectividade do Ser (ator social), mas afeta-o por sua desconex\u00e3o. Esta Rede tem modificado substancialmente a sociedade no final do s\u00e9culo XX. E quais s\u00e3o caracter\u00edsticas que t\u00eam estas transforma\u00e7\u00f5es? Entender como se processam estas transforma\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s do olhar de Manuel Castells \u00e9 o desafio desta an\u00e1lise.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Destaco alguns aspectos que considerei relevantes na obra de Castells e que servir\u00e3o para criar um centro de aten\u00e7\u00e3o no meu texto. A discuss\u00e3o, do meu ponto de vista, tem duas caracter\u00edsticas principais que marcam a intera\u00e7\u00e3o do Ser e a Rede. Estas caracter\u00edsticas s\u00e3o: a intera\u00e7\u00e3o\/integra\u00e7\u00e3o e a intera\u00e7\u00e3o\/oposi\u00e7\u00e3o. Temos ent\u00e3o, no primeiro caso, a vis\u00e3o de uma estrutura \u00fanica, interdependente e interligada pelos sistemas eletr\u00f4nicos de telecomunica\u00e7\u00f5es nos mais diferentes n\u00edveis e independente de contexto social, pol\u00edtico e cultural. Uma Rede global que integra indiv\u00edduos, comunidades, cidades, regi\u00f5es e pa\u00edses em uma mesma l\u00f3gica, a l\u00f3gica dos fluxos informacionais. Da\u00ed, uma sociedade homogeneizada. No segundo caso, a vis\u00e3o \u00e9 de uma estrutura de oposi\u00e7\u00e3o bipolar em que a l\u00f3gica do Ser n\u00e3o combina com a l\u00f3gica da Rede. H\u00e1 uma divis\u00e3o fundamental entre a globalidade da Rede e localidade do Ser. O Ser tem sempre um inimigo, que geralmente parece se esconder em forma de fluxo na Rede. Por outro lado, o Ser se esconde em trincheiras cavadas em sua pr\u00f3pria particularidade. Da\u00ed uma sociedade heterog\u00eanea. Neste dois casos, o mundo \u00e9 caracterizado pela presen\u00e7a ou aus\u00eancia da Rede e pela conex\u00e3o ou desconex\u00e3o do Ser. Minha an\u00e1lise circula em volta destes dois centros de aten\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Procurarei \u00e0 medida do poss\u00edvel dar precis\u00e3o \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o da teoria sem o compromisso de esgotar toda a envergadura da obra. Desenvolvo tr\u00eas partes. Na primeira parte, analiso a teoria da sociedade em rede e sua depend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s tecnologias da informa\u00e7\u00e3o. Falarei em linhas gerais dos fluxos de informa\u00e7\u00e3o, riqueza e poder que d\u00e3o \u00e0 sociedade global a morfologia de rede. Tento explicar que a depend\u00eancia se assenta na intensifica\u00e7\u00e3o dos processos sociais apoiados pelos sistemas eletr\u00f4nicos de processamento e comunica\u00e7\u00e3o que se desenvolveram com a revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e a reestrutura\u00e7\u00e3o do capitalismo do final do s\u00e9culo XX. Como j\u00e1 havia analisado o volume I quando fiz um projeto de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, meu enfoque neste volume foi somente no sentido de buscar conte\u00fado para compreens\u00e3o da teoria sociedade em rede e sua depend\u00eancia das tecnologias da informa\u00e7\u00e3o. Compreender em linhas gerais a teoria da sociedade em rede e os porqu\u00eas da sua depend\u00eancia das tecnologias da informa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 a primeira tarefa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na segunda parte, analisarei como as identidades est\u00e3o em constru\u00e7\u00e3o na sociedade em rede. Se a sociedade em rede \u00e9 dependente das tecnologias da informa\u00e7\u00e3o, as identidades s\u00e3o constru\u00eddas com base numa luta constante contra a sociedade em rede. Mas um paradoxo se estabelece quando alguns movimentos utilizam-se da mesma tecnologia para levantar seu estandarte. A constru\u00e7\u00e3o das identidades est\u00e1 baseada em comunas prim\u00e1rias como a localidade, a religi\u00e3o, a na\u00e7\u00e3o, o que resulta numa sociedade fragmentada e diversificada. A an\u00e1lise nesta segunda parte se caracteriza, primeiro, por um levantamento de informa\u00e7\u00f5es que depois servir\u00e3o para construir uma id\u00e9ia da identidade. Como s\u00e3o constru\u00eddas essas identidades? Esta \u00e9 a minha segunda tarefa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na terceira parte, a interpreta\u00e7\u00e3o do fim de mil\u00eanio. Um exame sobre as macro-transforma\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, sociais e pol\u00edticas ocorrentes na sociedade em rede, como informacionaliza\u00e7\u00e3o, globaliza\u00e7\u00e3o, atividades em rede e crise do Estado. A id\u00e9ia aqui \u00e9 entender como a interatividade entre diversos atores modifica as estruturas sociais existentes e para que mundo estas transforma\u00e7\u00f5es apontam. Esta parte tamb\u00e9m se caracteriza por um levantamento de informa\u00e7\u00f5es e depois uma conclus\u00e3o que tenta integrar em afirma\u00e7\u00f5es coerentes os dados levantados ao longo da leitura. Entender o fim de mil\u00eanio \u00e9 a terceira tarefa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois, na conclus\u00e3o, para dar uma id\u00e9ia geral da an\u00e1lise farei uma s\u00edntese bem geral da teoria. N\u00e3o vou me preocupar com algumas especificidades, at\u00e9 porque j\u00e1 est\u00e3o antecipadas nas conclus\u00f5es de cada parte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>PARTE I \u2014&nbsp; A TEORIA DA SOCIEDADE EM REDE E SUA DEPEND\u00caNCIA DAS TECNOLOGIAS DA INFORMA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesta primeira parte vou estudar a teoria da sociedade em rede<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[a]<\/a> e sua depend\u00eancia das tecnologias da informa\u00e7\u00e3o. Antes, no primeiro momento da an\u00e1lise, a teoria da sociedade em rede na qual Castells apresenta a rede global informacional caracterizada por fluxos de informa\u00e7\u00f5es, riqueza e poder. Em linhas gerais, a rede \u00e9 polarizada por tr\u00eas importantes regi\u00f5es do planeta, cujas caracter\u00edsticas espec\u00edficas cria interdepend\u00eancia. Ela tem uma l\u00f3gica estrutural hier\u00e1rquica e uma l\u00f3gica relacional de fluxos. Possui uma estrutura permanente e uma geometria vari\u00e1vel. \u00c9 adapt\u00e1vel e flex\u00edvel de acordo com o contexto econ\u00f4mico, pol\u00edtico, social e cultural. Al\u00e9m de interagir com o ambiente s\u00f3cio-t\u00e9cnico e institucional, tem o poder de conectar ou desconectar o Ser. Os efeitos desta din\u00e2mica s\u00e3o diversidade, fragmenta\u00e7\u00e3o e segmenta\u00e7\u00e3o social.&nbsp; Depois, no segundo momento, a depend\u00eancia da sociedade em rede das tecnologias da informa\u00e7\u00e3o. A depend\u00eancia est\u00e1 relacionada \u00e0 assimila\u00e7\u00e3o dos meios eletr\u00f4nicos de processamento de dados e transmiss\u00e3o de imagens, sons e mensagens. As tecnologias da informa\u00e7\u00e3o aceleraram os processos sociais que se desenvolviam desde as d\u00e9cadas de 50 e 60. A partir do momento em que a tecnologia da informa\u00e7\u00e3o se infiltrou em quase todos os aspectos da vida social, a sociedade em rede passou a funcionar globalmente como uma unidade de tempo real. Surgiu, ent\u00e3o, uma nova forma de rela\u00e7\u00e3o entre economia, Estado e sociedade: a economia em rede, a empresa em rede, o trabalho em rede e redes de comunica\u00e7\u00e3o interativa. Duas causas encerram esta depend\u00eancia: a primeira foi a revolu\u00e7\u00e3o das tecnologias da informa\u00e7\u00e3o, a segunda foi a reestrutura\u00e7\u00e3o do capitalismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta parte da an\u00e1lise tem o objetivo de entender a sociedade em rede e sua depend\u00eancia das tecnologias da informa\u00e7\u00e3o, observando como os atores sociais interagem com a rede. O que se apresenta preliminarmente \u00e9 a de uma intera\u00e7\u00e3o\/integra\u00e7\u00e3o do Ser com a Rede, pois quando os atores sociais assimilaram os meios eletr\u00f4nicos, se tornaram n\u00f3s integrados na rede global informacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Analisemos primeiramente a sociedade em rede.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A teoria da sociedade em rede se assenta em alguns conceitos chaves. Estes s\u00e3o: \u201crede\u201d e \u201cfluxos\u201d. Por rede se entende um conjunto de n\u00f3s interconectados. N\u00f3 \u00e9 o ponto onde uma curva se entrecorta. O tipo de n\u00f3 depende do tipo de rede que falamos. Mais precisamente, como Castells mesmo exp\u00f5e, os n\u00f3s s\u00e3o mercados, bolsas de valores, empresas, institui\u00e7\u00f5es, conselhos nacionais de ministros, campos de coca e de papoula, laborat\u00f3rios clandestinos, pistas de aterrissagem secretas, gangues de rua e institui\u00e7\u00f5es financeiras para lavagem de dinheiro, sistemas de televis\u00e3o, est\u00fadios de entretenimento, meios de computa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica, equipes para cobertura jornal\u00edstica e equipamentos gerando, transmitindo e recebendo sinais na era da informa\u00e7\u00e3o.<a href=\"#_edn1\" id=\"_ednref1\">[1]<\/a> A rede \u00e9, portanto, formada de pontos nodais interligados entre si via sistemas de telecomunica\u00e7\u00f5es e\/ou transportes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por fluxos, os interc\u00e2mbios entre os pontos nodais da rede. Os fluxos s\u00e3o \u201cseq\u00fc\u00eancias program\u00e1veis e repetitivas, de interc\u00e2mbio e intera\u00e7\u00f5es entre posi\u00e7\u00f5es fisicamente distanciadas\u201d.<a href=\"#_edn2\" id=\"_ednref2\">[2]<\/a> S\u00e3o fluxos da informa\u00e7\u00e3o, fluxos de capital, fluxos da tecnologia, fluxos de pessoas, fluxos de bens, fluxos de servi\u00e7os, fluxos de poder, fluxos de conhecimento, imagens, sons e s\u00edmbolos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir destes conceitos se desenvolve um terceiro, tamb\u00e9m importante. Alguns pontos nodais da rede s\u00e3o entendidos como \u201cespa\u00e7os de fluxos\u201d. S\u00e3o pontos espec\u00edficos em v\u00e1rias partes do planeta que concentram o melhor da tecnologia, profissionais especializados e servi\u00e7os avan\u00e7ados. Com apoio de boa teoria, Castells define o espa\u00e7o como \u201csuporte material de pr\u00e1ticas sociais de tempo compartilhado\u201d. Espa\u00e7o de fluxos \u00e9, ent\u00e3o, a \u201corganiza\u00e7\u00e3o material das pr\u00e1ticas sociais de tempo compartilhado que funcionam por meio de fluxos\u201d.<a href=\"#_edn3\" id=\"_ednref3\">[3]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O espa\u00e7o de fluxos pode ser entendido pela descri\u00e7\u00e3o de tr\u00eas camadas de suportes materiais. A primeira \u00e9 a dos circuitos eletr\u00f4nicos, a segunda \u00e9 constitu\u00edda por seus n\u00f3s e centros de comunica\u00e7\u00e3o e a terceira refere-se \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o espacial das elites gerenciais dominantes. Ent\u00e3o, espa\u00e7o de fluxos \u00e9 um lugar localizado, geralmente, numa grande cidade que funciona como n\u00f3 da rede global e que concentra uma elite dominante em v\u00e1rios setores da vida e que processa suas atividades atrav\u00e9s de fluxos na rede de circuitos eletr\u00f4nicos.<a href=\"#_edn4\" id=\"_ednref4\">[4]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Baseado em Castells, a estrutura central da rede global \u00e9 formada por tr\u00eas macro-regi\u00f5es centralizadas nos EUA, Europa e Jap\u00e3o, cujas caracter\u00edsticas espec\u00edficas diferenciam estes p\u00f3los em sua forma, organiza\u00e7\u00e3o e funcionamento gerando interdepend\u00eancia. Em sua express\u00e3o mais ampla \u00e9 o n\u00facleo da rede global e em volta de seus p\u00f3los principais h\u00e1 uma hinterl\u00e2ndia de pa\u00edses, regi\u00f5es e cidades de menor express\u00e3o. Estas tr\u00eas \u00e1reas s\u00e3o caracterizadas pela riqueza de capital, informa\u00e7\u00e3o e tecnologia em oposi\u00e7\u00e3o assim\u00e9trica \u00e0 sua vizinhan\u00e7a empobrecida e sem valor. Na periferia da rede, pa\u00edses em desenvolvimento e pequenos segmentos fragmentados com base informacional se conectam \u00e0 economia global atrav\u00e9s de seus p\u00f3los regionais, mas uma boa parte dos pa\u00edses n\u00e3o tem nenhuma relev\u00e2ncia e est\u00e3o exclu\u00eddos do sistema global.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Caracterizarei em linhas gerais a complexa estrutura e din\u00e2mica da rede. Diversas redes se formam a partir da rede global. Estas redes est\u00e3o entrela\u00e7adas. Segundo Castells, \u201credes s\u00e3o estruturas abertas capazes de expandir de forma ilimitada, integrando novos n\u00f3s desde que consigam comunicar-se dentro da rede, ou seja, desde que compartilhem os mesmos c\u00f3digos de comunica\u00e7\u00e3o\u201d.<a href=\"#_edn5\" id=\"_ednref5\">[5]<\/a> A rede global informacional \u00e9 um complexo de outras redes interligadas entre si pelos mesmos c\u00f3digos. A sociedade em rede \u00e9 ainda uma sociedade capitalista, contudo o capital na sociedade em rede tem duas caracter\u00edsticas b\u00e1sicas, afirma ele: \u00e9 global e est\u00e1 estabelecido em rede de fluxos financeiros. Da\u00ed que, a m\u00e3e de todas as redes \u00e9 a rede financeira global, uma metarrede que unifica e comanda as atividades do Ser em submiss\u00e3o \u00e0 rede global. Esta rede \u00e9 suportada por outras redes eletr\u00f4nicas de informa\u00e7\u00e3o, formadas pela fus\u00e3o entre os sistemas de telecomunica\u00e7\u00f5es. As redes eletr\u00f4nicas de informa\u00e7\u00e3o mundial s\u00e3o frutos da fus\u00e3o entre a tecnologia inform\u00e1tica e de telecomunica\u00e7\u00f5es, cuja maior express\u00e3o foi a Internet, a rede mundial de computadores. Esta rede eletr\u00f4nica propiciou a forma\u00e7\u00e3o de redes transnacionais de empresas, com a produ\u00e7\u00e3o em rede independente das fronteiras dos pa\u00edses. As principais multinacionais do mundo em telecomunica\u00e7\u00f5es e de outros segmentos da economia fizeram fus\u00f5es entre si, o que deu forma \u00e0 economia em rede. As empresas cada vez mais se organizam em redes, tanto internamente como em seus relacionamentos externos. Pode ser dito que existem redes entre empresas e redes dentro de empresas, que s\u00e3o capazes de formar-se e expandir-se por todas as avenidas e becos da economia global, porque contam com o poder da informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o em tempo vari\u00e1vel propiciado pelo novo paradigma tecnol\u00f3gico. Existem redes de pequenas empresas subordinadas \u00e0s redes globais de empresas. Uma rede de transporte a\u00e9reo vincula-se a uma rede de transporte terrestre. Redes de produ\u00e7\u00e3o dependem de redes de distribui\u00e7\u00e3o. Redes de televis\u00e3o s\u00e3o partes de um conglomerado de redes de empresas da \u00e1rea de comunica\u00e7\u00e3o. Os telespectadores dispersos est\u00e3o vinculados nas redes televisivas pelos fluxos de imagens e sons, hoje com a capacidade de interagir com a programa\u00e7\u00e3o. H\u00e1 redes globais e locais de r\u00e1dio e televis\u00e3o. A Internet articula as pessoas numa rede eletr\u00f4nica de relacionamentos aleat\u00f3rios ao n\u00edvel do indiv\u00edduo sem come\u00e7o, meio e fim. Atrav\u00e9s dos fluxos financeiros, indiv\u00edduos de qualquer lugar do mundo se conectam na rede financeira global. Enfim, a rede \u00e9 uma estrutura flex\u00edvel e adapt\u00e1vel bem-servida por uma combina\u00e7\u00e3o entre a aglomera\u00e7\u00e3o de redes centrais e a participa\u00e7\u00e3o dessas redes centrais e de suas redes dispersas auxiliares em redes globais, via telecomunica\u00e7\u00f5es e transporte a\u00e9reo com intensa participa\u00e7\u00e3o das caracter\u00edsticas institucionais de cada cultura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Castells, a arquitetura da rede \u00e9 de uma estrutura permanente e uma geometria vari\u00e1vel. De certa forma, esta caracter\u00edstica \u00e9 creditada principalmente ao complexo padr\u00e3o de intera\u00e7\u00e3o entre Estado, cultura e sociedade em que a rede est\u00e1 estruturada. A assimetria \u00e9 percebida no tamanho do PIB, na transfer\u00eancia tecnol\u00f3gica, na compara\u00e7\u00e3o do volume e tipo de com\u00e9rcio entre os pa\u00edses que est\u00e3o mais pr\u00f3ximos do n\u00facleo central da rede e os pa\u00edses perif\u00e9ricos. Nas empresas pelas posi\u00e7\u00f5es ocupadas por uma minoria de profissionais especializados, geralmente em posi\u00e7\u00f5es de comando e nos servi\u00e7os avan\u00e7ados, em oposi\u00e7\u00e3o a uma maioria pouca qualificada, cuja ocupa\u00e7\u00e3o s\u00e3o servi\u00e7os rotineiros, repetitivos que requerem pouca aplica\u00e7\u00e3o de conhecimento. No trabalho \u00e9 patente porque os pa\u00edses dominantes concentram o maior n\u00famero de profissionais especializados, os melhores engenheiros e cientistas trabalhando nas melhores fun\u00e7\u00f5es, geralmente de planejamento, ger\u00eancia, consultoria, projetos etc., enquanto os trabalhadores dos demais pa\u00edses se ocupam com a execu\u00e7\u00e3o da parte mais bruta do processo produtivo. Na organiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o, onde o espa\u00e7o de fluxos est\u00e1 organizado em volta do interesse da classe dominante. A elite em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o ocupa cotidianamente este espa\u00e7o enquanto a grande maioria das pessoas est\u00e1 completamente fora.<a href=\"#_edn6\" id=\"_ednref6\">[6]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Junto com a geometria vari\u00e1vel, a rede \u00e9 dotada de flexibilidade e adaptabilidade. Segundo Castells a flexibilidade da rede \u00e9 resultado de transforma\u00e7\u00f5es que operavam muito antes da difus\u00e3o das tecnologias da informa\u00e7\u00e3o, mas sofreu um processo de intensifica\u00e7\u00e3o com a sua chegada.<a href=\"#_edn7\" id=\"_ednref7\">[7]<\/a> A flexibilidade e adaptabilidade da rede s\u00e3o creditadas aos modernos meios oferecidos pela tecnologia da informa\u00e7\u00e3o que permitem o deslocamento dos processos produtivos e gerenciamento a distancia da produ\u00e7\u00e3o. Pa\u00edses e suas multinacionais adaptaram a produ\u00e7\u00e3o de acordo com a oferta de m\u00e3o-de-obra, mat\u00e9ria-prima e mercado consumidor. Diversas etapas da produ\u00e7\u00e3o s\u00e3o distribu\u00eddas pela rede em v\u00e1rios pontos nodais ao redor do globo, de acordo com a hierarquia da rede e suas caracter\u00edsticas institucionais e culturais. Geralmente os servi\u00e7os de planejamento e gerenciamento que dependem de alto grau de informa\u00e7\u00e3o se localizam nos grandes centros, ou pa\u00eds sede, e os servi\u00e7os menos qualificados, a produ\u00e7\u00e3o material de baixo valor informacional, \u00e9 estabelecido no exterior.&nbsp; A distribui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 feita de forma flex\u00edvel e adaptada ao mercado consumidor, seja pela diversidade ou quantidade de consumo. As empresas adquiriram a capacidade de gerenciamento flex\u00edvel tanto externamente com as parcerias com outras empresas como internamente atrav\u00e9s de uma reestrutura\u00e7\u00e3o organizativa da hierarquia administrativa saindo de uma estrutura vertical para uma horizontal, dando mais poder de decis\u00e3o aos funcion\u00e1rios no ch\u00e3o da f\u00e1brica como tamb\u00e9m um equil\u00edbrio de decis\u00f5es entre os gerentes de v\u00e1rios setores da empresa. A estrutura do trabalho se modificou e se tornou flex\u00edvel, criando o trabalho em rede e jornadas de trabalho flex\u00edveis com jornadas menores, onde aparecem os trabalhadores de meio-expediente e trabalhadores aut\u00f4nomos adaptando-se \u00e0 l\u00f3gica da nova forma de produ\u00e7\u00e3o.<a href=\"#_edn8\" id=\"_ednref8\">[8]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A rede \u00e9 seletiva. Ela estrutura os processos sociais de forma diversificada, fragmentada e segmentada e depois seleciona o segmento s\u00f3cio-econ\u00f4mico de acordo com o seu n\u00edvel informacional para inclu\u00ed-lo, ou o rejeita. Abstraindo do texto de Castells, a seletividade da rede caracteriza-se por:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Interdepend\u00eancia, assimetria, regionaliza\u00e7\u00e3o, crescente diversifica\u00e7\u00e3o dentro de cada regi\u00e3o, inclus\u00e3o seletiva, segmenta\u00e7\u00e3o excludente<\/strong> e, em conseq\u00fc\u00eancia de todos esses fatores, por uma geometria extraordinariamente vari\u00e1vel que tende a desintegrar a geografia econ\u00f4mica e hist\u00f3rica.<a href=\"#_edn9\" id=\"_ednref9\">[9]<\/a> [grifos do autor]<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sociedade em rede \u00e9 global porque afeta todo o planeta, mas nem \u00e9 preciso que todos atores do panorama mundial estejam presentes na rede. Ela afeta todo o planeta pela segmenta\u00e7\u00e3o, diversifica\u00e7\u00e3o, inclus\u00e3o ou exclus\u00e3o de pessoas a enormes regi\u00f5es de acordo com os valores pertinentes da sociedade informacional. As conex\u00f5es com a rede s\u00f3 ser\u00e3o poss\u00edveis se houver na sociedade o poder de receber ou emitir fluxos via tecnologias da informa\u00e7\u00e3o. A rede segmenta mercados regionais que possam oferecer algum valor econ\u00f4mico ou cultural e que tenha se submetido \u00e0 l\u00f3gica informacional dos fluxos para conect\u00e1-los e automaticamente desconecta as regi\u00f5es cuja exist\u00eancia contrariam esta l\u00f3gica. A rede \u00e9 seletiva porque afeta todo o planeta por inclus\u00e3o ou exclus\u00e3o. A seletividade \u00e9 proeminente nas redes de empresas e no mercado de trabalho. As redes de empresas formadas por multinacionais s\u00e3o altamente seletivas se considerado do ponto de vista do poder destas empresas. Elas escolhem o pa\u00eds onde estabelecem suas unidades industriais, o mercado de m\u00e3o-de-obra, sua rede de fornecedores e distribuidores. Em linhas gerais, esta \u00e9 a teoria da sociedade em rede de Manuel Castells. Agora analisarei a depend\u00eancia da sociedade em rede das tecnologias da informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sociedade do fim do s\u00e9culo XX assimilou, incorporou e promoveu a utiliza\u00e7\u00e3o dos sistemas eletr\u00f4nicos de gera\u00e7\u00e3o, armazenamento, processamento e transmiss\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o. A depend\u00eancia se d\u00e1 com a transfer\u00eancia de parte das atividades humanas para pacotes bin\u00e1rios de informa\u00e7\u00e3o, formando uma imensa rede de interatividade global e informacional. A sociedade se v\u00ea envolvida por um emaranhado de circuitos do qual n\u00e3o \u00e9 mais permitido desvencilhar-se. A revolu\u00e7\u00e3o da tecnologia da informa\u00e7\u00e3o e a reestrutura\u00e7\u00e3o do capitalismo s\u00e3o os dois pontos importantes relacionados a esta depend\u00eancia. Estes processos for\u00e7aram o estabelecimento e a penetra\u00e7\u00e3o destes circuitos eletr\u00f4nicos em todos os becos da sociedade mundial dotados de uma infra-estrutura m\u00ednima. Surgiu a economia em rede que depende dos meios eletr\u00f4nicos para seu funcionamento. Mas a depend\u00eancia n\u00e3o est\u00e1 somente no campo econ\u00f4mico, no cultural e no pol\u00edtico tamb\u00e9m. Todavia, por quest\u00e3o de espa\u00e7o, avaliarei somente o aspecto econ\u00f4mico, acredito que ser\u00e1 o suficiente para o prop\u00f3sito estabelecido.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao analisar como Castells exp\u00f5e esta depend\u00eancia, requer colocar em relev\u00e2ncia os sistemas eletr\u00f4nicos de telecomunica\u00e7\u00f5es. S\u00e3o estes sistemas que aumentam exponencialmente o poder dos fluxos. Os sistemas eletr\u00f4nicos ao ampliarem o poder de transmiss\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o concomitantemente ampliam o poder da comunica\u00e7\u00e3o. Comunica\u00e7\u00e3o, espa\u00e7o e tempo s\u00e3o substancialmente importantes para as rela\u00e7\u00f5es sociais na sociedade informacional. Estes aspectos materiais da cultura foram cuidadosamente analisados por Castells e comp\u00f5em a base da qual emerge a depend\u00eancia da sociedade em rede das tecnologias da informa\u00e7\u00e3o. O processo de forma\u00e7\u00e3o da sociedade em rede \u00e9 pautado por modifica\u00e7\u00f5es do espa\u00e7o e do tempo causado pelos sistemas eletr\u00f4nicos de gera\u00e7\u00e3o, processamento e transmiss\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es. \u00c9 este tripl\u00e9 com os sistemas eletr\u00f4nicos no alto e espa\u00e7o e tempo abaixo que minha an\u00e1lise percorre a economia em rede na busca de encontrar os pontos da an\u00e1lise de Castells que comprovem a proposta deste estudo. Sendo assim, avaliarei, primeiramente os sistemas eletr\u00f4nicos de comunica\u00e7\u00e3o, o espa\u00e7o e o tempo para depois me referir \u00e0 economia em rede. N\u00e3o esquecendo que a sociedade em rede se tornou dependente deste sistema porque ao perceb\u00ea-lo como um meio de facilitar as suas atividades, promoveu e intensificou seu uso, entrando em um c\u00edrculo virtuoso. Cada ator social, considerado sua posi\u00e7\u00e3o, que buscou nas tecnologias um meio de facilitar suas pr\u00e1ticas sociais, acabou interagindo com a rede e, por fim, integrando-se a ela. Como tinha dito, uma intera\u00e7\u00e3o\/integra\u00e7\u00e3o que os tornou n\u00f3s da rede, portanto dependente. Verifiquemos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A tecnologia da informa\u00e7\u00e3o \u00e9 um conjunto de conhecimentos t\u00e9cnicos sobre sistemas eletr\u00f4nicos de comunica\u00e7\u00e3o e transmiss\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es. Este conhecimento possibilitou que a tecnologia da informa\u00e7\u00e3o atuasse sobre a pr\u00f3pria tecnologia da informa\u00e7\u00e3o. A sua evolu\u00e7\u00e3o cont\u00ednua facilitou cada vez mais a transmiss\u00e3o eletr\u00f4nica de informa\u00e7\u00e3o via pacotes de bits intensificando o processo de comunica\u00e7\u00e3o de acordo coma as formas sociais preexistentes. Estas formas sociais junto com o avan\u00e7o das t\u00e9cnicas for\u00e7aram a flexibiliza\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o de massa para uma comunica\u00e7\u00e3o segmentada e diversificada. Segundo Castells, o r\u00e1dio perdeu centralidade, mas ganhou penetrabilidade e flexibilidade. A televis\u00e3o ganhou centralidade e se tornou a m\u00eddia de massa, ou grande m\u00eddia, com muita rapidez. Uma nova forma de comunica\u00e7\u00e3o surgiu com a media\u00e7\u00e3o de computadores. A comunica\u00e7\u00e3o deixou de ser de uma \u00fanica via para ser interativa. A WWW (World Wide Web) se tornou uma rede flex\u00edvel dentro da Internet, onde empresas, pessoas, organiza\u00e7\u00f5es e institui\u00e7\u00f5es atuam numa grande teia mundial de comunica\u00e7\u00e3o individualizada e interativa gra\u00e7as \u00e0 tecnologia da informa\u00e7\u00e3o. A Internet cont\u00e9m a interatividade e a individualiza\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gicas culturalmente embutidas.<a href=\"#_edn10\" id=\"_ednref10\">[10]<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Redes de televis\u00e3o, redes de r\u00e1dios, redes de telefonia, redes de ag\u00eancias de not\u00edcias enviam fluxos constantes de imagens, sons, mensagens, informa\u00e7\u00f5es e conhecimento. Os sistemas eletr\u00f4nicos dominaram todos os aspectos da comunica\u00e7\u00e3o. Castells fala que \u201co surgimento de um novo sistema eletr\u00f4nico de comunica\u00e7\u00e3o caracterizado pelo seu alcance global, integra\u00e7\u00e3o de todos os meios de comunica\u00e7\u00e3o e interatividade potencial est\u00e1 mudando e mudar\u00e1 para sempre nossa cultura\u201d.<a href=\"#_edn11\" id=\"_ednref11\">[11]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas minhas observa\u00e7\u00f5es de Castells, entendo que a sociedade em rede \u00e9 dependente das tecnologias da informa\u00e7\u00e3o porque usa a tecnologia para facilitar suas a\u00e7\u00f5es, com isto, evidentemente intensificando-as. Vale a pena fazer esta extensa cita\u00e7\u00e3o:&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, as comunidades do norte da Calif\u00f3rnia por ele<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[b]<\/a> estudadas adotaram o telefone para <strong>melhorar as redes sociais<\/strong> de comunica\u00e7\u00e3o existentes e <strong>refor\u00e7ar seus h\u00e1bitos sociais<\/strong> profundamente enraizados. O telefone foi adaptado, n\u00e3o apenas adotado. As pessoas moldam a tecnologia para adapt\u00e1-la a suas necessidades&#8230; O modo de comunica\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica multipessoal representado pela CMC<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[c]<\/a> tem sido usado de formas diferentes e para diferentes finalidades, tantas quantas existem no \u00e2mbito da varia\u00e7\u00e3o social e contextual entre seus usu\u00e1rios. O denominador comum da CMC \u00e9 que, de acordo com os poucos estudos existentes sobre o assunto, ela n\u00e3o substitui outros meios de comunica\u00e7\u00e3o nem cria novas redes: <strong>refor\u00e7a os padr\u00f5es sociais preexistentes<\/strong>. Contribui com a comunica\u00e7\u00e3o telef\u00f4nica e do setor de transportes, expande o alcance das redes sociais e possibilita que elas interajam de forma mais ativa e em hor\u00e1rios optativos. Como o acesso \u00e0 CMC \u00e9 cultural, educacional e economicamente restritivo, e continuar\u00e1 assim por muito tempo, seu <strong>impacto<\/strong> cultural mais importante poderia ser o <strong>refor\u00e7o potencial das redes sociais<\/strong> culturalmente dominantes, bem como o aumento de seu cosmopolitismo e globaliza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o que a CMC <em>per se<\/em> seja mais cosmopolita. Como Fischer demonstrou, as primeiras redes telef\u00f4nicas favoreceram mais a comunica\u00e7\u00e3o local do que a interurbana. Em algumas das comunidades virtuais, a exemplo da SFNET na \u00e1rea da Ba\u00eda de San Francisco, a maioria de seus usu\u00e1rios s\u00e3o residentes locais, e alguns deles se v\u00eaem pessoalmente em comemora\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas para alimentar sua intimidade eletr\u00f4nica. As redes eletr\u00f4nicas em geral, no entanto, tendem a <strong>refor\u00e7ar o cosmopolitismo<\/strong> das novas classes profissionais e empresariais que simbolicamente moram em uma estrutura de refer\u00eancia global, ao contr\u00e1rio da maioria da popula\u00e7\u00e3o de qualquer pa\u00eds. Portanto a CMC pode ser um meio poderoso para <strong>refor\u00e7ar a coes\u00e3o social<\/strong> da elite cosmopolita, fornecendo um apoio importante ao significado de uma cultura global, que vai da eleg\u00e2ncia de um endere\u00e7o eletr\u00f4nico \u00e0 circula\u00e7\u00e3o r\u00e1pida das mensagens em moda.<a href=\"#_edn12\" id=\"_ednref12\">[12]<\/a> [Grifos nossos]<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vale destacar tamb\u00e9m o empenho dos governos para a instala\u00e7\u00e3o de sistemas multim\u00edda que:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estende o \u00e2mbito da comunica\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica para todo o dom\u00ednio da vida: de casa a trabalho, de escolas a hospitais, de entretenimento a viagens. Em meados dos anos 90, governos e empresas do mundo inteiro empenhavam-se em uma corrida fren\u00e9tica para a instala\u00e7\u00e3o do novo sistema, considerado uma ferramenta de poder, fonte potencial de altos lucros e s\u00edmbolo de hipermodernidade.<a href=\"#_edn13\" id=\"_ednref13\">[13]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As novas tecnologias permitem o funcionamento da sociedade mundial como uma unidade de tempo real. Um fator importante para isso foi a altera\u00e7\u00e3o do conceito de tempo estabelecido pelas tecnologias da informa\u00e7\u00e3o: o tempo intemporal, e flex\u00edvel. O conceito de tempo, segundo Castells, mudou devido \u00e0 capacidade de colar num supertexto passado, presente e futuro, imagens, sons e escrita e permitir uma intera\u00e7\u00e3o deslocada no tempo pela comunica\u00e7\u00e3o mediada por computadores com perguntas no presente e respostas retardadas, como tamb\u00e9m em tempo real, al\u00e9m de multidirecionais, de um para com muitos e de muitos para com um. O tempo n\u00e3o \u00e9 apenas contado, mas processado pelos mecanismos tecnol\u00f3gicos. Como diz Castells, este sistema depende: \u201cda temporalidade flex\u00edvel, da capacidade de acelerar ou desacelerar o produto e os ciclos de lucros, do tempo compartilhado por equipamentos e pessoal e de controle das defasagens de tempo da tecnologia dispon\u00edvel em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 concorr\u00eancia\u201d.<a href=\"#_edn14\" id=\"_ednref14\">[14]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gra\u00e7as aos mecanismos tecnol\u00f3gicos que tornam o tempo flex\u00edvel e intemporal \u201ca economia mundial conseguiu tornar-se verdadeiramente global com base na nova infra-estrutura, propiciada pelas tecnologias da informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o\u201d.<a href=\"#_edn15\" id=\"_ednref15\">[15]<\/a> Temos, ent\u00e3o, pela primeira vez na hist\u00f3ria um mercado global unificado, funcionando em tempo real. O capital \u00e9 gerenciado vinte quatro horas por dia nos mercados financeiros globalmente integrados. Localizados em n\u00f3s globais de uma rede seletiva de telecomunica\u00e7\u00f5es, poderosos analistas com seus poderosos computadores e programas participam do jogo bilion\u00e1rio mundial numa busca desesperada pelo lucro. Uma rede formada por especuladores desconhecidos, mas principalmente por grandes bancos, fundos de pens\u00e3o e grandes multinacionais. O tempo \u00e9 crucial para a gera\u00e7\u00e3o de lucros. A velocidade das transa\u00e7\u00f5es gera ganhos ou perdas. E somente uma tecnologia altamente sofisticada permite a intera\u00e7\u00e3o com esta rede bilion\u00e1ria.<a href=\"#_edn16\" id=\"_ednref16\">[16]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A tecnologia permite o funcionamento integrado da sociedade a n\u00edvel mundial em tempo real. A economia global\/informacional, segundo Castells, \u00e9 organizada em torno de centros de controle (espa\u00e7os de fluxos) e comando capazes de coordenar, inovar e gerenciar as atividades interligadas das redes de empresas. Os servi\u00e7os avan\u00e7ados (marketing, finan\u00e7as, propaganda, gerenciamento de sistemas de informa\u00e7\u00e3o etc.) est\u00e3o no cerne de todos os processos econ\u00f4micos. Estes servi\u00e7os \u201cpodem ser reduzidos \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de conhecimentos e a fluxos de informa\u00e7\u00e3o. Portanto, os sistemas avan\u00e7ados de telecomunica\u00e7\u00f5es poderiam possibilitar sua localiza\u00e7\u00e3o dispersa pelo globo\u201d.<a href=\"#_edn17\" id=\"_ednref17\">[17]<\/a> De um lado, estes servi\u00e7os aumentam nas principais regi\u00f5es metropolitanas do mundo e, de outro lado, tem havido uma concentra\u00e7\u00e3o espacial de camadas superiores nos principais pontos nodais de alguns pa\u00edses. Esta l\u00f3gica do espa\u00e7o de fluxo junto com o advento da ind\u00fastria de alta tecnologia, ou seja, a ind\u00fastria com base na microeletr\u00f4nica e assistida por computadores, introduziu uma nova l\u00f3gica no espa\u00e7o industrial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse espa\u00e7o caracteriza-se pela capacidade organizacional e tecnol\u00f3gica de separar o processo produtivo em diferentes localiza\u00e7\u00f5es, ao mesmo tempo em que reintegra sua unidade por meio de conex\u00f5es de telecomunica\u00e7\u00f5es e da flexibilidade e precis\u00e3o resultante da microeletr\u00f4nica na fabrica\u00e7\u00e3o de componentes.<a href=\"#_edn18\" id=\"_ednref18\">[18]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, a economia \u00e9 altamente dependente das tecnologias da informa\u00e7\u00e3o. O novo paradigma tecnol\u00f3gico incorpora mais informa\u00e7\u00e3o ao produto e ao processo produtivo. Configura-se uma nova organiza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica a partir da evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica.&nbsp; As novas tecnologias agem sobre todos dom\u00ednios da atividade humana. Elas est\u00e3o infiltradas no tecido s\u00f3cio-econ\u00f4mico, cuja circula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es em tempo real \u00e9 crucial para o funcionamento da economia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Castells fala da Revolu\u00e7\u00e3o da Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o e da sua rela\u00e7\u00e3o com a nova economia. Para ele a associa\u00e7\u00e3o de tecnologias da informa\u00e7\u00e3o com a economia criou a que ele chamou de economia informacional:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Porque a produtividade e a competitividade de unidades ou agentes nessa economia (sejam empresas, regi\u00f5es ou na\u00e7\u00f5es) dependem basicamente de sua capacidade de gerar, processar e aplicar de forma eficiente a informa\u00e7\u00e3o baseada em conhecimentos&#8230; porque a Revolu\u00e7\u00e3o da Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o fornece a base material indispens\u00e1vel para essa nova economia&#8230; Sem d\u00favida, informa\u00e7\u00e3o e conhecimentos sempre foram elementos cruciais no crescimento da economia, e a evolu\u00e7\u00e3o da tecnologia determinou em grande parte a capacidade produtiva da sociedade e os padr\u00f5es de vida, bem como formas sociais de organiza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica&#8230; A emerg\u00eancia de um novo paradigma tecnol\u00f3gico organizado em torno de novas tecnologias da informa\u00e7\u00e3o, mais flex\u00edveis e poderosas, possibilita que a pr\u00f3pria informa\u00e7\u00e3o se torne o produto do processo produtivo. Sendo mais preciso: os produtos das novas ind\u00fastrias de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o s\u00e3o dispositivos de processamento da informa\u00e7\u00e3o ou o pr\u00f3prio processamento da informa\u00e7\u00e3o. Ao transformarem os processos de processamento da informa\u00e7\u00e3o, as novas tecnologias da informa\u00e7\u00e3o agem sobre todos os dom\u00ednios da atividade humana e possibilitam o estabelecimento de conex\u00f5es infinitas entre os diferentes dom\u00ednios, assim como entre os elementos e agentes de tais atividades. Surge uma economia em rede profundamente interdependente que se torna cada vez mais capaz de aplicar seu progresso em tecnologia, conhecimentos e administra\u00e7\u00e3o na pr\u00f3pria tecnologia, conhecimentos e administra\u00e7\u00e3o. Um c\u00edrculo t\u00e3o virtuoso deve conduzir \u00e0 maior produtividade e efici\u00eancia, considerando as condi\u00e7\u00f5es corretas de transforma\u00e7\u00f5es organizacionais e institucionais igualmente dr\u00e1sticas.<a href=\"#_edn19\" id=\"_ednref19\">[19]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 agropecu\u00e1ria informacional, ind\u00fastria informacional e atividades de servi\u00e7os informacionais que produzem e distribuem com base na informa\u00e7\u00e3o e em conhecimentos incorporados no processo de trabalho pelo poder cada vez maior das tecnologias da informa\u00e7\u00e3o. O que mudou n\u00e3o foi o tipo de atividades em que a humanidade est\u00e1 envolvida, mas sua capacidade tecnol\u00f3gica de utilizar, como for\u00e7a produtiva direta, aquilo que caracteriza nossa esp\u00e9cie como uma singularidade biol\u00f3gica: nossa capacidade superior de processar s\u00edmbolos. <a href=\"#_edn20\" id=\"_ednref20\">[20]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A densidade de informa\u00e7\u00f5es contida nestas passagens n\u00e3o me permite uma an\u00e1lise mais detalhada no espa\u00e7o que me \u00e9 reservado. Creio que meu dever \u00e9 fazer alguns coment\u00e1rios que d\u00eaem respostas \u00e0 minha proposta colocada acima: a de entender porque a sociedade em rede \u00e9 dependente das tecnologias da informa\u00e7\u00e3o. Por isso, vou deixar que as palavras de Castells falem por si s\u00f3 e seguirei com o meu objetivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As tecnologias da informa\u00e7\u00e3o causaram transforma\u00e7\u00f5es no mundo das empresas. Por isso, as empresas da economia informacional revelam substancialmente a depend\u00eancia que a sociedade em rede tem das tecnologias da informa\u00e7\u00e3o. S\u00e3o elas as fomentadoras do uso das tecnologias da informa\u00e7\u00e3o. Como nenhuma outra organiza\u00e7\u00e3o social dependem basicamente da capacidade de gerar, processar e aplicar a informa\u00e7\u00e3o. Na busca de satisfazerem suas necessidades patrocinam e incentivam a dissemina\u00e7\u00e3o das tecnologias da informa\u00e7\u00e3o, seja como meio t\u00e9cnico de produ\u00e7\u00e3o em rede, seja como o pr\u00f3prio produto de consumo, tanto para as pr\u00f3prias empresas como para as pessoas. A sociedade em rede se torna cada vez mais dependente das tecnologias \u00e0 medida que cada vez mais h\u00e1 o interesse comercial em expandir o uso da tecnologia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As tecnologias da informa\u00e7\u00e3o s\u00e3o, em grande parte, respons\u00e1veis pelo estabelecimento do sistema de gerenciamento flex\u00edvel da produ\u00e7\u00e3o em rede. As empresas reestruturam sua organiza\u00e7\u00e3o interna e externa em forma de rede, gra\u00e7as ao apoio de computadores interligados entre si, e estabelecem novas metas de produ\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m novo tipo de produzir, uma produ\u00e7\u00e3o flex\u00edvel, al\u00e9m de flexibilizar o produto de acordo com a diversidade do mercado. Ao analisar as empresas, Castells detecta a presen\u00e7a marcante destas tecnologias. Neste particular, ele cita Boyett e Conn: \u201cA capacidade de reconfigura\u00e7\u00e3o das grandes empresas norte-americanas, de parecerem pequenos neg\u00f3cios e agirem como tal pode, pelo menos em parte, ser atribu\u00edda ao desenvolvimento da nova tecnologia, que torna desnecess\u00e1rias camadas inteiras de gerentes e funcion\u00e1rios\u201d.<a href=\"#_edn21\" id=\"_ednref21\">[21]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta nova l\u00f3gica da produ\u00e7\u00e3o baseada nas tecnologias da informa\u00e7\u00e3o descentraliza a administra\u00e7\u00e3o, individualiza o trabalho e personaliza os mercados. As tarefas s\u00e3o executadas e coordenadas em uma rede interativa de comunica\u00e7\u00e3o em tempo real entre continentes ou entre andares de um mesmo edif\u00edcio. Isto permite a subcontrata\u00e7\u00e3o, terceiriza\u00e7\u00e3o, redu\u00e7\u00e3o de quadro funcional e produ\u00e7\u00e3o sob encomenda. O modelo da nova forma de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 o de uma for\u00e7a de trabalho permanente formada por administradores que atuam com base na informa\u00e7\u00e3o e por uma for\u00e7a de trabalho dispon\u00edvel que pode ser automatizada, ou contratada\/demitida\/enviada para o exterior. O que interessa para as empresas \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o de poder acessar a m\u00e3o-de-obra e bens quando necess\u00e1rio.<a href=\"#_edn22\" id=\"_ednref22\">[22]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O processo de trabalho foi modificado com o advento da tecnologia da informa\u00e7\u00e3o. Segundo Castells, durante a d\u00e9cada de 80 a microeletr\u00f4nica se difundiu pela ind\u00fastria, e somente na d\u00e9cada de 90 os computadores chegaram \u00e0s atividades relacionadas a processamento da informa\u00e7\u00e3o. Baseado em pesquisas sociol\u00f3gicas, afirma que a tecnologia n\u00e3o \u00e9 a respons\u00e1vel pela organiza\u00e7\u00e3o do trabalho, e que para entender a organiza\u00e7\u00e3o social do trabalho de nosso tempo \u00e9 preciso considerar uma intrincada teia de rela\u00e7\u00f5es tecida pela interatividade hist\u00f3rica entre transforma\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, pol\u00edtica das rela\u00e7\u00f5es industriais e a\u00e7\u00e3o social conflituosa. Em suma,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar dos enormes obst\u00e1culos da administra\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria e do capitalismo explorador, as tecnologias da informa\u00e7\u00e3o exigem maior liberdade para trabalhadores mais esclarecidos atingirem o pleno potencial da produtividade prometida. O trabalhador atuante na rede \u00e9 o agente necess\u00e1rio \u00e0 empresa em rede, possibilitada pelas novas tecnologias da informa\u00e7\u00e3o.<a href=\"#_edn23\" id=\"_ednref23\">[23]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A difus\u00e3o das tecnologias da informa\u00e7\u00e3o produziu efeitos bastante similares em f\u00e1bricas, escrit\u00f3rios e organiza\u00e7\u00f5es de servi\u00e7os. O principal efeito \u00e9 desaparecimento das tarefas rotineiras, repetitivas que podem ser pr\u00e9-codificadas e programadas para que m\u00e1quinas executem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o deveria surpreender que as tecnologias da informa\u00e7\u00e3o fizessem exatamente isto: substituir o trabalho que possa ser codificado em uma seq\u00fc\u00eancia program\u00e1vel e melhorar o trabalho o trabalho que requer capacidade de an\u00e1lise, decis\u00e3o e reprograma\u00e7\u00e3o em tempo real, em um n\u00edvel que apenas o c\u00e9rebro humano pode dominar. Todas as outras atividades, dado o baixo pre\u00e7o, s\u00e3o potencialmente suscet\u00edveis de automa\u00e7\u00e3o e, portanto, o trabalho nelas envolvido \u00e9 dispens\u00e1vel.<a href=\"#_edn24\" id=\"_ednref24\">[24]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como conclus\u00e3o do exposto acima, pode-se dizer que Castells apresenta a teoria da sociedade em rede que tem como base de sua organiza\u00e7\u00e3o as tecnologias da informa\u00e7\u00e3o. A rede \u00e9 formada por fluxos de informa\u00e7\u00e3o, poder e riqueza. Estes fluxos conectam v\u00e1rios pontos nodais em todo o mundo desde que possua uma infra-estrutura tecnol\u00f3gica em telecomunica\u00e7\u00f5es m\u00ednima e uma l\u00f3gica semelhante. Estes pontos de conex\u00e3o s\u00e3o chamados de espa\u00e7os de fluxos e apresentam tr\u00eas n\u00edveis: circuitos eletr\u00f4nicos, n\u00f3s e centros de comunica\u00e7\u00e3o e a organiza\u00e7\u00e3o espacial da elite dominante. Os tr\u00eas principais p\u00f3los econ\u00f4micos que estruturam a rede s\u00e3o EUA, Jap\u00e3o e Europa. A rede \u00e9 altamente complexa devido sua l\u00f3gica estrutural hier\u00e1rquica e sua l\u00f3gica relacional de fluxos. Em suas principais caracter\u00edsticas tem uma arquitetura assim\u00e9trica vari\u00e1vel dotada de flexibilidade e seletividade. Por isso, conecta e desconecta o Ser.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A depend\u00eancia da sociedade em rede das tecnologias da informa\u00e7\u00e3o se estabelece porque ela transfere para os circuitos eletr\u00f4nicos as suas pr\u00e1ticas sociais. O advento da Revolu\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica da Informa\u00e7\u00e3o intensificou as praticas sociais e as integrou em uma rede global de interatividade informacional. A rede \u00e9 um conglomerado que agrupa sistemas eletr\u00f4nicos de telecomunica\u00e7\u00f5es em n\u00edvel mundial baseado em processamento das informa\u00e7\u00f5es via computador e possibilita mudan\u00e7as em duas grandes dimens\u00f5es da vida humana: o espa\u00e7o e o tempo. Com isto, juntou no espa\u00e7o de fluxos e na sua intemporalidade o melhor de todas as \u00e1reas da atividade humana (profissionais e empresas de finan\u00e7as, comunica\u00e7\u00f5es, marketing etc), possibilitando que suas atividades fossem executadas em tempo real. A sociedade em rede, cuja arquitetura tem uma geometria assim\u00e9trica e vari\u00e1vel e que os seus n\u00f3s se conectam entre si por interc\u00e2mbios de fluxos de informa\u00e7\u00f5es, riqueza e poder, cria uma depend\u00eancia rec\u00edproca ao estabelecer uma economia de pontos nodais em rede. Neste tipo de economia, o processo de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 fragmentado para diversos pontos da rede e depois reorganizado em forma de produto final com o controle preciso dos sistemas de gerenciamento flex\u00edvel da produ\u00e7\u00e3o apoiado pelos sistemas eletr\u00f4nicos de telecomunica\u00e7\u00f5es. Assim, enquanto um ponto nodal estruturalmente em posi\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica mais relevante da rede \u00e9 respons\u00e1vel pelo planejamento, gerenciamento e marketing, outro ponto cumpre as obriga\u00e7\u00f5es da produ\u00e7\u00e3o e outro da distribui\u00e7\u00e3o. Um n\u00f3 n\u00e3o pode se desvincular do outro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em paralelo, a crise da produ\u00e7\u00e3o em massa dos anos 70 causou a reestrutura\u00e7\u00e3o do capitalismo, que <em>vis-a-vis<\/em> a revolu\u00e7\u00e3o da tecnologia da informa\u00e7\u00e3o, intensificou ainda mais as praticas sociais capitalistas e concomitantemente a depend\u00eancia da tecnologia num c\u00edrculo virtuoso. Temos, ent\u00e3o, um mercado global unificado funcionando em tempo real. O capital \u00e9 gerenciado vinte quatro horas por dia nos mercados financeiros globalmente tamb\u00e9m integrados. A sociedade em rede, cujas caracter\u00edsticas principais s\u00e3o diversifica\u00e7\u00e3o, segmenta\u00e7\u00e3o e fragmenta\u00e7\u00e3o social e econ\u00f4mica, opera na l\u00f3gica de fluxos via circuitos eletr\u00f4nicos que possibilita a localiza\u00e7\u00e3o dispersa pelo globo e com isso atua por seletividade em fun\u00e7\u00e3o da capacidade do Ser em receber e emitir fluxos de conhecimento e informa\u00e7\u00e3o. Em outras palavras, a sociedade em rede n\u00e3o funciona fora dos circuitos eletr\u00f4nicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acredito que esta breve an\u00e1lise da economia em rede \u00e9 suficiente para demonstrar a depend\u00eancia das tecnologias da informa\u00e7\u00e3o. A rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia sociedade\/tecnologia estabelece na economia em rede um padr\u00e3o de intera\u00e7\u00e3o: intera\u00e7\u00e3o\/integra\u00e7\u00e3o. Este padr\u00e3o \u00e9 visto quando uma economia integra mercados, nos fluxos de capitais que integram investidores em qualquer parte do mundo, na empresas em rede que integram-se em alian\u00e7as estrat\u00e9gicas e na Internet que integra indiv\u00edduos, e da\u00ed por diante. O aprofundamento desta depend\u00eancia \u00e9 n\u00edtido porque todos os processos sociais dependem de um aspecto fundamental da exist\u00eancia humana: a comunica\u00e7\u00e3o. Como o sistema eletr\u00f4nico facilita e agiliza a comunica\u00e7\u00e3o, boa parte das atividades da elite dominante e quase todas as dimens\u00f5es da vida social est\u00e3o na rede em forma de fluxos circulando na autopista da informa\u00e7\u00e3o. \u00c0 medida que cada vez mais a tecnologia se infiltra no cotidiano, mais e mais o Ser interage com a Rede e mais estabelece a depend\u00eancia. Ao transformarem os processos de processamento da informa\u00e7\u00e3o, as novas tecnologias da informa\u00e7\u00e3o agem sobre todos os dom\u00ednios da atividade humana e possibilitam o estabelecimento de conex\u00f5es infinitas entre os diferentes dom\u00ednios. Quanto mais o Ser se encontra com a l\u00f3gica eletr\u00f4nica dos fluxos, mais ele se integra nos fluxos globais da rede. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel remover um, sem demover outro. A tecnologia finca v\u00ednculos inextirp\u00e1veis na sociedade em rede.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>PARTE II \u2014&nbsp; A CONSTRU\u00c7\u00c3O DA IDENTIDADE NA SOCIEDADE EM REDE<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O objetivo desta parte \u00e9 entender como se d\u00e1 a constru\u00e7\u00e3o da identidade na sociedade em rede. Vejamos o que Castells exp\u00f5e por identidade: \u201cprocesso de constru\u00e7\u00e3o de significado com base em um atributo cultural, ou ainda um conjunto de atributos culturais inter-relacionados, o(s) qual(ais) prevalece(m) sobre outras fontes de significado\u201d.<a href=\"#_edn25\" id=\"_ednref25\">[25]<\/a> A constru\u00e7\u00e3o da identidade \u201cvale-se da mat\u00e9ria-prima fornecida pela hist\u00f3ria, geografia, biologia, institui\u00e7\u00f5es produtivas e reprodutivas, pela mem\u00f3ria coletiva e por fantasias pessoais, pelos aparatos de poder e revela\u00e7\u00f5es de cunho religioso\u201d.<a href=\"#_edn26\" id=\"_ednref26\">[26]<\/a> Identidades s\u00e3o fontes de significado e organizam significados. Neste caso, significado \u00e9 a identifica\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica e o significado se organiza em torno de uma identidade prim\u00e1ria. Castells prop\u00f5e tr\u00eas tipologias no estudo da constru\u00e7\u00e3o de identidades. A tipologia legitimadora<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\">[d]<\/a> que d\u00e1 origem \u00e0 sociedade civil, a tipologia destinada \u00e0 resist\u00eancia<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\">[e]<\/a> que leva \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de comunas, e a tipologia de projeto<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\">[f]<\/a> que leva \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de sujeitos.<a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\">[g]<\/a> Identidades s\u00e3o fontes de significado e organizam significados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Castells d\u00e1 \u00eanfase \u00e0 identidade de resist\u00eancia e a de projetos em detrimento da identidade legitimadora. Quanto \u00e0 identidade de projetos, diz ele, nasce como prolongamento da identidade de resist\u00eancia. Quanto \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de identidades de resist\u00eancia est\u00e1 fundamentada no prolongamento da resist\u00eancia comunal. Mas, como se d\u00e1 a constru\u00e7\u00e3o da identidade na sociedade em rede? A resposta s\u00f3 pode ser encontrada no contexto bem espec\u00edfico, a sociedade em rede, que tr\u00e1s \u00e0 tona processos de constru\u00e7\u00e3o da identidade que induzem a novas formas de transforma\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A minha an\u00e1lise seguir\u00e1 a id\u00e9ia geral proposta por Castells de que a constru\u00e7\u00e3o da identidade na sociedade em rede \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o que o sujeito faz de si mesmo em torno de uma identidade prim\u00e1ria, colhendo os elementos de sua representa\u00e7\u00e3o em sua especificidade social, hist\u00f3rica e geogr\u00e1fica em intera\u00e7\u00e3o com as redes de fluxos globais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para compreender como se processa a constru\u00e7\u00e3o da identidade na sociedade em rede, selecionei os principais aspectos da an\u00e1lise de Castells. Como o objetivo \u00e9 conhecer os pontos relevantes, desconsiderei os esquemas interpretativos secund\u00e1rios embutidos na obra, como o de Alain Touraine, at\u00e9 por quest\u00e3o de alcance deste trabalho. Tamb\u00e9m dei uma \u00eanfase maior nos quatro primeiros cap\u00edtulos por se tratarem diretamente dos atores sociais em constru\u00e7\u00e3o de identidade. Os aspectos selecionados s\u00e3o: <strong>oposi\u00e7\u00e3o<\/strong> a um inimigo, ou advers\u00e1rio declarado; <strong>compartilhamento<\/strong> de algumas fontes de identidade e auto-representa\u00e7\u00e3o <strong>com a organiza\u00e7\u00e3o<\/strong> de significados em torno de uma comunidade prim\u00e1ria; organiza\u00e7\u00e3o em <strong>redes<\/strong>; <strong>utiliza\u00e7\u00e3o da m\u00eddia<\/strong> como meio de express\u00e3o e aumento de poder; uma <strong>meta<\/strong> societal a alcan\u00e7ar; <strong>diversidade<\/strong> como conseq\u00fc\u00eancia de suas especificidades hist\u00f3ricas, geogr\u00e1ficas e cultural.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">1. A principal forma de constru\u00e7\u00e3o da identidade na sociedade em rede \u00e9 por uma oposi\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn8\" id=\"_ftnref8\">[h]<\/a> a um inimigo, ou advers\u00e1rio declarado. A maior parte das a\u00e7\u00f5es sociais organiza-se ao redor da oposi\u00e7\u00e3o entre fluxos n\u00e3o identificados e identidades segregadas. Os atores sociais \u201creagem contra a globaliza\u00e7\u00e3o e seus agentes pol\u00edticos\u201d, que atuam com base em \u201cum processo cont\u00ednuo de informacionaliza\u00e7\u00e3o\u201d.<a href=\"#_edn27\" id=\"_ednref27\">[27]<\/a> A discuss\u00e3o sobre a identidade \u00e9 marcada por uma oposi\u00e7\u00e3o entre o global e o local, a rede e a identidade, homogeneiza\u00e7\u00e3o e heterogeneiza\u00e7\u00e3o, a\u00e7\u00f5es processadas na rede e rea\u00e7\u00f5es \u00e0 rede, e fluxos versus entrincheiramento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Partindo para nossos exemplos, o fundamentalismo isl\u00e2mico tem como inimigos o Estado-Na\u00e7\u00e3o, o nacionalismo, o socialismo e o processo de globaliza\u00e7\u00e3o. Para o fundamentalismo isl\u00e2mico \u201cos atores sociais devem se desconstruir como sujeitos, sejam eles indiv\u00edduos, membros de um grupo \u00e9tnico ou cidad\u00e3os de uma na\u00e7\u00e3o\u201d, e se reconstruir atrav\u00e9s da <em>umma<\/em>, pois \u201csomente por meio da <em>umma<\/em> poder\u00e1 o indiv\u00edduo ser plenamente ele pr\u00f3prio, como parte da comunidade dos fi\u00e9is, um mecanismo b\u00e1sico de equaliza\u00e7\u00e3o que oferece apoio m\u00fatuo, solidariedade e significados compartilhados\u201d.<a href=\"#_edn28\" id=\"_ednref28\">[28]<\/a>&nbsp; \u201cDesse modo, a identidade isl\u00e2mica \u00e9 (re)constru\u00edda pelos fundamentalistas por oposi\u00e7\u00e3o ao capitalismo, ao socialismo e ao nacionalismo, \u00e1rabe ou de qualquer outra origem, que, em sua vis\u00e3o, s\u00e3o todas ideologias fracassadas provenientes da ordem p\u00f3s-colonial\u201d.<a href=\"#_edn29\" id=\"_ednref29\">[29]<\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os crist\u00e3os norte-americanos t\u00eam como inimigos a crise do patriarcalismo, os movimentos gay e lesbiano e a globaliza\u00e7\u00e3o. Trata-se de um movimento reativo, voltado \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da identidade social e pessoal.<a href=\"#_edn30\" id=\"_ednref30\">[30]<\/a> Um dos \u201ctemas recorrentes do fundamentalismo crist\u00e3o nos Estados Unidos durante a d\u00e9cada de 90 \u00e9 a oposi\u00e7\u00e3o ao controle do pa\u00eds exercido por um \u2018governo mundial\u2019, com autoridade sobre o governo federal dos EUA\u201d.<a href=\"#_edn31\" id=\"_ednref31\">[31]<\/a> A constru\u00e7\u00e3o da identidade do fundamentalismo crist\u00e3o norte-americano \u201cparece ser uma tentativa de reafirma\u00e7\u00e3o do controle sobre vida e sobre o pa\u00eds, uma rea\u00e7\u00e3o direta ao processo desenfreado de globaliza\u00e7\u00e3o que se faz cada vez mais presente na economia e na m\u00eddia\u201d.<a href=\"#_edn32\" id=\"_ednref32\">[32]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O nacionalismo tem por oposi\u00e7\u00e3o o estrangeiro. Quando se desmembrou a URSS o \u201cprinc\u00edpio de nacionalidade territorial concentrou nas rep\u00fablicas rec\u00e9m-independentes dezenas de milh\u00f5es de pessoas que, do dia para a noite, se tornaram \u2018cidad\u00e3os nacionais estrangeiros\u2019\u201d.<a href=\"#_edn33\" id=\"_ednref33\">[33]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os zapatistas, a mil\u00edcia norte-americana e a Verdade Suprema<a href=\"#_ftn9\" id=\"_ftnref9\">[i]<\/a> t\u00eam como advers\u00e1rio: a nova ordem global, personificada de forma diferente de acordo com a vis\u00e3o de cada um dos movimentos. Para o zapatista \u00e9 a uni\u00e3o do imperialismo norte\u2013americano com o governo corrupto do PRI.<a href=\"#_ftn10\" id=\"_ftnref10\">[j]<\/a> Para as mil\u00edcias s\u00e3o as institui\u00e7\u00f5es internacionais mais o governo federal dos Estados Unidos. Para a Verdade Suprema \u00e9 a amea\u00e7a global proveniente de um governo mundial representante dos interesses das multinacionais, do imperialismo norte-americano e da pol\u00edcia japonesa.<a href=\"#_edn34\" id=\"_ednref34\">[34]<\/a> Os \u201ctr\u00eas movimentos s\u00e3o basicamente organizados em torno de uma oposi\u00e7\u00e3o a um advers\u00e1rio que, grosso modo, \u00e9 o mesmo: os agentes da nova ordem global, que procuram estabelecer um governo mundial que ir\u00e1 subjugar a soberania de todos os pa\u00edses e de todos os povos\u201d. <a href=\"#_edn35\" id=\"_ednref35\">[35]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os inimigos declarados dos movimentos urbanos s\u00e3o o capitalismo, estatismo e informacionalismo. Diante destes processos homogeneizadores e globalizantes n\u00e3o restou outra alternativa aos movimentos urbanos sen\u00e3o renderem-se ou reagirem com base na fonte mais imediata de auto-reconhecimento e organiza\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma: seu pr\u00f3prio territ\u00f3rio. Estas \u201cconsistem em rea\u00e7\u00f5es defensivas contra as condi\u00e7\u00f5es impostas pela desordem global e pelas transforma\u00e7\u00f5es, incontrol\u00e1veis e em ritmo acelerado. Elas constroem abrigos, mas n\u00e3o para\u00edsos\u201d.<a href=\"#_edn36\" id=\"_ednref36\">[36]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os movimentos ambientalistas t\u00eam como advers\u00e1rio declarado o nacionalismo de Estado, manifesto em processos como o \u201cdesenvolvimento n\u00e3o controlado e os \u00f3rg\u00e3os governamentais ineficientes, como o Departamento Norte-americano de Beneficiamento de Terras, que n\u00e3o tem tomado as devidas provid\u00eancias para proteger a natureza\u201d.<a href=\"#_edn37\" id=\"_ednref37\">[37]<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em oposi\u00e7\u00e3o aos fundamentalistas crist\u00e3os norte-americanos, os movimentos feminista, lesbiano e gay t\u00eam como inimigo o patriarcalismo. No Sudeste asi\u00e1tico \u201co modelo da autoridade patriarcal estendeu-se dos lares para as f\u00e1bricas gra\u00e7as a acordos entre gerentes de f\u00e1brica e pais de fam\u00edlia\u201d.<a href=\"#_edn38\" id=\"_ednref38\">[38]<\/a> Diante destas e de outras situa\u00e7\u00f5es, o movimento feminista em suas diferentes manifesta\u00e7\u00f5es tem-se colocado em oposi\u00e7\u00e3o direta ao patriarcalismo na busca de por fim ou pelo menos reestruturar este modelo de domina\u00e7\u00e3o. Castells elaborou um quadro com as v\u00e1rias tipologias do movimento feminista e seus advers\u00e1rios, s\u00e3o: a tipologia direitos da mulher, advers\u00e1rio Estado patriarcal e\/ou capitalismo patriarcal; a tipologia feminismo cultural, advers\u00e1rio institui\u00e7\u00f5es e valores patriarcais; a tipologia feminismo essencialista, advers\u00e1rio modo feminino de ser; a tipologia feminismo lesbiano, advers\u00e1rio heterossexualidade patriarcal; a tipologia identidades femininas espec\u00edficas, advers\u00e1rio domina\u00e7\u00e3o cultural; e, por fim, a tipologia feminismo pragm\u00e1tico, advers\u00e1rio capitalismo patriarcal.<a href=\"#_edn39\" id=\"_ednref39\">[39]<\/a> Os movimentos gay e lesbiano v\u00eaem no patriarcalismo e na heterossexualidade a fonte de opress\u00e3o. Em Taip\u00e9, \u201co movimento anti-AIDS criado por feministas, l\u00e9sbicas e gays desafiou fundamentalmente a estrutura patriarcal de domina\u00e7\u00e3o sexual\u201d.<a href=\"#_edn40\" id=\"_ednref40\">[40]<\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">2. A constru\u00e7\u00e3o da identidade passa por um processo de compartilhamento de fontes de identidade e <strong>organiza\u00e7\u00e3o<\/strong> de significados em torno de uma comunidade prim\u00e1ria, seja o compartilhamento de significados, territ\u00f3rios ou objetivos.&nbsp; Como pode ser notada no caso da <em>Catalunya<\/em>, a fonte de significado \u00e9 sua hist\u00f3ria e sua l\u00edngua. Al\u00e9m de compartilhar a l\u00edngua, a <em>Catalunya<\/em> \u00e9 uma comunidade dentro de uma rede mais ampla que compartilha poder e territ\u00f3rio e est\u00e1 perfeitamente integrada ao sistema da sociedade em rede:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por n\u00e3o buscarem um novo Estado, mas lutarem pela preserva\u00e7\u00e3o de sua na\u00e7\u00e3o, \u00e9 bastante prov\u00e1vel que os catal\u00e3es tenham-se identificado completamente com suas origens como um povo de tradi\u00e7\u00f5es comerciais sem fronteiras, identidade ling\u00fc\u00edstico-cultural e institui\u00e7\u00f5es governamentais flex\u00edveis, caracter\u00edsticas essas que parecem caracterizar a era da informa\u00e7\u00e3o.<a href=\"#_edn41\" id=\"_ednref41\">[41]<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por mais de mil anos os catal\u00e3es preservaram diante de v\u00e1rios contextos a sua unidade em torno da l\u00edngua. Na constru\u00e7\u00e3o da identidade no nacionalismo existe \u201cuma hist\u00f3ria e um projeto compartilhados, e as narrativas hist\u00f3ricas&#8230; uma experi\u00eancia diversificada nos aspectos social, \u00e9tnico, territorial e de g\u00eanero\u201d.<a href=\"#_edn42\" id=\"_ednref42\">[42]<\/a> A identidade catal\u00e3 \u00e9 constru\u00edda de forma flex\u00edvel e adaptada ao contexto hist\u00f3rico\/territorial, isto gra\u00e7as \u00e0 sua pouca exig\u00eancia de preserva\u00e7\u00e3o de atributos culturais sobre outras fontes de significados. A <em>Catalunya<\/em> n\u00e3o busca um Estado para si, mas convive passivamente com o Estado espanhol. \u00c9 uma comunidade de territ\u00f3rio compartilhado. Est\u00e1 perfeitamente se entendendo com a l\u00f3gica das redes dos fluxos globais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na ex-URSS, ao vazio ideol\u00f3gico criado pelo fracasso do marxismo-leninismo, a identidade foi organizada em torno de uma \u00fanica fonte de significado mantida na mem\u00f3ria coletiva depois da queda do regime: a <em>identidade nacional<\/em>.<a href=\"#_edn43\" id=\"_ednref43\">[43]<\/a> Todavia, \u00e9 praticamente imposs\u00edvel desemaranhar o entrela\u00e7amento da identidade nacional das rep\u00fablicas da Comunidade do Estados Independentes, da\u00ed surge a no\u00e7\u00e3o de Comunidade de Estados Insepar\u00e1veis, isto \u00e9, \u201cuma rede de institui\u00e7\u00f5es suficientemente din\u00e2micas e flex\u00edveis para articular a autonomia da identidade nacional e uma instrumentaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica compartilhada no contexto da economia global\u201d.<a href=\"#_edn44\" id=\"_ednref44\">[44]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre os movimentos sociais, \u00e9 dito que as pessoas se socializam e interagem em seu ambiente local, seja ele a vila, a cidade, o sub\u00farbio, formando redes sociais entre seus vizinhos. E que \u201cas pessoas resistem ao processo de individualiza\u00e7\u00e3o e atomiza\u00e7\u00e3o, tendendo a agrupar-se em organiza\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias que, ao longo do tempo, geram um sentimento de perten\u00e7a e, em \u00faltima an\u00e1lise, em muitos casos, uma identidade cultural, comunal\u201d. Para que isso aconte\u00e7a faz-se necess\u00e1rio um processo de mobiliza\u00e7\u00e3o social pelos quais s\u00e3o revelados e defendidos interesses comuns, a vida \u00e9 compartilhada e um novo significado pode ser produzido. Tr\u00eas metas definem os movimentos sociais em termos de compartilhamento de significados, territ\u00f3rio e objetivos: necessidades urbanas de consumo coletivo e condi\u00e7\u00f5es de vida; identidade cultural local; e conquista da autonomia pol\u00edtica local e participa\u00e7\u00e3o na qualidade de cidad\u00e3os.<a href=\"#_edn45\" id=\"_ednref45\">[45]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A identidade territorial tem como fonte de significado e identidade a vizinhan\u00e7a, a comunidade, a cidade, a escola, a praia, a capela. \u00c9 em torno destas fontes compartilhadas que os s\u00edmbolos comunais territoriais s\u00e3o organizados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os movimentos ambientalistas \u201cinspiraram a cria\u00e7\u00e3o de uma nova identidade, uma identidade biol\u00f3gica, uma cultura da esp\u00e9cie humana como componente da natureza\u201d. A organiza\u00e7\u00e3o desta identidade pode ser facilmente \u201csuperposta a tradi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e multifacetadas, idiomas e s\u00edmbolos culturais, mas dificilmente poder\u00e1 coexistir com a identidade do estado nacionalista\u201d.<a href=\"#_edn46\" id=\"_ednref46\">[46]<\/a> Trata-se de uma identidade global compartilhada com \u201ctodos os seres humanos, independente de v\u00ednculos sociais hist\u00f3ricos ou de g\u00eanero, ou de credo religioso\u201d.<a href=\"#_edn47\" id=\"_ednref47\">[47]<\/a> Organizada em torno de princ\u00edpios universais em oposi\u00e7\u00e3o ao nacionalismo.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A identidade fundamentalista isl\u00e2mica parece estar expandindo nos anos 90 em uma s\u00e9rie de contextos sociais e institucionais distintos, sempre relacionados \u00e0 din\u00e2mica de exclus\u00e3o e\/ou \u00e0 crise do Estado-Na\u00e7\u00e3o, transferindo e organizando significado em torno de um mundo divino e comunal.<a href=\"#_edn48\" id=\"_ednref48\">[48]<\/a> Surge uma nova identidade isl\u00e2mica atrav\u00e9s de \u201cum processo avassalador de transfer\u00eancia do islamismo radical diretamente para as \u00e1reas socialmente exclu\u00eddas de sociedades capitalistas avan\u00e7adas\u201d.<a href=\"#_edn49\" id=\"_ednref49\">[49]<\/a> Isl\u00e2micos fundamentalistas de v\u00e1rias partes do mundo compartilham e organizam seus significados em torno da <em>umma<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A constru\u00e7\u00e3o da identidade fundamentalista crist\u00e3 se d\u00e1 por um \u201crenascer\u201d pessoal, \u201ctoda a personalidade passa por um processo de reconstru\u00e7\u00e3o, tornando-se \u2018o ponto de partida para a constru\u00e7\u00e3o de uma no\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 de autonomia e identidade, mas de ordem social e objetivo pol\u00edtico\u2019\u201d.<a href=\"#_edn50\" id=\"_ednref50\">[50]<\/a> Recorrendo a Clyde wilcox, Castells os apresenta como sendo evang\u00e9licos doutrin\u00e1rios, parece que possuem um n\u00edvel de escolaridade mais baixo, s\u00e3o mais pobres, t\u00eam maior influ\u00eancia entre as donas de casa, em geral residem no sul do pa\u00eds, s\u00e3o bem mais religiosos, e 100% deles consideram a B\u00edblia um livro infal\u00edvel.<a href=\"#_edn51\" id=\"_ednref51\">[51]<\/a> A esmagadora maioria de seus membros \u00e9 branca, crist\u00e3 e predominantemente masculina. Com amplo espectro ideol\u00f3gico, abarcam quase todos os desafetos contra o governo federal. Existe tamb\u00e9m \u201cuma poderosa mitologia fundada em concep\u00e7\u00f5es apocal\u00edpticas do mundo e nas profecias do Fim dos Tempos\u201d. Constroem significados amparados na B\u00edblia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A etnia \u00e9 uma importante fonte de significado e identidade. Todavia, apesar de ser compartilhada por uma comunidade, ela \u00e9 cooptada por outras comunas culturais, como a religi\u00e3o e o nacionalismo, quando extra\u00edda de seu contexto hist\u00f3rico e geogr\u00e1fico. Um exemplo s\u00e3o os negros americanos que, al\u00e9m de possu\u00edrem uma etnia africana, s\u00e3o culturalmente americanos. Ao analisar a etnia dos afro-americanos como fonte de significado e identidade, \u00e9 necess\u00e1rio levar em conta a ra\u00e7a e a classe. E, estes fatores afetam o modo de percep\u00e7\u00e3o dos agentes sociais na constru\u00e7\u00e3o da identidade.<a href=\"#_edn52\" id=\"_ednref52\">[52]<\/a> Da\u00ed que conjugados com a cultura americana, os negros de classe m\u00e9dia reinventaram uma identidade afro-americana \u201cque revive os temas do passado, africano ou norte-americano, e se cala diante do peso do presente\u201d.<a href=\"#_edn53\" id=\"_ednref53\">[53]<\/a> J\u00e1 a classe de baixa renda, mesmo ciente do racismo, continua acreditando no sonho americano, e constr\u00f3i, paralelamente, \u201cuma nova cultura, composta de afli\u00e7\u00f5es, raiva e rea\u00e7\u00e3o individual contra a exclus\u00e3o coletiva, em que a negritude importa menos que as situa\u00e7\u00f5es de exclus\u00e3o [&#8230;] o rap, e n\u00e3o o jazz, \u00e9 o produto dessa nova cultura [&#8230;] expressa uma nova identidade [&#8230;] Mas de forma alguma se trata da mesma identidade formada pela classe m\u00e9dia afro-americana&#8230;\u201d.<a href=\"#_edn54\" id=\"_ednref54\">[54]<\/a> Por\u00e9m, mesmo diante de tais dificuldades, a sociedade negra emergiu com profundo sentimento coletivo, traduzida em uma extraordin\u00e1ria capacidade nas artes, na m\u00fasica e na literatura, e em um movimento pol\u00edtico multifacetado personificado em Martin Luther King Jr.<a href=\"#_edn55\" id=\"_ednref55\">[55]<\/a> Os negros americanos s\u00e3o \u201cculturalmente organizados com base em princ\u00edpios de auto-identifica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o de cunho \u00e9tnico, mas religioso\u201d.<a href=\"#_edn56\" id=\"_ednref56\">[56]<\/a> Enfim, a etnia como fonte de significados para a constru\u00e7\u00e3o da identidade negra nos Estados Unidos:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o fornece as bases para os para\u00edsos comunais da sociedade em rede por estar fundamentada nos v\u00ednculos prim\u00e1rios que perdem o sentido, quando extra\u00eddos de seu contexto hist\u00f3rico, como base para reconstru\u00e7\u00e3o do significado de um mundo de fluxos e redes, de novas combina\u00e7\u00f5es de imagens e novas atribui\u00e7\u00f5es de sentidos. As mat\u00e9rias-primas \u00e9tnicas est\u00e3o integradas nas comunas culturais que s\u00e3o mais fortes e possuem uma defini\u00e7\u00e3o mais ampla que a etnia, tais como a religi\u00e3o e o nacionalismo, na qualidade de express\u00f5es de autonomia cultural em um mundo de s\u00edmbolos.<a href=\"#_edn57\" id=\"_ednref57\">[57]<\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Verdade Suprema se v\u00ea como uma identidade individual em que os corpos s\u00e3o compartilhados uns aos outros na mente do guru (uma combina\u00e7\u00e3o de individualidade f\u00edsica e comunidade espiritual reconstru\u00edda) atrav\u00e9s do uso da tecnologia.<a href=\"#_edn58\" id=\"_ednref58\">[58]<\/a> Ela prega uma mensagem sobre um apocalipse eminente do qual n\u00f3s devemos buscar a salva\u00e7\u00e3o. Esta salva\u00e7\u00e3o consiste, segundo Osawa, citado por Castells em \u201cdissolver a integridade do corpo como indiv\u00edduo para superar a limita\u00e7\u00e3o f\u00edsica do organismo\u201d.<a href=\"#_edn59\" id=\"_ednref59\">[59]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os movimentos feminista, gay e lesbiano tamb\u00e9m compartilham e organizam a identidade em torno de um princ\u00edpio comum. As feministas negam a identidade dada pelos homens e venerada pela fam\u00edlia patriarcal. Diversos movimentos feministas \u201cconstru\u00edram para si uma identidade nova e coletiva\u201d. Segundo Nancy Whittier, citado por Castells, o \u201cque torna essas organiza\u00e7\u00f5es, redes e indiv\u00edduos parte de um movimento de um movimento social \u00e9 a sua fidelidade compartilhada a uma s\u00e9rie de convic\u00e7\u00f5es, pr\u00e1ticas e formas de identifica\u00e7\u00e3o que constituem a identidade feminista coletiva\u201d.<a href=\"#_edn60\" id=\"_ednref60\">[60]<\/a> Como j\u00e1 mencionei acima, Castells elaborou um quadro com a tipologia do movimento feminista e suas fontes de identidade compartilhada, s\u00e3o: a tipologia direitos da mulher, identidade mulheres como ser humano; a tipologia feminismo cultural, identidade comunidade&nbsp; feminina; a tipologia feminismo essencialista, identidade modo feminino de ser; a tipologia feminismo lesbiano, identidade irmandade sexual\/cultural; a tipologia identidades femininas espec\u00edficas, identidade autoconstru\u00edda; e, a tipologia feminismo pragm\u00e1tico, identidade donas de casa\/mulheres\/exploradas\/agredidas. O movimento feminista est\u00e1 se fragmentando e criando diversas identidades, mas sempre concorrendo para a desconstru\u00e7\u00e3o da identidade como definida pelo modelo patriarcal baseada no g\u00eanero.<a href=\"#_edn61\" id=\"_ednref61\">[61]<\/a> O feminismo:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dilui a dicotomia patriarcal homem\/mulher na maneira como se manifesta, de formas diferentes e por caminhos diversos, nas institui\u00e7\u00f5es e pr\u00e1ticas sociais. Agindo assim, o feminismo constr\u00f3i n\u00e3o uma, mas muitas identidades, e cada uma delas, em suas exist\u00eancias aut\u00f4nomas, apodera-se de micropoderes na teia universal tecida pelas experi\u00eancias adquiridas no decorrer da vida.<a href=\"#_edn62\" id=\"_ednref62\">[62]<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gays e l\u00e9sbicas que compartilham a opress\u00e3o exercida pela \u201chomofobia\u201d se unem \u201cem torno da defesa da libera\u00e7\u00e3o sexual e na cr\u00edtica contra a fam\u00edlia heterossexual e patriarcal\u201d.<a href=\"#_edn63\" id=\"_ednref63\">[63]<\/a> O homossexualismo, tanto feminino como masculino, s\u00e3o fundamentalmente op\u00e7\u00f5es por identidade que s\u00e3o politicamente constru\u00eddas.<a href=\"#_edn64\" id=\"_ednref64\">[64]<\/a> Algumas express\u00f5es culturais compartilhadas em torno das quais est\u00e3o organizados os significados do movimento gay sadomasoquista de S\u00e3o Francisco, que criticam os demais movimentos gays por tentarem definir as normas do \u201csocialmente aceit\u00e1vel\u201d na mesma l\u00f3gica da domina\u00e7\u00e3o que oprimiu gays e l\u00e9sbicas, mostram o apelo \u00e0 identidade cujos valores se op\u00f5e a toda a forma de opress\u00e3o da sociedade heterossexual s\u00e3o: \u201cviol\u00eancia controlada, aceita\u00e7\u00e3o da humilha\u00e7\u00e3o, leil\u00f5es de escravos, prazer pela dor, roupas de couro, emblemas nazistas, correntes e chicotes s\u00e3o mais que est\u00edmulos sexuais\u201d.<a href=\"#_edn65\" id=\"_ednref65\">[65]<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um outro princ\u00edpio em torno do qual as pessoas est\u00e3o organizando a identidade \u00e9 o corpo. Assumir o corpo \u201ccomo princ\u00edpio de identidade, longe das institui\u00e7\u00f5es do patriarcalismo, a multiplicidade de express\u00f5es sexuais capacita o indiv\u00edduo para a \u00e1rdua (re)constru\u00e7\u00e3o de sua personalidade\u201d.<a href=\"#_edn66\" id=\"_ednref66\">[66]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">3. A constru\u00e7\u00e3o da identidade ou a luta para a afirma\u00e7\u00e3o da identidade tamb\u00e9m se d\u00e1 na forma de rede. Alguns exemplos claros deste processo de constru\u00e7\u00e3o de identidade s\u00e3o: o nacionalismo na <em>Catalunya<\/em> e na ex-Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, o <em>Greenpeace,<\/em> o movimento feminista principalmente. A <em>Catalunya<\/em> seria:&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um Estado de geometria vari\u00e1vel, capaz de conciliar o respeito pelo Estado espanhol herdado historicamente, a autonomia crescente das institui\u00e7\u00f5es catal\u00e3s na administra\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es p\u00fablicas e a integra\u00e7\u00e3o tanto da Espanha como da <em>Catalunya<\/em> numa entidade maior, a Europa, que se traduz n\u00e3o somente na Uni\u00e3o europ\u00e9ia, mas em diversas redes de governos regionais e municipais, bem como em associa\u00e7\u00f5es c\u00edvicas, que multiplicam rela\u00e7\u00f5es horizontais por toda a Europa sob a prote\u00e7\u00e3o t\u00eanue dos Estados-Na\u00e7\u00e3o modernos.<a href=\"#_edn67\" id=\"_ednref67\">[67]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A constru\u00e7\u00e3o da identidade nacionalista na ex-Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica \u00e9 um exemplo da combina\u00e7\u00e3o de uma rede de estrutura flex\u00edvel e adapt\u00e1vel. Num mapa em que a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 fragmentada por todo o territ\u00f3rio e as fontes geogr\u00e1ficas da constru\u00e7\u00e3o da identidade est\u00e3o baseadas numa economia interdependente h\u00e1 uma certa ambig\u00fcidade causando uma incapacidade de produzir na\u00e7\u00f5es independentes. A identidade nacional para as na\u00e7\u00f5es da ex-Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica \u00e9 uma identidade de \u201cEstados Insepar\u00e1veis\u201d, para n\u00e3o dizer, \u201cEstados Imposs\u00edveis\u201d. Isto porque o que ocorreu no Estado sovi\u00e9tico foi um entrela\u00e7amento de diversas nacionalidades e identidades nas atuais fronteiras dos estados independentes. H\u00e1 uma mistura incr\u00edvel de nacionalidades que torna praticamente imposs\u00edvel estabelecer um Estado totalmente aut\u00f4nomo dentro do ex-Estado sovi\u00e9tico, principalmente porque a interpenetra\u00e7\u00e3o das economias, bem como a infra-estrutura compartilhada, tornam a desarticula\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios muito dispendiosa, ainda mais em um processo de integra\u00e7\u00e3o multilateral na economia global que requer v\u00ednculos inter-regionais para funcionar eficientemente.<a href=\"#_edn68\" id=\"_ednref68\">[68]<\/a> L\u00e1 dever\u00e1 funcionar um tipo de na\u00e7\u00f5es em rede.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os movimentos ambientalistas s\u00e3o orientados \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de redes. O <em>Greenpeace<\/em> \u00e9 ao mesmo tempo uma organiza\u00e7\u00e3o altamente centralizada e \u201cuma rede mundialmente descentralizada, controlada por um conselho de representantes do pa\u00eds, um pequeno conselho executivo, e respons\u00e1veis regionais para a Am\u00e9rica do Norte, Am\u00e9rica Latina, Europa e Regi\u00e3o do Pac\u00edfico\u201d.<a href=\"#_edn69\" id=\"_ednref69\">[69]<\/a> Os grupos ambientalistas tamb\u00e9m estabelecem redes com outros tipos de movimentos. Sem d\u00favida, \u201cgrupos ambientalistas t\u00eam-se multiplicado, aliando-se a grupos de direitos humanos, de mulheres e a organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais, resultando em poderosas coaliz\u00f5es que suplanta a pol\u00edtica institucional, sem ignor\u00e1-la\u201d.<a href=\"#_edn70\" id=\"_ednref70\">[70]<\/a>&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O movimento feminista por causa de sua diversidade e flexibilidade se organizou em forma de rede. O movimento gay, principalmente na regi\u00e3o de S\u00e3o Francisco, contou com o apoio de redes para organizar suas manifesta\u00e7\u00f5es, e contou com redes de volunt\u00e1rios, apoio e solidariedade para lutar contra a AIDS.<a href=\"#_edn71\" id=\"_ednref71\">[71]<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">4. A constru\u00e7\u00e3o da identidade se d\u00e1 pelo uso constante da m\u00eddia. A tecnologia da informa\u00e7\u00e3o \u00e9 de substancial import\u00e2ncia para a constru\u00e7\u00e3o da identidade dos movimentos sociais, como da Verdade Suprema, dos zapatistas e das mil\u00edcias. As \u201cnovas tecnologias de comunica\u00e7\u00e3o s\u00e3o fundamentais \u00e0 exist\u00eancia desses movimentos: na realidade, cumprem o papel de infra-estrutura organizacional dos movimentos\u201d. Sem ela a mil\u00edcia e os patriotas n\u00e3o seriam redes t\u00e3o influentes, mas simples rea\u00e7\u00f5es desarticuladas. Estes grupos tamb\u00e9m se utilizam o r\u00e1dio e TV para divulgarem suas mensagens. A Internet estabelece interconex\u00e3o entre os diversos grupos por todo o pa\u00eds. Sem a tecnologia, os zapatistas n\u00e3o teriam emitido fluxos de informa\u00e7\u00e3o via Internet estabelecendo redes de grupos de apoio, colocando a sociedade mundial a seu favor e contra o governo mexicano e impossibilitando-o de fazer uso da repress\u00e3o em larga escala ao mostrarem a possibilidade de todos serem sacrificados.<a href=\"#_edn72\" id=\"_ednref72\">[72]<\/a> A Verdade Suprema at\u00e9 incorporou a tecnologia em seu conjunto de representa\u00e7\u00f5es como meio de conex\u00e3o entre os corpos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, o \u201cuso de armas constitui elemento essencial nos tr\u00eas movimentos, n\u00e3o como um objetivo, mas como sinal de liberdade e recursos que provocam acontecimentos, chamando a aten\u00e7\u00e3o da m\u00eddia\u201d.<a href=\"#_edn73\" id=\"_ednref73\">[73]<\/a> Neste contexto de \u201cguerras informacionais\u201d, a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais destrutiva e poderosa do que balas, diz Martinez Torres, citado por Castells. Esses movimentos reduzem suas mensagens a s\u00edmbolos informacionais para emitir fluxos atrav\u00e9s da m\u00eddia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com isso, as id\u00e9ias ecol\u00f3gicas se espalharam rapidamente pelo mundo. O <em>greenpeace<\/em> maior organiza\u00e7\u00e3o mundial em defesa da natureza, \u00e9 \u201cprovavelmente a principal respons\u00e1vel pela populariza\u00e7\u00e3o de quest\u00f5es ambientais globais, por meio de a\u00e7\u00f5es diretas, sem uso da viol\u00eancia, e orientadas \u00e0 m\u00eddia\u201d.<a href=\"#_edn74\" id=\"_ednref74\">[74]<\/a> As mensagens alcan\u00e7aram o mundo com alta velocidade porque tem conson\u00e2ncia com a sociedade em rede: composta por fluxos de informa\u00e7\u00f5es. A l\u00f3gica das a\u00e7\u00f5es do grupo \u201cest\u00e1 totalmente orientada \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de eventos que mobilizem a opini\u00e3o p\u00fablica em torno de quest\u00f5es espec\u00edficas no intuito de exercer press\u00e3o sobre o poder institu\u00eddo, seja ele qual for\u201d.<a href=\"#_edn75\" id=\"_ednref75\">[75]<\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No final da d\u00e9cada de 80, v\u00e1rios grupos feministas em Taiwan \u201ctais como associa\u00e7\u00f5es de mulheres divorciadas, donas de casa, grupos para tirar jovens da prostitui\u00e7\u00e3o e outros tantos se formaram em um movimento espont\u00e2neo. A m\u00eddia come\u00e7ou a divulgar as atividades desses grupos, aumentando sua visibilidade e atraindo um n\u00famero crescente de mulheres em Taip\u00e9\u201d.<a href=\"#_edn76\" id=\"_ednref76\">[76]<\/a> Tamb\u00e9m gays e l\u00e9sbicas de Taiwan tem feito usufruto da Internet e BBSs como:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Forma de contato, comunica\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o. Criaram, tamb\u00e9m, \u2018meios de comunica\u00e7\u00e3o alternativos\u2019, tais como esta\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio piratas gays\/lesbianas. Al\u00e9m disso, em 1996, dois programas gays\/lesbianos foram levados ao ar por esta\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio tradicionais de Taip\u00e9.<a href=\"#_edn77\" id=\"_ednref77\">[77]<\/a><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">5. A constru\u00e7\u00e3o da identidade est\u00e1 vinculada a um objetivo ou meta societal, isto \u00e9, a vontade de deter o controle de seu pr\u00f3prio destino. Terceiro ponto da tipologia de Touraine, a meta societal \u201crefere-se sobre a vis\u00e3o do movimento ou organiza\u00e7\u00e3o social que almeja no horizonte hist\u00f3rico da a\u00e7\u00e3o coletiva que promove\u201d.<a href=\"#_edn78\" id=\"_ednref78\">[78]<\/a> Sendo assim, os zapatistas querem justi\u00e7a social e democracia para todos os mexicanos. A Verdade Suprema quer liberta\u00e7\u00e3o espiritual e transcend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao mundo. Alguns movimentos de comunidades locais procuram estabelecer o controle sobre o meio ambiente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mil\u00edcia norte-americana quer liberdade individual e recusa \u00e0 domina\u00e7\u00e3o do governo para todos os cidad\u00e3os norte-americanos. As mil\u00edcias s\u00e3o constitu\u00eddas de fac\u00e7\u00f5es aut\u00f4nomas e clandestinas que estabelecem suas pr\u00f3prias metas de acordo com as vis\u00f5es predominantes no movimento. Quatro bandeiras s\u00e3o levantadas por estes grupos: luta pela liberdade, luta contra a nova ordem mundial, luta contra feministas e homossexuais, e luta a favor dos valores crist\u00e3os.<a href=\"#_edn79\" id=\"_ednref79\">[79]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A grande diversifica\u00e7\u00e3o do movimento de mulheres est\u00e1 ligada com os diferentes objetivos a serem alcan\u00e7ados por cada grupo. Fa\u00e7amos uso do quadro elaborado por Castells sobre as v\u00e1rias tipologias do movimento feminista e seus respectivos objetivos, que mencionei acima. s\u00e3o: a tipologia movimento direitos da mulher, meta direitos iguais; a tipologia feminismo cultural, meta autonomia cultural; a tipologia feminismo essencialista, liberdade matriarcal; a tipologia feminismo lesbiano, aboli\u00e7\u00e3o do g\u00eanero pelo separatismo; a tipologia identidades femininas espec\u00edficas, meta multiculturalismo destitu\u00eddo de g\u00eanero; a tipologia feminismo pragm\u00e1tico, meta sobreviv\u00eancia\/dignidade.<a href=\"#_edn80\" id=\"_ednref80\">[80]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">6. A diversidade \u00e9 conseq\u00fc\u00eancia das especificidades hist\u00f3rica, geogr\u00e1fica e cultural de cada movimento social. Os contextos afetam de forma diferente cada um dos grupos. Os zapatistas t\u00eam um projeto pol\u00edtico articulado. As mil\u00edcias uma paran\u00f3ia apocal\u00edptica que se distingue da l\u00f3gica apocal\u00edptica da Verdade Suprema. Mas o movimento que mais caracterizado pela diversidade \u00e9 o feminismo. O feminismo, talvez a maior express\u00e3o mundial em termos de movimento social, diversifica-se em termos de organiza\u00e7\u00e3o interna e em termos de \u201cgera\u00e7\u00f5es pol\u00edticas\u201d dentro do movimento, segundo Whittier, citado por Castells.<a href=\"#_edn81\" id=\"_ednref81\">[81]<\/a> Castells complementa ao dizer que:&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outras tens\u00f5es internas no movimento feminista surgem precisamente na sua expans\u00e3o por toda gama de classes sociais e grupos \u00e9tnicos dos Estados Unidos. Enquanto as pioneiras que redescobriam o feminismo nos anos 60 eram, em sua esmagadora maioria, brancas, de classe m\u00e9dia e alto n\u00edvel educacional, nas tr\u00eas d\u00e9cadas seguintes os temas feministas focalizaram as lutas das mulheres afro-americanas, latinas e de outras minorias \u00e9tnicas em suas respectivas comunidades [&#8230;] O resultado foi uma diversifica\u00e7\u00e3o cada vez maior do movimento feminista\u201d.<a href=\"#_edn82\" id=\"_ednref82\">[82]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O feminismo \u00e9 global? O movimento \u00e9 bastante espalhado, distinto e multifacetado, consegue trabalhar uma grande variedade de temas feministas, com mulheres participando em mais de uma organiza\u00e7\u00e3o. \u00c9 esse \u201centrela\u00e7amento de indiv\u00edduos, organiza\u00e7\u00f5es e campanhas atuando em rede que caracteriza um movimento feminista vital, flex\u00edvel, e diversificado\u201d.<a href=\"#_edn83\" id=\"_ednref83\">[83]<\/a> O movimento feminista apresenta formas e orienta\u00e7\u00f5es muito diferentes, dependendo dos contextos culturais, institucionais e pol\u00edticos. Assim, o feminismo brit\u00e2nico foi debilitado pelo thatcherismo, o espanhol marcado pelo contexto pol\u00edtico na \u00e9poca do movimento democr\u00e1tico contra a ditadura, o italiano possu\u00eda forte influ\u00eancia nos sindicatos trabalhistas.<a href=\"#_edn84\" id=\"_ednref84\">[84]<\/a> O feminismo \u00e9 t\u00e3o diversificado que torna uma tarefa n\u00e3o muito simples encontrar o n\u00facleo de oposi\u00e7\u00e3o essencial compartilhado pelos v\u00e1rios movimentos. Usando, ent\u00e3o, a tipologia de Touraine, como j\u00e1 tenho referido acima, Castells apresenta seis tipos: o feminismo que luta pelos direitos da mulher, o feminismo cultural, o feminismo essencialista, o feminismo lesbiano, identidades feministas espec\u00edfica, e feminismo pragm\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O feminismo tem um \u201cesfor\u00e7o hist\u00f3rico, individual ou coletivo, formal ou informal, no sentido de redefinir o g\u00eanero feminino em oposi\u00e7\u00e3o direta ao patriarcalismo\u201d.<a href=\"#_edn85\" id=\"_ednref85\">[85]<\/a> \u00c9 exatamente o patriarcalismo, o principal advers\u00e1rio do feminismo, junto com o capitalismo informacional e os movimentos sociais feministas e de identidade sexual que tem reprocessado a fam\u00edlia. Da\u00ed que a fam\u00edlia passa por uma transforma\u00e7\u00e3o rumo a uma profunda diversifica\u00e7\u00e3o. A freq\u00fc\u00eancia cada vez maior de separa\u00e7\u00f5es com pouco tempo de vida conjugal e novos casamentos dentro de poucos anos, n\u00famero alto de coabita\u00e7\u00e3o sem casamentos t\u00eam contribu\u00eddo para criar um perfil cada vez mais diverso de vidas em fam\u00edlia. A fam\u00edlia de n\u00facleo patriarcal tende para o desaparecimento, mas n\u00e3o est\u00e1 surgindo um novo tipo, a regra \u00e9 a diversidade.<a href=\"#_edn86\" id=\"_ednref86\">[86]<\/a>&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Castells apresenta, nos quatro primeiros cap\u00edtulos do volume II, a constru\u00e7\u00e3o da identidade na sociedade em rede como o aparecimento de fontes de poder alternativo; no cap\u00edtulo 5, ele trata do Estado destitu\u00eddo de poder; e, no cap\u00edtulo 6, sobre a pol\u00edtica informacional e a crise da democracia. Temos, ent\u00e3o, em termos de conclus\u00e3o antecipada, um Estado sendo destitu\u00eddo de poder em prol do \u201cpoder da identidade\u201d. Como disse antes, priorizei os quatro primeiros cap\u00edtulos, porque julguei estar neles a explica\u00e7\u00e3o sobre a constru\u00e7\u00e3o da identidade. Agora, apesar de ser em termos mais gerais, levantarei dos pontos mais importantes do cap\u00edtulo 5 e 6, que servir\u00e3o para contrapormos com os aspectos j\u00e1 levantados acima, e, assim, lan\u00e7armos mais luz \u00e0 an\u00e1lise.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Estado est\u00e1 perdendo seu poder. E isto, \u201cparece advir da incapacidade de o Estado-Na\u00e7\u00e3o moderno navegar por \u00e1guas tempestuosas e desconhecidas entre o poder das redes globais e o desafio imposto por identidades singulares\u201d.<a href=\"#_edn87\" id=\"_ednref87\">[87]<\/a> Os principais processos que tem destitu\u00eddo o poder do Estado s\u00e3o a globaliza\u00e7\u00e3o das principais atividades econ\u00f4micas, a globaliza\u00e7\u00e3o da m\u00eddia e da comunica\u00e7\u00e3o e a globaliza\u00e7\u00e3o do crime.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os Estados-Na\u00e7\u00e3o est\u00e3o num processo de \u201cdepend\u00eancia crescente dos governos em rela\u00e7\u00e3o aos mercados de capital globais\u201d.<a href=\"#_edn88\" id=\"_ednref88\">[88]<\/a> O Estado do bem-estar social est\u00e1 sendo liquidado, pois est\u00e1 cada vez mais dif\u00edcil para as empresas atuarem em \u201cmercados globalizados e integrados, tendo de arcar com grandes diferenciais de custo em termos de benef\u00edcios sociais, bem como trabalhar com diferentes n\u00edveis de regulamenta\u00e7\u00e3o que variam de pa\u00eds a pa\u00eds\u201d.<a href=\"#_edn89\" id=\"_ednref89\">[89]<\/a> No campo das comunica\u00e7\u00f5es e controle de informa\u00e7\u00f5es, o Estado moderno est\u00e1 perdendo a batalha. Tentar controlar as informa\u00e7\u00f5es que circulam nas redes de telecomunica\u00e7\u00f5es interconectadas de forma global \u00e9 uma batalha ingl\u00f3ria. Outra batalha que o Estado tamb\u00e9m n\u00e3o tem mais condi\u00e7\u00f5es de vencer \u00e9 contra o crime organizado.<a href=\"#_edn90\" id=\"_ednref90\">[90]<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outros aspectos relevantes ligados \u00e0 derrocada do Estado. s\u00e3o: ao n\u00edvel do Estado, a multilateralidade que impede que um Estado nacional possa tomar decis\u00f5es independentemente; num n\u00edvel acima, a supranacionalidade, \u00fanica fonte capaz de exercer algum controle sobre fluxos globais, esta tem arrastado para sua esfera parte das decis\u00f5es que eram tomadas no \u00e2mbito do Estado nacional; um n\u00edvel abaixo, est\u00e3o os governos locais e demais organiza\u00e7\u00f5es que tem desconstru\u00eddo o poder do Estado, devido o processo de descentraliza\u00e7\u00e3o administrativa. Da\u00ed cabe perguntar: o que \u00e9 o Estado? Onde est\u00e1 o Estado? Ou, qual a identifica\u00e7\u00e3o do Estado? O fato \u00e9 que a transfer\u00eancia de poder do Estado para governos locais e regionais como tamb\u00e9m para os blocos supranacionais faz com que desapare\u00e7a a figura do Estado. \u00c0 medida que isto acontece, o Estado se torna uma estrutura vazia destitu\u00edda de sentido.<a href=\"#_edn91\" id=\"_ednref91\">[91]<\/a> Citando Castells:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, a atual dan\u00e7a da morte entre identidades, na\u00e7\u00f5es e Estados deixa, de um lado, Estados-Na\u00e7\u00e3o historicamente esvaziados, vagando nos mares dos fluxos globais de poder, e de outro, identidades fundamentais, retra\u00eddas em suas comunidades ou mobilizadas na captura incondicional de um Estado-Na\u00e7\u00e3o cercado por todos os lados; em meio a essa turbul\u00eancia, o Estado-Na\u00e7\u00e3o local luta com todas as for\u00e7as para reconstruir sua legitima\u00e7\u00e3o e instrumentalidade, navegando em redes transnacionais e integrando sociedades civis locais.<a href=\"#_edn92\" id=\"_ednref92\">[92]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dois exemplos demonstram a tend\u00eancia fal\u00edvel do poder do Estado: o caso do governo do PRI no M\u00e9xico e o governo federal dos EUA. Nos dois casos, depois de transforma\u00e7\u00f5es acontecidas no interior de cada um, a conclus\u00e3o \u00e9 a de que o povo se coloca contra o Estado. Apesar disso, o Estado n\u00e3o est\u00e1 chegando a seu fim, como poder\u00edamos pensar, mas \u201co que parece estar surgindo atualmente [&#8230;] \u00e9 a descentraliza\u00e7\u00e3o do Estado-Na\u00e7\u00e3o numa esfera de soberania compartilhada que caracteriza o cen\u00e1rio pol\u00edtico do mundo de hoje\u201d.<a href=\"#_edn93\" id=\"_ednref93\">[93]<\/a> Castells diz que o Estado exercer\u00e1 um novo papel e que:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m da complexa rela\u00e7\u00e3o com as mais variadas formas de express\u00e3o de poder\/representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, o Estado-Na\u00e7\u00e3o vem sendo cada vez mais submetido a uma concorr\u00eancia mais sutil e problem\u00e1tica de fontes de poder indefinidas e, \u00e0s vezes, indefin\u00edveis. Trata-se de redes de capital, produ\u00e7\u00e3o, comunica\u00e7\u00e3o, crime, institui\u00e7\u00f5es internacionais, aparatos militares supranacionais, organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais, religi\u00f5es transnacionais e movimentos de opini\u00e3o p\u00fablica. Em um n\u00edvel abaixo do Estado, h\u00e1 as comunidades, tribos, localidades, cultos e gangues. Assim, embora os Estados-Na\u00e7\u00e3o freq\u00fcentemente continuem a existir, dentro de um futuro previs\u00edvel, eles s\u00e3o, e cada vez mais ser\u00e3o, <em>n\u00f3s de uma rede de poder mais abrangente<\/em>. Os Estados-Na\u00e7\u00e3o freq\u00fcentemente ter\u00e3o de confrontar-se com outros fluxos de poder na rede, que se contrap\u00f5em diretamente ao exerc\u00edcio de sua autoridade. <a href=\"#_edn94\" id=\"_ednref94\">[94]<\/a> [Grifos do autor]<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o do Estado. Se ele se encontra assim, como vai uma de suas formas de exercer o poder, a democracia? A democracia est\u00e1 em crise? Se ela est\u00e1 em crise, o que isso implica para a constru\u00e7\u00e3o da identidade?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A aus\u00eancia de um centro de poder bem-definido dilui o controle social e pulveriza os desafios a serem enfrentados pela pol\u00edtica. O avan\u00e7o do comunalismo, em suas diferentes formas, debilita o princ\u00edpio de representatividade pol\u00edtica no qual est\u00e1 baseada a pol\u00edtica democr\u00e1tica. A crescente incapacidade de o Estado exercer controle sobre os fluxos de capital e de garantir a lei e a ordem compromete sua import\u00e2ncia para o cidad\u00e3o m\u00e9dio. O enfoque nas institui\u00e7\u00f5es locais de governo amplia a dist\u00e2ncia entre mecanismos de controle pol\u00edtico e administra\u00e7\u00e3o de problemas globais.<a href=\"#_edn95\" id=\"_ednref95\">[95]<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este \u00e9 o cen\u00e1rio pol\u00edtico apresentado por Castells, que acrescido da intera\u00e7\u00e3o com as novas tecnologias da informa\u00e7\u00e3o, vai desembocar na \u201cpol\u00edtica informacional\u201d. Para ele, a pol\u00edtica e todo o sistema partid\u00e1rio tem passado por transforma\u00e7\u00f5es profundas na sociedade em rede. A m\u00eddia tem se tornado o novo espa\u00e7o da pol\u00edtica. Porque:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Sem a presen\u00e7a ativa da m\u00eddia, as propostas pol\u00edticas ou os candidatos n\u00e3o t\u00eam qualquer chance de obter uma ampla base de apoio<\/em>. A pol\u00edtica da m\u00eddia n\u00e3o se aplica a todas as formas de fazer pol\u00edtica, mas todas as formas de pol\u00edtica t\u00eam necessariamente de passar pela m\u00eddia para influenciar o processo decis\u00f3rio. Deste modo, <em>a pol\u00edtica est\u00e1 essencialmente inserida, em termos de subst\u00e2ncia, organiza\u00e7\u00e3o, processo e lideran\u00e7a, na l\u00f3gica inerente do sistema dos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o, especialmente na nova m\u00eddia eletr\u00f4nica<\/em>.<a href=\"#_edn96\" id=\"_ednref96\">[96]<\/a> [grifos do autor]<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O fato \u00e9 que a pol\u00edtica se tornou essencialmente dependente da m\u00eddia e, isto transformou a pr\u00f3pria forma da pol\u00edtica. Castells, depois de passar por an\u00e1lises da intera\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica informacional em tr\u00eas culturas diferentes norte-americana, latino-americana e europ\u00e9ia e tamb\u00e9m pela exposi\u00e7\u00e3o de como funciona a \u201cpol\u00edtica do esc\u00e2ndalo\u201d como arma pol\u00edtica na arena da m\u00eddia, vai analisar a crise da democracia. \u00c9 exatamente a situa\u00e7\u00e3o da democracia que interessa para minha an\u00e1lise.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Numa reflex\u00e3o em conjunto com as linhas de argumenta\u00e7\u00e3o apresentadas referentes \u00e0 destitui\u00e7\u00e3o do poder do Estado-Na\u00e7\u00e3o e as transforma\u00e7\u00f5es do sistema pol\u00edtico, Castells diz que o sistema:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Capturado na arena da m\u00eddia, reduzido a lideran\u00e7as personalizadas, dependente de sofisticados recursos manipula\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, induzido a pr\u00e1ticas il\u00edcitas para obten\u00e7\u00e3o de fundos de campanha, conduzido pela pol\u00edtica do esc\u00e2ndalo, o sistema partid\u00e1rio vem perdendo seu apelo e confiabilidade e, para todos os efeitos, \u00e9 considerado um resqu\u00edcio burocr\u00e1tico destitu\u00eddo de f\u00e9 p\u00fablica.<a href=\"#_edn97\" id=\"_ednref97\">[97]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O povo norte-americano, por exemplo, j\u00e1 n\u00e3o acredita que o governo represente os seus interesses. A democracia est\u00e1 em crise. E, como conclui Castells:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seja qual for o futuro, o que a observa\u00e7\u00e3o do presente parece indicar \u00e9 que, sob diversas formas, e por uma s\u00e9rie de processos [&#8230;] temos testemunhado a fragmenta\u00e7\u00e3o do Estado, a imprevisibilidade do sistema pol\u00edtico e a singulariza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica. \u00c9 prov\u00e1vel que a liberdade pol\u00edtica ainda possa existir, uma vez que as pessoas continuar\u00e3o a lutar por ela. No entanto, a democracia pol\u00edtica, nos moldes das revolu\u00e7\u00f5es liberais do s\u00e9culo XVIII e do modo como foi fundida em todo o mundo no s\u00e9culo XX, <strong>transformou-se num vazio<\/strong>. N\u00e3o que tenha sido apenas uma \u2018democracia formal\u2019: a democracia vive justamente com base nessas \u2018formas\u2019, tais como o sufr\u00e1gio universal e secreto e o respeito \u00e0s liberdades civis. Por\u00e9m, as novas condi\u00e7\u00f5es institucionais, culturais e tecnol\u00f3gicas do exerc\u00edcio democr\u00e1tico <strong>tornaram obsoletos o sistema partid\u00e1rio existente<\/strong> e o atual regime de concorr\u00eancia pol\u00edtica como mecanismos adequados de representatividade pol\u00edtica na sociedade em rede.<a href=\"#_edn98\" id=\"_ednref98\">[98]<\/a> [Grifos meus]<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Estado est\u00e1 sem poder e a democracia em crise. Acima do Estado, processos globais que independem da vontade dos governos para funcionar e, abaixo, rea\u00e7\u00f5es locais que emergem por iniciativa pr\u00f3pria t\u00eam transformado o Estado e suas institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas num lugar sem sentido. Este quadro explica porque florescem tantas express\u00f5es de identidade e poder na sociedade em rede. As institui\u00e7\u00f5es que por muito tempo serviram como fontes de representatividade e poder deram lugar ao poder da identidade. E, usando as palavras de Castells, o esvaziamento do contrato social \u201cenvia todos de volta para casa para lutar por seus interesses individuais, dependendo para isso \u00fanica e exclusivamente de suas pr\u00f3prias for\u00e7as\u201d.<a href=\"#_edn99\" id=\"_ednref99\">[99]<\/a> &nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enfim, a minha an\u00e1lise n\u00e3o teve a pretens\u00e3o de conseguir precis\u00e3o sobre o modo como Castells explica a constru\u00e7\u00e3o da identidade na sociedade em rede. Mas, acredito que este levantamento geral de informa\u00e7\u00f5es nos permite ter uma boa id\u00e9ia dos aspectos relevantes. Da\u00ed, podemos entender que a constru\u00e7\u00e3o da identidade acontece por uma oposi\u00e7\u00e3o a um inimigo declarado. Que os sujeitos coletivos compartilham uma comuna prim\u00e1ria de resist\u00eancia em torno da qual organizam significados. Os sujeitos se organizam em redes na luta por sua auto-afirma\u00e7\u00e3o diante dos desafios que lhes s\u00e3o impostos. A m\u00eddia \u00e9 uma poderosa ferramenta de express\u00e3o da identidade que os atores t\u00eam usado para aumentar seu poder ante seus advers\u00e1rios. Os sujeitos coletivos s\u00e3o formados tendo em vista uma meta ou objetivo societal a ser alcan\u00e7ada. Os diversos contextos sociais em que est\u00e1 inserido cada ser coletivo, d\u00e3o origem a movimentos espec\u00edficos. Tudo isso, levando-se em conta a fraqueza do Estado e a crise da democracia, tem propiciado terreno f\u00e9rtil para o aparecimento de m\u00faltiplas identidades na sociedade em rede.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No geral, a constru\u00e7\u00e3o da identidade \u00e9 fruto da rea\u00e7\u00e3o dos sujeitos coletivos espec\u00edficos aos sistemas de rela\u00e7\u00f5es totalizantes, como patriarcalismo, homossexualismo, nacionalismo, globalismo, imperialismo, Estado e governo mundial. Estes sistemas s\u00e3o fontes de opress\u00e3o sobre os grupos divergentes. A oposi\u00e7\u00e3o principal de toda comunidade prim\u00e1ria a um advers\u00e1rio \u00e9 contra os fluxos n\u00e3o identificados da sociedade em rede global\/informacional. Como comentei na introdu\u00e7\u00e3o, h\u00e1 uma intera\u00e7\u00e3o\/oposi\u00e7\u00e3o entre a Rede e o Ser. Todavia, a oposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o acontece somente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Rede, mas tamb\u00e9m contra outros sujeitos coletivos. Por exemplo, os fundamentalistas crist\u00e3os norte-americanos est\u00e3o em oposi\u00e7\u00e3o ao movimento gay e lesbiano porque h\u00e1 contraposi\u00e7\u00e3o sobre um valor espec\u00edfico da sociedade patriarcal, o conceito de fam\u00edlia. Enquanto os fundamentalistas crist\u00e3os entendem que a fam\u00edlia deve ser organizada em torno da figura do pai com base num casamento heterosssexual, gays e l\u00e9sbicas apregoam uma fam\u00edlia diversificada e flex\u00edvel organizada em torno apenas do \u201cpoder do amor\u201d de casamentos homossexuais. O que estamos presenciando \u00e9 uma intera\u00e7\u00e3o\/oposi\u00e7\u00e3o entre o Ser e a rede e entre um e outro Ser.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este aspecto se configura porque os sujeitos coletivos compartilham uma comuna prim\u00e1ria de resist\u00eancia em torno da qual o significado \u00e9 organizado, seu deus, sua religi\u00e3o, sua cidade. Os princ\u00edpios de cada comuna sobrep\u00f5em-se a outros princ\u00edpios. No caso do fundamentalismo isl\u00e2mico, os homens devem abdicar dos valores do Estado-Na\u00e7\u00e3o modernos e se submeter aos valores da <em>umma<\/em>. O princ\u00edpio da religi\u00e3o \u00e9 mais importante que o princ\u00edpio do Estado. Isto significa que em tal sociedade a luta para resistir \u00e0s press\u00f5es exercidas a estes valores, ser\u00e1 fortalecida por uma massiva transfer\u00eancia de significados advindos da hist\u00f3ria e tradi\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o em apoio \u00e0 comuna de resist\u00eancia, levando h\u00e1 um esvaziamento da pol\u00edtica. Na minha vis\u00e3o, esta comuna de resist\u00eancia parece funcionar como centro de gravidade em torno da qual todas as coisas se movimentam. Sendo assim, retomando o n\u00facleo da teoria de Castells, o que estamos presenciando \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o de um n\u00f3. Da\u00ed resta entender qual \u00e9 a sua rela\u00e7\u00e3o com a sociedade em rede.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma condi\u00e7\u00e3o essencial para que exista uma sociedade em rede \u00e9 exatamente seu car\u00e1ter fragmentado e diversificado. Os sujeitos coletivos espec\u00edficos (n\u00f3s) se organizam em redes na luta por sua auto-afirma\u00e7\u00e3o diante dos desafios que lhes s\u00e3o impostos pelas transforma\u00e7\u00f5es sociais advindas da sociedade informacional. Um exemplo patente \u00e9 o movimento ambientalista e em sua maior express\u00e3o o <em>Greenpeace<\/em>. O <em>Greenpeace,<\/em> como referi acima, \u00e9 um movimento ao mesmo tempo centralizado e descentralizado j\u00e1 orientado para o funcionamento em rede, n\u00e3o s\u00f3 do ponto de vista do movimento em si, mas tamb\u00e9m na sua rela\u00e7\u00e3o com outras organiza\u00e7\u00f5es, formando redes que chegam suplantar em poder as institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. O movimento feminista tamb\u00e9m \u00e9 estruturado em rede, tanto internamente, devido aos diferentes tipos de movimentos que lutam contra diferentes advers\u00e1rios, e em geral compartilhando o objetivo de melhores condi\u00e7\u00f5es para as mulheres, como externamente, ao fazer o movimento anti-AIDS em Taip\u00e9 em alian\u00e7a com os movimentos de gays e l\u00e9sbicas. Eis, a\u00ed, a forma\u00e7\u00e3o de redes dentro do j\u00e1 intrincado mundo de redes apresentado na teoria de Castells.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E, rede \u00e9 uma configura\u00e7\u00e3o social que acontece independentemente desta tecnologias dos sistemas eletr\u00f4nicos de telecomunica\u00e7\u00f5es. Mas com o seu advento, os processos sociais foram intensificados, como argumentei anteriormente, devido \u00e0 capacidade de se levar informa\u00e7\u00f5es em tempo real para o mundo todo, dotando as redes com poder. A m\u00eddia eletr\u00f4nica \u00e9 uma poderosa ferramenta de express\u00e3o da identidade. O uso da tecnologia da informa\u00e7\u00e3o foi fundamental na estrutura\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o dos movimentos. Sem ela, a maioria deles n\u00e3o passaria de rea\u00e7\u00f5es desarticuladas. Como exemplos, os zapatistas usaram para aumentar seu poder diante do governo mexicano, o <em>Greenpeace<\/em> para produzir eventos orientados \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o na m\u00eddia. As armas que est\u00e3o nas m\u00e3os de muitas mil\u00edcias n\u00e3o s\u00e3o para disparar contra o inimigo, mas para ocuparem espa\u00e7o na m\u00eddia numa guerra informacional, porque informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais destrutivas do que balas. Esses movimentos reduzem suas mensagens a s\u00edmbolos informacionais para disparar fluxos letais de informa\u00e7\u00e3o. O que percebemos com esta intera\u00e7\u00e3o dos movimentos com a m\u00eddia, \u00e9 sua inser\u00e7\u00e3o na rede global informacional. Os movimentos sociais, como n\u00f3s, conectam-se em alguns instantes \u00e0 rede para aumentar seu poder.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os sujeitos coletivos s\u00e3o formados tendo em vista uma meta societal, ou seja, o controle de suas pr\u00f3prias vidas. Os zapatistas querem justi\u00e7a social e democracia para todos os mexicanos em detrimento da alian\u00e7a do governo mexicano com a ALCA. A Verdade Suprema quer liberta\u00e7\u00e3o espiritual e transcend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao mundo como meio de salva\u00e7\u00e3o de suas almas diante da imposi\u00e7\u00e3o do governo mundial que ser\u00e1 estabelecido pelos Estados Unidos com apoio da pol\u00edcia japonesa. Assim, cada sujeito est\u00e1 relacionado a um objetivo espec\u00edfico. Por\u00e9m, generalizando, nas palavras de Castells, \u201cquando o mundo se torna grande demais para ser controlado, os atores sociais passam a ter como objetivo faz\u00ea-lo retornar ao tamanho compat\u00edvel com o que podem conceber\u201d.<a href=\"#_edn100\" id=\"_ednref100\">[100]<\/a> A meta societal dos movimentos sociais na constru\u00e7\u00e3o de sua identidade \u00e9 exatamente isso, controlar suas pr\u00f3prias vidas, ou melhor, seu espa\u00e7o no mundo, justamente o espa\u00e7o que vem sendo transformado pelos fluxos informacionais da sociedade em rede. E, quanto mais reagem, mais a sociedade se fragmenta e se diversifica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Da\u00ed que, os diversos contextos sociais em que est\u00e1 inserido cada ser coletivo, d\u00e3o origem a movimentos espec\u00edficos, de acordo com sua hist\u00f3ria e geografia. A t\u00edtulo de exemplo, as mil\u00edcias norte-americanas possuem uma paran\u00f3ia apocal\u00edptica que se distingue da l\u00f3gica apocal\u00edptica da Verdade Suprema no Jap\u00e3o. O movimento feminista \u00e9 altamente diversificado porque incorpora classes sociais, culturas e etnias diferentes. Al\u00e9m do fato de grupos e pessoas se entrela\u00e7arem ao atuar em rede, refor\u00e7ando seu aspecto flex\u00edvel e diversificado. E, se n\u00e3o bastasse, o Estado parece fugir de seu papel e a democracia \u00e9 reprocessada pela m\u00eddia, que a devolve como um <em>showbizz<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se resumirmos numa senten\u00e7a a discuss\u00e3o sobre constru\u00e7\u00e3o da identidade aqui apresentada, podemos dizer que: a constru\u00e7\u00e3o da identidade na sociedade em rede \u00e9 a recomposi\u00e7\u00e3o da representa\u00e7\u00e3o em torno do princ\u00edpio de resist\u00eancia em oposi\u00e7\u00e3o a um advers\u00e1rio global e mais poderoso com o objetivo de estabelecer uma conquista social utilizando-se de todos os meios que ampliem o poder e a visibilidade do sujeito coletivo espec\u00edfico.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste ponto da an\u00e1lise, podemos perceber que a constru\u00e7\u00e3o da identidade, quando analisada de acordo com a teoria da sociedade em rede, \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o de n\u00f3s espec\u00edficos (grupos, movimentos, processos) em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 rede informacional. Estes n\u00f3s (sujeitos coletivos) s\u00e3o constru\u00e7\u00f5es identit\u00e1rias que apelam ao princ\u00edpio da resist\u00eancia. Uma comuna cultural em torno da qual est\u00e3o gravitando os s\u00edmbolos. Podemos perceber tamb\u00e9m que estes n\u00f3s interagem entre si, formando uma rede subjacente \u00e0 rede global. A estrutura\u00e7\u00e3o em morfologia de rede e o uso das redes de telecomunica\u00e7\u00f5es s\u00e3o fundamentais para expandir o poder do Ser. Poder que necessitam para alcan\u00e7ar um objetivo espec\u00edfico, sua auto-representa\u00e7\u00e3o. O que surge \u00e9 um universo de identidades, e cada identidade como express\u00e3o das diversas lutas por um pouco mais de poder. O poder de Deus, o poder da na\u00e7\u00e3o, o poder da cidade, o poder do pai, o poder da mulher, o poder do indiv\u00edduo, o poder do amor. Enfim, o poder da identidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>PARTE III \u2014 A INTERPRETA\u00c7\u00c3O DO FIM DE MIL\u00caNIO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A inten\u00e7\u00e3o da an\u00e1lise contida nesta parte \u00e9 entender como Castells interpreta o \u201cfim de mil\u00eanio\u201d. Na primeira parte, estudamos a teoria da sociedade em rede e sua depend\u00eancia das tecnologias da informa\u00e7\u00e3o e entendemos que h\u00e1 na sociedade formada pela rede global informacional uma intera\u00e7\u00e3o\/integra\u00e7\u00e3o. Na segunda parte, estudamos como se d\u00e1 a constru\u00e7\u00e3o da identidade na sociedade em rede e entendemos que a identidade \u00e9 constru\u00edda atrav\u00e9s de uma intera\u00e7\u00e3o\/oposi\u00e7\u00e3o. Percebe-se, ent\u00e3o que h\u00e1 uma polariza\u00e7\u00e3o sim\u00e9trica inversa na sociedade em rede. De um lado, a sociedade global informacional, homogeneizada, padronizada funcionando em tempo real gra\u00e7as aos sistemas eletr\u00f4nicos de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o e baseada em espa\u00e7os de fluxos. De outro, uma sociedade local desarticulada, fragmentada, diversificada com pouca base informacional, heterog\u00eanea, de temporalidade espec\u00edfica e baseada em espa\u00e7o de lugares. \u00c9 a partir desta vis\u00e3o polarizada entre dois extremos e com uso mais completo da teoria que se encontra a interpreta\u00e7\u00e3o macrossocial e macropol\u00edtica de fim de mil\u00eanio de Manuel Castells no terceiro volume de sua trilogia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesta parte, minha an\u00e1lise vai circular em torno do objeto, seguindo os mesmos caminhos trilhados pelo autor. Claro, n\u00e3o vou reconstruir sua an\u00e1lise, mas levantar os pontos que me permita uma reflex\u00e3o sobre a teoria da sociedade em rede. Talvez o meu texto parecer\u00e1 desarticulado, mas, apesar de seu car\u00e1ter fragment\u00e1rio, creio que me possibilitar\u00e1 apresentar os dados pertinentes para depois, ao lado da teoria, dar sentido \u00e0 an\u00e1lise na conclus\u00e3o. Sendo assim, prosseguirei por ordem: o cap\u00edtulo 1, a \u201ccrise do estatismo industrial e o colapso da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica\u201d; depois o cap\u00edtulo 2, \u201co surgimento do Quarto Mundo: capitalismo informacional, pobreza e exclus\u00e3o social\u201d; o capitulo 3, \u201ca conex\u00e3o perversa: a economia do crime global\u201d; o cap\u00edtulo 4, \u201cdesenvolvimento e crise na regi\u00e3o do Pac\u00edfico: a globaliza\u00e7\u00e3o e o Estado\u201d; e, por fim, o cap\u00edtulo 5, \u201ca unifica\u00e7\u00e3o da Europa: globaliza\u00e7\u00e3o, identidade e o Estado em rede\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>1. Crise do estatismo industrial e o colapso da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/strong> O aspecto da an\u00e1lise conjuntural sobre a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica se refere \u00e0 dificuldade que a pot\u00eancia tinha em fazer a transi\u00e7\u00e3o para o informacionalismo. Um sistema burocr\u00e1tico centralizado e altamente hierarquizado, controlando os fluxos de informa\u00e7\u00f5es, se contrapunha ao sistema da sociedade em rede em que as informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o frutos de um processamento livre pela sociedade. No cen\u00e1rio da an\u00e1lise est\u00e3o participando o estatismo sovi\u00e9tico com uma l\u00f3gica incompat\u00edvel com a l\u00f3gica flex\u00edvel da sociedade em rede e em oposi\u00e7\u00e3o ao nacionalismo como fonte de identidade prim\u00e1ria e uma sociedade civil em busca de democracia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aqui \u00e9 defendida a id\u00e9ia de que a derrocada da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica foi a conseq\u00fc\u00eancia da \u201cincapacidade estrutural do estatismo<a href=\"#_ftn11\" id=\"_ftnref11\">[k]<\/a> e da vers\u00e3o sovi\u00e9tica do industrialismo<a href=\"#_ftn12\" id=\"_ftnref12\">[l]<\/a> de assegurar a transi\u00e7\u00e3o para a sociedade da informa\u00e7\u00e3o\u201d.<a href=\"#_edn101\" id=\"_ednref101\">[101]<\/a> Apesar do crescimento da economia sovi\u00e9tica durante as d\u00e9cadas de 50 e 60 ser mais acelerada do que a verificada nos restante do mundo, dois problemas estruturais pareciam impedir o sistema de promover a sua reestrutura\u00e7\u00e3o por volta dos anos 80. Primeiro, o esgotamento do modelo extensivo de crescimento econ\u00f4mico implicava a necessidade de mudan\u00e7a para um novo equacionamento da produ\u00e7\u00e3o. Segundo, a excessiva burocratiza\u00e7\u00e3o do sistema de administra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Em ambas as frentes \u2014 moderniza\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e regenera\u00e7\u00e3o da m\u00e1quina administrativa \u2014 os obst\u00e1culos eram tremendos.<a href=\"#_edn102\" id=\"_ednref102\">[102]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A quest\u00e3o da tecnologia foi significativa para a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Ela ficou na contram\u00e3o da hist\u00f3ria justamente no momento em que os demais pa\u00edses convergiam para a assimila\u00e7\u00e3o das tecnologias da informa\u00e7\u00e3o. A economia n\u00e3o conseguiu convergir do sistema extensivo para o intensivo, a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica n\u00e3o conseguiu participar da concorr\u00eancia econ\u00f4mica mundial, e a popula\u00e7\u00e3o com alto n\u00edvel de conhecimentos ficou cercada por um sistema tecnol\u00f3gico inferior ao usado na maioria dos pa\u00edses industriais. A aplica\u00e7\u00e3o de computadores a um sistema burocr\u00e1tico e a uma economia de comando aumentou a rigidez do sistema. E, por fim, a defasagem do aparato militar em rela\u00e7\u00e3o a ind\u00fastria b\u00e9lica de seus concorrentes. Em ess\u00eancia, \u201co estatismo sovi\u00e9tico negou a si mesmo a difus\u00e3o de tecnologias da informa\u00e7\u00e3o no sistema social\u201d. Com isto, \u201cimpossibilitando o processo de inova\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea pelo uso e intera\u00e7\u00e3o em rede que caracterizam o paradigma da tecnologia da informa\u00e7\u00e3o\u201d.<a href=\"#_edn103\" id=\"_ednref103\">[103]<\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estatismo enfrentou uma tarefa bastante dif\u00edcil no gerenciamento de sua rela\u00e7\u00e3o com a economia e a sociedade no contexto hist\u00f3rico da transi\u00e7\u00e3o para o informacionalismo, isto porque:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A intera\u00e7\u00e3o simbi\u00f3tica entre processamento de informa\u00e7\u00f5es socialmente determinado e a produ\u00e7\u00e3o, revelaram-se incompat\u00edveis com o monop\u00f3lio sobre as informa\u00e7\u00f5es exercido pelo Estado e com o confinamento da tecnologia dentro dos limites da ind\u00fastria b\u00e9lica. Em n\u00edvel organizacional, a l\u00f3gica estrutural das burocracias verticalizadas tornou-se obsoleta por causa da tend\u00eancia do informacionalismo que aponta para a forma\u00e7\u00e3o de redes flex\u00edveis, bem \u00e0 maneira do que se passou no Ocidente. Ao contr\u00e1rio do Ocidente, no entanto, a cadeia de comando verticalizada estava bem no cora\u00e7\u00e3o do sistema, o que causou dificuldades muito maiores para a transforma\u00e7\u00e3o de grandes empresas nas novas formas de organiza\u00e7\u00f5es empresariais integradas em rede. Vale lembrar que os administradores e burocratas sovi\u00e9ticos tomaram contato com a flexibilidade e a forma\u00e7\u00e3o de redes sob o aspecto de um princ\u00edpio organizacional.<a href=\"#_edn104\" id=\"_ednref104\">[104]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sociedade da informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a superestrutura de um novo paradigma tecnol\u00f3gico. Est\u00e1 baseada na tens\u00e3o hist\u00f3rica entre o poder material de processamento de informa\u00e7\u00f5es abstratas e a busca da sociedade por uma identidade cultural que seja imbu\u00edda de significado. Em ambos os casos, o estatismo parece ser incapaz de assimilar essa nova hist\u00f3ria. O estatismo n\u00e3o apenas asfixia a capacidade inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, mas tamb\u00e9m apropria-se de identidades historicamente arraigadas e as redefine com o prop\u00f3sito de dissolv\u00ea-las no processo de concentra\u00e7\u00e3o de poder, elemento de suma import\u00e2ncia para o sistema. Em \u00faltima an\u00e1lise, o estatismo fica destitu\u00eddo de poder em um mundo em que a capacidade de a sociedade renovar as informa\u00e7\u00f5es de maneira constante, aliadas \u00e0s tecnologias que as incorporam, constituem as principais fontes de poder econ\u00f4mico e militar. Al\u00e9m disso, o estatismo \u00e9 enfraquecido e, finalmente, destitu\u00eddo por sua incapacidade de produzir legitimidade, tendo por base a identidade.<a href=\"#_edn105\" id=\"_ednref105\">[105]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto o afastamento da identidade e crise do federalismo sovi\u00e9tico, \u00e9 afirmado que \u201ca cria\u00e7\u00e3o de um novo povo sovi\u00e9tico (<em>sovetskii narod<\/em>) como entidade com cultura distinta e cada uma das nacionalidades historicamente constru\u00eddas era ainda muito fr\u00e1gil para resistir ao ataque das sociedades civis contra o Estado sovi\u00e9tico\u201d. Por se permitir \u201cao povo uma autodefini\u00e7\u00e3o com base em sua identidade \u00e9tnica\/nacional prim\u00e1ria, o vazio ideol\u00f3gico gerado pelo fracasso do marxismo-leninismo reduziu os termos do debate cultural \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o entre o ceticismo subjugado e a redescoberta do nacionalismo\u201d.<a href=\"#_edn106\" id=\"_ednref106\">[106]<\/a> Este nacionalismo n\u00e3o foi express\u00e3o apenas da etnia coletiva, mas uma forma predominantemente assumida pelo movimento democr\u00e1tico. A desconfian\u00e7a dos movimentos s\u00f3ciopol\u00edticos nas ideologias formalizadas fez com que:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estes se reestruturassem de uma forma bem mais flex\u00edvel, em torno de dois s\u00edmbolos de identidade: de um lado, a nega\u00e7\u00e3o do comunismo sovi\u00e9tico sob qualquer forma, reestruturado ou n\u00e3o; do outro, a afirma\u00e7\u00e3o de uma identidade coletiva prim\u00e1ria, cuja express\u00e3o mais ampla era a identidade nacional.<a href=\"#_edn107\" id=\"_ednref107\">[107]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estes acontecimentos desarticularam o PC (Partido Comunista) e fragmentaram a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Enfim, \u201co legado mais duradouro do estatismo sovi\u00e9tico ser\u00e1 a destrui\u00e7\u00e3o da sociedade civil, ap\u00f3s d\u00e9cadas de nega\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de sua exist\u00eancia\u201d. A Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica foi reduzida a redes de identidade prim\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Olhando da perspectiva te\u00f3rica colocada em evid\u00eancia ao longo deste estudo, poder\u00edamos tra\u00e7ar um panorama em que a intera\u00e7\u00e3o entre processos globais de forma\u00e7\u00e3o de redes no topo, processos locais de forma\u00e7\u00e3o de identidades na base, com o estatismo em n\u00edvel intermedi\u00e1rio, tornou o Estado sovi\u00e9tico insignificante. A Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica com estrutura social engessada pelo estatismo se viu incapaz de lidar com o informacionalismo. A din\u00e2mica da tecnologia da informa\u00e7\u00e3o e a din\u00e2mica da intera\u00e7\u00e3o entre diversas identidades nacionais teceu uma rede horizontalizada e flex\u00edvel fora do controle do Estado. O nacionalismo se op\u00f4s ao estatismo e a economia global conectou seletivamente segmentos relevantes do antigo bloco. A l\u00f3gica do estatismo n\u00e3o combinou com a l\u00f3gica das redes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>2. O surgimento do Quarto Mundo: capitalismo informacional, pobreza e exclus\u00e3o social.<\/strong> O Quarto Mundo \u00e9 compreendido por v\u00e1rias regi\u00f5es e segmentos sociais caracterizadas por desigualdade, pobreza e exclus\u00e3o social. A exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 articulada em torno de dois processos de distin\u00e7\u00e3o social, de um lado as rela\u00e7\u00f5es distribui\u00e7\u00e3o\/consumo e de outro as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o. Mas, como disse antes, meu interesse se concentra nos pontos relevantes da obra de Castells, sendo assim, vou dispensar as quest\u00f5es que julguei secund\u00e1rias e destacar as partes que se relacionam mais diretamente com a teoria. Neste momento, referindo-me ao Quarto Mundo, vou procurar entender como acontecem as intera\u00e7\u00f5es entre os atores sociais e a sociedade em rede que levam a desigualdade, a pobreza e a exclus\u00e3o social, ou seja, a desconex\u00e3o do Ser. Tr\u00eas elementos formam a base emp\u00edrica: a exclus\u00e3o social da \u00c1frica subsaariana, o avan\u00e7o da pobreza nos Estados Unidos e uma vis\u00e3o sobre os processos de desenvolvimento e subdesenvolvimento: a vis\u00e3o das crian\u00e7as.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a exclus\u00e3o social na \u00c1frica Subsaariana, a an\u00e1lise percorre a complexa intera\u00e7\u00e3o entre a economia, tecnologia, sociedade e pol\u00edtica no desenvolvimento de um processo que nega a humanidade ao povo africano. A hip\u00f3tese \u00e9 que este processo coincide com a forma\u00e7\u00e3o do capitalismo informacional\/global, e v\u00ea que esta regi\u00e3o do mundo sofreu um processo de marginaliza\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o seletiva na economia informacional\/global. As raz\u00f5es disso s\u00e3o pontos de intenso debate, mas tr\u00eas fatores s\u00e3o apontados: \u201cmeio institucional pouco confi\u00e1vel; falta de infra-estrutura de produ\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00f5es, bem como de capital humano; e pol\u00edticas econ\u00f4micas incorretas\u201d.<a href=\"#_edn108\" id=\"_ednref108\">[108]<\/a> Mas ela n\u00e3o est\u00e1 totalmente exclu\u00edda, existem nichos de riqueza que propiciam que uma elite do continente se conecte com as redes globais de riqueza, poder, informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00f5es. A \u00c1frica n\u00e3o est\u00e1 alheia, mas, em vez disso:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Encontra-se desarticulada por sua incorpora\u00e7\u00e3o fragmentada \u00e0 economia global por meio de rela\u00e7\u00f5es seletivas, tais como quantidade limitada de exporta\u00e7\u00f5es, apropria\u00e7\u00e3o especulativa de recursos de alto valor, transfer\u00eancias de numer\u00e1rio para o exterior e consumo parasit\u00e1rio de bens importados.<a href=\"#_edn109\" id=\"_ednref109\">[109]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 tecnologia da informa\u00e7\u00e3o, \u201cpor ora, a \u00c1frica est\u00e1 exclu\u00edda da revolu\u00e7\u00e3o da tecnologia da informa\u00e7\u00e3o, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de alguns n\u00f3s de gerenciamento financeiro e internacional diretamente relacionados a redes globais que, ao mesmo tempo, desprezam as economias e sociedade de onde se originam\u201d.<a href=\"#_edn110\" id=\"_ednref110\">[110]<\/a> O n\u00edvel de conectividade da \u00c1frica est\u00e1 afetado por sua infra-estrutura incipiente, atrasando o principal processo do uso de computadores na era da informa\u00e7\u00e3o, a forma\u00e7\u00e3o de redes. Por isso, h\u00e1 uma espiral descendente na competitividade africana a cada avan\u00e7o da tecnologia da informa\u00e7\u00e3o. A cada momento a \u00c1frica se distancia mais e mais da economia informacional\/global.<a href=\"#_edn111\" id=\"_ednref111\">[111]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em rela\u00e7\u00e3o ao poder, h\u00e1 uma pol\u00edtica predatorial que esvazia os Estados africanos. As conseq\u00fc\u00eancias s\u00e3o que as riquezas que chegam ao pa\u00eds s\u00e3o tratadas de acordo com a l\u00f3gica pessoal de acumula\u00e7\u00e3o de riqueza, o acesso ao poder equivale ao acesso \u00e0 riqueza, e apoio pol\u00edtico obt\u00e9m-se por meio do clientelismo. \u201cUma complicada combina\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rios, compreendendo etnia, territorialidade e economia, contribui para a forma\u00e7\u00e3o de redes de geometria vari\u00e1vel, que constituem a realidade da pol\u00edtica na maior parte da \u00c1frica\u201d. Dois casos exemplificam o tipo de explora\u00e7\u00e3o do Estado que acontece na \u00c1frica: Zaire e Nig\u00e9ria. No Zaire, a pol\u00edtica predat\u00f3ria promovida por Mobutu desintegrou completamente o Estado. Na Nig\u00e9ria, confrontos pol\u00edticos fragmentaram a sociedade, e o novo governo ditador afastou-a dos fluxos monet\u00e1rios da economia internacional. No geral, os \u201cEstados-na\u00e7\u00e3o da maior parte do continente africano tornaram-se, em grande medida, predadores de sua pr\u00f3pria economia\u201d. Para todos os efeitos pr\u00e1ticos, no desaparecimento do Estado-na\u00e7\u00e3o.<a href=\"#_edn112\" id=\"_ednref112\">[112]<\/a>&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Identidade \u00e9tnica, globaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e a forma\u00e7\u00e3o dos Estados na \u00c1frica redundam numa complexa rela\u00e7\u00e3o que tem definido o modo como as pessoas t\u00eam acesso ao poder e a riqueza. A constru\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria n\u00e3o est\u00e1 baseada na cultura, mas na pol\u00edtica. O poder \u00e9 distribu\u00eddo segundo uma l\u00f3gica de um Estado bifurcado, heran\u00e7a dos tempos coloniais, onde, de um lado, o Estado legal, e, de outro, as estruturas de poder nativas. Neste tipo de estrutura, o poder e recursos eram destinados \u00e0s etnias mais bem representadas perante o Estado judicialmente institu\u00eddo. O que gera a necessidade de pertencer a uma etnia para se ter acesso aos canais de riqueza. \u00c9 o Estado e suas elites que criam e recriam as identidades \u00e9tnicas e n\u00e3o ao contr\u00e1rio.<a href=\"#_edn113\" id=\"_ednref113\">[113]<\/a> Enfim, h\u00e1 uma complexa rela\u00e7\u00e3o \u201ccultural\/\u00e9tnico\/hist\u00f3rico\/geogr\u00e1fico\/econ\u00f4mico\u201d&nbsp; com um nacionalismo insuficiente para agregar as etnias, e com isto uma desarticula\u00e7\u00e3o total da economia do continente. Contudo, h\u00e1 uma esperan\u00e7a para o continente atrav\u00e9s de uma conex\u00e3o com o sistema global via \u00c1frica do Sul. Esta na\u00e7\u00e3o encontra-se em bom n\u00edvel de conex\u00e3o \u00e0 economia global\/informacional. Para concluir:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse sistema pol\u00edtico pervertido vem sendo produzido ao longo da hist\u00f3ria, e sua estrutura \u00e9 mantida pelas pot\u00eancias europ\u00e9ias e os Estados Unidos e pela assimila\u00e7\u00e3o fragmentada da \u00c1frica \u00e0s redes do capitalismo global. \u00c9 justamente essa articula\u00e7\u00e3o seletiva de elites e de bens de valor, com exclus\u00e3o social da maioria das pessoas e a desvaloriza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da maior parte dos recursos naturais, que \u00e9 o diferencial da mais recente manifesta\u00e7\u00e3o da trag\u00e9dia africana.<a href=\"#_edn114\" id=\"_ednref114\">[114]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>A exclus\u00e3o social nas cidades norte-americanas<\/em>. Os Estados Unidos foi a primeira sociedade a vivenciar as transforma\u00e7\u00f5es estruturais e organizacionais caracter\u00edsticas da sociedade em rede. Contudo, mesmo assim, houve um crescente aumento da desigualdade, pobreza, polariza\u00e7\u00e3o e mis\u00e9ria nos EUA. Isto est\u00e1 vinculado a quatro processos inter-relacionados: desindustrializa\u00e7\u00e3o, individualiza\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o em rede do processo de trabalho, incorpora\u00e7\u00e3o da mulher no mercado de trabalho remunerado na economia informacional.<a href=\"#_edn115\" id=\"_ednref115\">[115]<\/a> \u00c9 a tend\u00eancia predominante entre capitalismo informacional, desigualdade social e pobreza que leva ao processo de exclus\u00e3o social, sintetizada nos guetos dos centros das cidades norte-americanas. As trag\u00e9dias di\u00e1rias nestes locais t\u00eam sido um dos problemas mais antigos dos Estados Unidos. Estes guetos s\u00e3o \u00e1reas segregadas por ra\u00e7a, classe e etnia. \u201cA estrutura espacial interage de forma decisiva com os processos econ\u00f4micos, sociais e culturais&#8230; A segrega\u00e7\u00e3o urbana \u00e9 refor\u00e7ada pela separa\u00e7\u00e3o crescente entre l\u00f3gica do espa\u00e7o de fluxos e a do espa\u00e7o de lugares\u201d.<a href=\"#_edn116\" id=\"_ednref116\">[116]<\/a> O surgimento do espa\u00e7o de fluxos que utiliza a tecnologia para efetuar conex\u00f5es de lugares distantes entre si faz com que lugares indesej\u00e1veis sejam deixados ao longe.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>A superexplora\u00e7\u00e3o e a exclus\u00e3o das crian\u00e7as<\/em><strong>.<\/strong> A m\u00e3o-de-obra infantil cresceu muito principalmente nos Estados Unidos. As principais atividades que envolvem as crian\u00e7as s\u00e3o aquelas que necessitam de m\u00e3o-de-obra barata e flex\u00edvel, em especial o turismo. A forma em rede da economia, com as empresas funcionando atrav\u00e9s da subcontrata\u00e7\u00e3o, facilita a incorpora\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as temporariamente.<a href=\"#_edn117\" id=\"_ednref117\">[117]<\/a> Acompanhando a explora\u00e7\u00e3o da m\u00e3o-de-obra infantil, vem a explora\u00e7\u00e3o sexual. Facilitada pela tecnologia, basicamente a Internet, instaurou-se \u201cuma rede global de pornografia, distribu\u00edda de forma totalmente descentralizada e com chances m\u00ednimas de sujeitar-se \u00e0s penas cab\u00edveis, determinadas pela lei\u201d.<a href=\"#_edn118\" id=\"_ednref118\">[118]<\/a> Do lado da oferta, \u201ca pobreza e a crise da institui\u00e7\u00e3o familiar fornecem a mat\u00e9ria-prima. A liga\u00e7\u00e3o entre oferta e a procura normalmente \u00e9 efetuada pelas redes da economia do crime global\u201d.<a href=\"#_edn119\" id=\"_ednref119\">[119]<\/a> Para ser mais espec\u00edfico, \u201cas redes de prostitui\u00e7\u00e3o infantil no Sudeste Asi\u00e1tico compram crian\u00e7as nas \u00e1reas rurais mais empobrecidas da Tail\u00e2ndia, Camboja, Filipinas e outros pa\u00edses da regi\u00e3o para atender \u00e0 demanda de suas redes de distribui\u00e7\u00e3o na \u00c1sia.<a href=\"#_edn120\" id=\"_ednref120\">[120]<\/a> A sociedade em rede devora as crian\u00e7as. Para resumir, as causas disso est\u00e3o na desintegra\u00e7\u00e3o das sociedades tradicionais, nas lojas de departamento, no turismo global, na pornografia infantil eletr\u00f4nica em rede, na desintegra\u00e7\u00e3o do patriarcalismo, na fragiliza\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es de defesa dos direitos da crian\u00e7a, na pobreza.<a href=\"#_edn121\" id=\"_ednref121\">[121]<\/a> O desperd\u00edcio das crian\u00e7as reside no fato de que \u201cna Era da Informa\u00e7\u00e3o, as tend\u00eancias sociais s\u00e3o extraordinariamente amplificadas pela nova capacidade tecnol\u00f3gica\/organizacional da sociedade, ao mesmo tempo em que as institui\u00e7\u00f5es de controle social s\u00e3o sobrepujadas pelas redes globais de informa\u00e7\u00e3o e capital\u201d.<a href=\"#_edn122\" id=\"_ednref122\">[122]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enfim, as rela\u00e7\u00f5es entre as caracter\u00edsticas do capitalismo informacional e o aumento da desigualdade, polariza\u00e7\u00e3o social, pobreza e mis\u00e9ria d\u00e3o origem \u201ca uma profunda divis\u00e3o entre pessoas e locais considerados valiosos. A globaliza\u00e7\u00e3o atua de forma seletiva, incluindo e excluindo segmentos de economias e sociedades das redes de informa\u00e7\u00e3o, riqueza e poder\u201d.<a href=\"#_edn123\" id=\"_ednref123\">[123]<\/a> Em geral, \u201ca exclus\u00e3o social \u00e9 expressa em termos espaciais. O confinamento territorial de popula\u00e7\u00f5es sem valor, do ponto de vista sist\u00eamico, desconectadas de redes de fun\u00e7\u00f5es e pessoas valorizadas, sem d\u00favida representa uma das caracter\u00edsticas mais importantes da l\u00f3gica espacial da sociedade em rede\u201d. Os eventos que desconectam as pessoas e regi\u00f5es podem ser:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Representados por um ditador ganancioso, como no Zaire; por ruma decis\u00e3o da pol\u00edcia de deixar certos bairros \u00e0 merc\u00ea de traficantes de drogas; por pr\u00e1ticas discriminat\u00f3rias de restri\u00e7\u00e3o ao financiamento imobili\u00e1rio com base em crit\u00e9rios \u00e9tnicos ou raciais; ou, ainda, pela exaust\u00e3o de \u00e1reas de minera\u00e7\u00e3o ou desvaloriza\u00e7\u00e3o de produtos agr\u00edcolas que at\u00e9 ent\u00e3o constitu\u00edam a principal atividade econ\u00f4mica de uma determinada regi\u00e3o.<a href=\"#_edn124\" id=\"_ednref124\">[124]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Quarto Mundo \u00e9 criado pela desconex\u00e3o de diversas regi\u00f5es do planeta da \u00c1frica a Europa, passando por cidades americanas e regi\u00f5es ricas do Sudeste Asi\u00e1tico. O Segundo Mundo se desintegrou, o Terceiro Mundo desapareceu, mas o Quarto Mundo vem aumentando \u00e0 medida que o capitalismo informacional atua seletivamente. A \u00c1frica est\u00e1 desarticulada e boa parte dela n\u00e3o pertence mais ao mundo da economia em rede. V\u00edtima de exclus\u00e3o social, exclus\u00e3o tecnol\u00f3gica, exclus\u00e3o das redes financeiras, somente convivendo com uma pol\u00edtica predat\u00f3ria de seus l\u00edderes, n\u00e3o h\u00e1 outra op\u00e7\u00e3o de vida aos indiv\u00edduos, al\u00e9m de pertencer a uma etnia e, assim, ter acesso ao que resta de poder e esperan\u00e7a diante dos ditames da globaliza\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o \u00e9 porque estamos falando de uma regi\u00e3o sem a infra-estrutura m\u00ednima que permita a conex\u00e3o com a rede global informacional. A exclus\u00e3o social acontece tamb\u00e9m e de forma mais agressiva no centro das grandes cidades do mundo. Nas cidades informacionais surgem verdadeiros guetos distribu\u00eddos por ra\u00e7a, classe e etnia. Quanto mais um centro urbano \u00e9 relevante para a economia global, mas \u00e9 polarizada socialmente, juntando em espa\u00e7os segregados mis\u00e9ria e pobreza numa desigualdade sem igual. Eis o terreno para que as crian\u00e7as se tornem m\u00e3o-de-obra barata e alvo de explora\u00e7\u00e3o sexual capturadas pela economia do crime e distribu\u00eddas pelas redes de prostitui\u00e7\u00e3o, seja como pornografia na Internet ou mesmo entrega \u00e0 domic\u00edlio para consumidores de diversas partes do mundo. O Quarto Mundo \u00e9 a express\u00e3o mais clara da desconex\u00e3o provocada pela rede.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>3. A conex\u00e3o perversa: a economia do crime global.<\/strong> O \u201ccrime global, a forma\u00e7\u00e3o de redes entre poderosas organiza\u00e7\u00f5es criminosas e seus associados, com atividades compartilhadas em todo o planeta, constitui um novo fen\u00f4meno que afeta profundamente a economia no \u00e2mbito internacional e nacional, a pol\u00edtica, a seguran\u00e7a e, em \u00faltima an\u00e1lise, as sociedades em geral\u201d.<a href=\"#_edn125\" id=\"_ednref125\">[125]<\/a> Estas organiza\u00e7\u00f5es ultrapassam fronteiras e unem grupos criminosos locais e regionais numa ampla rede global e diversificada que estabelece v\u00ednculos de todos os tipos e opera com tudo o que se atribui valor agregado, desde drogas a obra de arte. Os resultados financeiros obtidos por estas organiza\u00e7\u00f5es contaminam o sistema financeiro mundial e afetam de forma profunda as economias de muitos pa\u00edses. A flexibilidade da conex\u00e3o dessas atividades criminosas por meio de redes internacionais constitui uma das caracter\u00edsticas fundamentais da nova economia global.<a href=\"#_edn126\" id=\"_ednref126\">[126]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O crime organizado se globalizou. Semelhante ao modelo das estruturas organizacionais da empresa em rede, o crime organizado estabelece \u201calian\u00e7as estrat\u00e9gicas para cooperar com as transa\u00e7\u00f5es pertinentes a cada organiza\u00e7\u00e3o, em vez de lutar entre si, mediante acordos de subcontrata\u00e7\u00e3o e <em>joint ventures<\/em>\u201d.<a href=\"#_edn127\" id=\"_ednref127\">[127]<\/a> A chave do sucesso das opera\u00e7\u00f5es do crime organizado encontra-se na flexibilidade e versatilidade de sua organiza\u00e7\u00e3o em redes. Cada organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de se tornar ela s\u00f3 global, sob pena de invadir o espa\u00e7o de outra organiza\u00e7\u00e3o. Por isso que, \u201csob a l\u00f3gica estritamente empresarial, as organiza\u00e7\u00f5es criminosas estabelecem uma rela\u00e7\u00e3o de respeito m\u00fatuo e encontram pontos de converg\u00eancia que ultrapassam fronteiras e grupos nacionais\u201d. <a href=\"#_edn128\" id=\"_ednref128\">[128]<\/a> \u00c9 \u201cessa combina\u00e7\u00e3o entre flexibilidade na forma\u00e7\u00e3o de redes entre grupos locais, fundados na tradi\u00e7\u00e3o e na identidade em um ambiente institucional favor\u00e1vel, e o poder de a\u00e7\u00e3o global proporcionado por alian\u00e7as estrat\u00e9gicas que explica a for\u00e7a organizacional do crime global\u201d.<a href=\"#_edn129\" id=\"_ednref129\">[129]<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O exemplo da R\u00fassia ajuda a entender a atua\u00e7\u00e3o dessas redes. A transi\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica para economia de mercado propiciou as condi\u00e7\u00f5es para a atua\u00e7\u00e3o do crime organizado nas atividades empresariais. As \u201corganiza\u00e7\u00f5es criminosas associaram-se a centenas de redes das <em>mafiyas<\/em> p\u00f3s-sovi\u00e9ticas, muitas delas organizadas em torno de determinadas etnias\u201d. O \u201cobjetivo era a lavagem de dinheiro, adquirir propriedades de valor e assumir o controle de neg\u00f3cios lucrativos, tanto legais quanto ilegais\u201d.<a href=\"#_edn130\" id=\"_ednref130\">[130]<\/a> Sob a condi\u00e7\u00e3o de caos institucional, \u201cprotocapitalistas e criminosos passaram a ter tr\u00e2nsito livre pelas rep\u00fablicas, selecionando os ambientes mais favor\u00e1veis para realizar seus neg\u00f3cios, efetuando opera\u00e7\u00f5es em toda a extens\u00e3o da extinta Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica\u201d.<a href=\"#_edn131\" id=\"_ednref131\">[131]<\/a> Al\u00e9m disso, as redes <em>mafiyas<\/em> russas locais assumiram o controle do Estado e ingressaram na Era da Informa\u00e7\u00e3o muito mais rapidamente do que o governo russo. Por fim, um mecanismo que propiciou a forma\u00e7\u00e3o destas redes criminosas de acumula\u00e7\u00e3o capitalista foi o processo de privatiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o t\u00e3o transparente, pois \u201cpoucos meses depois do fim da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, imp\u00e9rios financeiros gigantescos, com uma carteira amplamente diversificada, surgiram na economia russa\u201d.<a href=\"#_edn132\" id=\"_ednref132\">[132]<\/a> Enfim, n\u00e3o \u00e9 a atua\u00e7\u00e3o do crime organizado que explica a situa\u00e7\u00e3o de caos na ex-Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, mas a maneira equivocada que Gorbachev desarticulou o imp\u00e9rio, deixando-o sem um sistema que o substitu\u00edsse, e tamb\u00e9m a maneira apressada que os democratas russos conduziram a transi\u00e7\u00e3o para a economia de mercado sem um controle institucional e social que propiciou a apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita. E, assim que s\u00e3o gerados os lucros, v\u00e3o parar nas redes financeiras globais. O crime organizado russo est\u00e1 imerso nos fluxos globais de riqueza e poder.<a href=\"#_edn133\" id=\"_ednref133\">[133]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>O narcotr\u00e1fico na Am\u00e9rica Latina<\/em>. Especificamente na Col\u00f4mbia:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Poderosas redes criminosas, formadas a partir do tr\u00e1fico de drogas, outras atividades criminosas (mais especificamente, lavagem de dinheiro, contrabando, tr\u00e1fico de armas, tr\u00e1fico de imigrantes, prostitui\u00e7\u00e3o internacional e seq\u00fcestro) v\u00eam sendo organizadas, constituindo, portanto, um mundo criminoso vasto e complexo, cuja estrutura altamente descentralizada permeia todas as sociedades latino-americanas e nelas imprime sua marca.<a href=\"#_edn134\" id=\"_ednref134\">[134]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o v\u00e1rias as caracter\u00edsticas da ind\u00fastria do narcotr\u00e1fico: est\u00e1 orientada \u00e0 demanda e \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o; a ind\u00fastria \u00e9 totalmente internacionalizada, com uma divis\u00e3o bastante rigorosa da m\u00e3o-de-obra entre os diferentes locais do processo produtivo; o componente essencial de toda a ind\u00fastria da droga \u00e9 o sistema de lavagem de dinheiro; a ind\u00fastria da droga precisa da corrup\u00e7\u00e3o e da penetra\u00e7\u00e3o em seu meio institucional para poder funcionar, em todas as etapas do sistema.<a href=\"#_edn135\" id=\"_ednref135\">[135]<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existe uma import\u00e2ncia da identidade cultural na constitui\u00e7\u00e3o, funcionamento e estrat\u00e9gia das redes criminosas. O apego dos traficantes de droga colombianos pelo pa\u00eds v\u00e3o al\u00e9m de um c\u00e1lculo meramente estrat\u00e9gico. A raz\u00e3o est\u00e1 numa:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Combina\u00e7\u00e3o singular entre redes latentes de tr\u00e1fico de drogas que estabeleceram liga\u00e7\u00e3o com os Estados Unidos, uma classe empreendedora marginalizada pelo fracasso da industrializa\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina e o s\u00f3lido enraizamento dos contrabandistas relativamente escolarizados e em fase de ascens\u00e3o social \u00e0s suas culturas e sociedades locais.<a href=\"#_edn136\" id=\"_ednref136\">[136]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m do fato da Col\u00f4mbia ser um ambiente institucional bastante favor\u00e1vel, \u00e9 impotente diante da guerrilha comunista, da oligarquia estreita e profundamente corrompida e dos traficantes de drogas. No final do mil\u00eanio \u00e9 um Estado que ainda n\u00e3o controla todo o seu territ\u00f3rio. Isto parece confirmar a hip\u00f3tese de que se a fragilidade do Estado facilita a instala\u00e7\u00e3o de n\u00facleos de comandos e controle das redes criminosas globais, \u00e9 prov\u00e1vel que o poder de tais n\u00facleos criminosos arrebatem ainda mais o controle desses Estados.<a href=\"#_edn137\" id=\"_ednref137\">[137]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 um profundo impacto do crime organizado sobre a economia, pol\u00edtica e cultura. A \u201clavagem de dinheiro e seus derivados tornaram-se um componente significativo e bastante problem\u00e1tico dos mercados de a\u00e7\u00f5es e fluxos financeiros\u201d.<a href=\"#_edn138\" id=\"_ednref138\">[138]<\/a> Al\u00e9m do volume de dinheiro sujo que circula pela rede, a mobilidade \u00e9 outro fator importante, pois a constante circula\u00e7\u00e3o \u00e9 promovida para dificultar a identifica\u00e7\u00e3o de sua origem. O movimento deste dinheiro tem sido fonte de desestabiliza\u00e7\u00e3o das finan\u00e7as e mercados de capital internacionais. O impacto sobre a pol\u00edtica \u00e9 ainda maior. A \u201csoberania do Estado, j\u00e1 desgastada pelos processos de globaliza\u00e7\u00e3o e identidade, vem sofrendo amea\u00e7as diretas de redes criminosas altamente flex\u00edveis, que se esquivam dos mecanismos de controle e assumem um grau de risco que nenhum outro tipo de organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 capaz de absorver\u201d.<a href=\"#_edn139\" id=\"_ednref139\">[139]<\/a> A tecnologia e a organiza\u00e7\u00e3o em rede vem atribuindo mais poder ao crime organizado, e com isto, ele foge das regulamenta\u00e7\u00f5es nacionais. A flexibilidade da rede lhe permite mudar suas bases operacionais. A influ\u00eancia do crime tamb\u00e9m atinge a esfera cultural. A \u201cidentidade cultural alimenta a maior parte dessas redes criminosas, fornecendo os c\u00f3digos e as formas de comprometimento que criam a confian\u00e7a e garantem a comunica\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito de cada rede\u201d.<a href=\"#_edn140\" id=\"_ednref140\">[140]<\/a> Tamb\u00e9m induz a uma nova cultura em que criminosos bem-sucedidos s\u00e3o admirados por jovens pobres que n\u00e3o v\u00eaem perspectivas de melhorar de vida e s\u00e3o levados a viver intensamente o presente numa \u201ccultura da urg\u00eancia\u201d. Tudo isso, al\u00e9m da difus\u00e3o da cultura do crime organizado pela m\u00eddia na vida cotidiana.<a href=\"#_edn141\" id=\"_ednref141\">[141]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nem toda conex\u00e3o com a rede \u00e9 favor\u00e1vel. O crime organizado est\u00e1 estruturado em rede e utilizando uma l\u00f3gica semelhante da empresa dotada de flexibilidade e versatilidade conseguida com as tecnologias da informa\u00e7\u00e3o. Entremeado de identidade e pol\u00edtica, o crime organizado se aproveita de um Estado depauperado de suas institui\u00e7\u00f5es para fazer prevalecer sua vontade. O narcotr\u00e1fico se estrutura em redes descentralizadas e tem suas atividades voltadas para mercados afluentes. A identidade cultural \u00e9 uma caracter\u00edstica marcante nas redes de tr\u00e1fico. H\u00e1 um apre\u00e7o por estas organiza\u00e7\u00f5es em estabelecer seus centros de controles em suas pr\u00f3prias sociedades. As atividades destas redes, com certeza, tem impacto profundo sobre a economia mundial. Os fluxos produzidos por estas redes distorcem a realidade e n\u00e3o podemos medir suas conseq\u00fc\u00eancias. O alcance delas se estende do trabalhador nos campos de coca da Col\u00f4mbia a protocapitalistas na R\u00fassia, al\u00e9m de envolver um turbilh\u00e3o de d\u00f3lares nas redes financeiras globais. Eis, um tipo de rede que consegue estabelecer os mais diferentes tipos de v\u00ednculos, em sua maioria perversos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>4. Desenvolvimento e crise na regi\u00e3o do Pac\u00edfico: a globaliza\u00e7\u00e3o e o Estado<\/strong>. A regi\u00e3o do Pac\u00edfico asi\u00e1tico serve para demonstrar como acontece a rela\u00e7\u00e3o entre Estado e globaliza\u00e7\u00e3o. Seis pa\u00edses s\u00e3o analisados: Jap\u00e3o, Cor\u00e9ia do Sul, Cingapura, Taiwan, Hong Kong e China.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta regi\u00e3o se destacou como uma das mais pr\u00f3speras regi\u00f5es em desenvolvimento no \u00faltimo quarto do s\u00e9culo XX, com um fluxo de capital estimado em torno de US$ 420 bilh\u00f5es na primeira metade da d\u00e9cada e 90. Mas em poucos meses nos anos de 1997 e 1998 economias inteiras entraram em colapso e a regi\u00e3o quase foi a bancarrota. Qual a causa? O que ocasionou a crise foi a brutal invers\u00e3o no fluxo de capital. A raz\u00e3o est\u00e1 na maneira como o Estado se relacionou com a sociedade e com o capital mundial durante as d\u00e9cadas de franco crescimento. A crise tem duas fontes: de um lado est\u00e1 ligada \u00e0 din\u00e2mica dos mercados financeiros globais, de outro, com a diversidade econ\u00f4mica e a especificidade institucional que levou a resultados muito diferentes em cada Estado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os fluxos financeiros globais haviam penetrado nas economias de maneira t\u00e3o profunda que elas ficaram dependentes de empr\u00e9stimos maci\u00e7os de curto prazo. E tal pr\u00e1tica tornou essas economias muito vulner\u00e1veis a qualquer invers\u00e3o repentina dos fluxos de investimentos\u201d. Os fluxos financeiros tiveram um papel esmagador sobre a economia asi\u00e1tica e isto est\u00e1 ligado a dois fatores: primeiro, \u201co sucesso dessas economias e suas perspectivas de grande crescimento econ\u00f4mico\u201d; segundo, \u201ca fragilidade de suas institui\u00e7\u00f5es financeiras, sob total depend\u00eancia do Estado\u201d.<a href=\"#_edn142\" id=\"_ednref142\">[142]<\/a> E, por que estas institui\u00e7\u00f5es eram t\u00e3o fr\u00e1geis? A raz\u00e3o est\u00e1 no fato de que durante o per\u00edodo de crescimento os governos protegiam as empresas, mas \u00e0 medida que isto acontecia, elas tornavam-se participantes globais nos setores de com\u00e9rcio e investimentos. Da\u00ed:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando a escala dessas economias, o porte das empresas e suas interliga\u00e7\u00e3o com as redes capitalistas globais levaram a uma integra\u00e7\u00e3o bilateral na economia global, os Estados n\u00e3o puderam mais proteger ou controlar os movimentos de capital, bens e servi\u00e7os. Desse modo, eles foram ignorados pelos fluxos econ\u00f4micos globais e n\u00e3o tiveram condi\u00e7\u00f5es de regulamentar ou comandar suas economias com as normas preexistentes, tornadas obsoletas pelo pr\u00f3prio sucesso. Sem nenhuma prote\u00e7\u00e3o do Estado, as empresas e os mercados financeiros asi\u00e1ticos foram tomados pelos fluxos de capital global que obteve lucros substanciais e depois deixou esses mercados, quando sua falta de transpar\u00eancia os tornou muito arriscado.<a href=\"#_edn143\" id=\"_ednref143\">[143]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O desenvolvimento e a crise da regi\u00e3o do Pac\u00edfico asi\u00e1tico tem um conjunto bem espec\u00edfico de rela\u00e7\u00f5es entre o Estado, a economia e a sociedade. Ent\u00e3o, \u00e9 na intera\u00e7\u00e3o entre a din\u00e2mica social interna e os fluxos financeiros externos, mediados pela a\u00e7\u00e3o do Estado, que est\u00e1 a explica\u00e7\u00e3o do porque cada economia se desenvolveu, sofreu (ou n\u00e3o) a crise e por que a crise afetou, em v\u00e1rios graus, pa\u00edses com condi\u00e7\u00f5es muito diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>O Jap\u00e3o.<\/em> O Jap\u00e3o \u00e9 o exemplo de um nacionalismo que \u201cressurgiu sob a forma de projeto de desenvolvimento econ\u00f4mico promovido pelo Estado e voltado para a concorr\u00eancia pac\u00edfica na economia internacional\u201d. Os burocratas do Estado \u201ct\u00eam orientado e coordenado as empresas japonesas, organizadas em rede&#8230; ajudando-as com pol\u00edtica de com\u00e9rcio, tecnologia e cr\u00e9dito para competirem com sucesso na economia mundial\u201d. O bom desempenho econ\u00f4mico \u201ccontou com estabilidade social e alta produtividade da for\u00e7a de trabalho por meio da coopera\u00e7\u00e3o entre a ger\u00eancia e os trabalhadores, possibilitada pela estabilidade no emprego e pela promo\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho permanente com base no tempo de servi\u00e7o\u201d. <a href=\"#_edn144\" id=\"_ednref144\">[144]<\/a> No conjunto:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A estabilidade social baseava-se em tr\u00eas fatores principais: (a) comprometimento do povo para reconstruir o Jap\u00e3o; (b) acesso ao consumo e melhoria substancial dos padr\u00f5es de vida; e (c) fam\u00edlia patriarcal forte e est\u00e1vel que reproduzia os valores tradicionais, induzia a \u00e9tica do trabalho e proporcionava seguran\u00e7a pessoal a seus membros, \u00e0 custa da manuten\u00e7\u00e3o da submiss\u00e3o feminina.<a href=\"#_edn145\" id=\"_ednref145\">[145]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O modelo de desenvolvimento japon\u00eas \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o de cultura pol\u00edtica; efic\u00e1cia das empresas em rede; coopera\u00e7\u00e3o entre gerentes e trabalhadores, possibilitando o esp\u00edrito comunal de trabalho em equipe; a participa\u00e7\u00e3o das mulheres, propiciando o trabalho flex\u00edvel; participa\u00e7\u00e3o do Estado na reprodu\u00e7\u00e3o da cultura, principalmente do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o cujos programas educacionais definem a profiss\u00e3o do cidad\u00e3o japon\u00eas muito cedo; e, grande estabilidade pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas este modelo japon\u00eas entrou em crise no final da d\u00e9cada de 80. Partindo de uma crise financeira, devido a inabilidade das institui\u00e7\u00f5es financeiras japonesas em lidar com a exposi\u00e7\u00e3o aos mercados financeiros globais, a pol\u00edtica de acesso f\u00e1cil ao cr\u00e9dito, \u201credu\u00e7\u00e3o da capacidade do governo japon\u00eas para cobrir as perdas das institui\u00e7\u00f5es financeiras\u201d, tudo isto somado \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es provocadas pela globaliza\u00e7\u00e3o causou o rompimento da intera\u00e7\u00e3o sist\u00eamica entre o Estado desenvolvimentista e as redes multinacionais japonesas e agravada pela crise do sistema pol\u00edtico. A pol\u00edtica japonesa sofreu um processo de fragmenta\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria e diversifica\u00e7\u00e3o dos interesses nacionais. Enfim, a sociedade da informa\u00e7\u00e3o japonesa estava em choque com sua pr\u00f3pria obra, porque sociedade da informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 aquela que utiliza a tecnologia da informa\u00e7\u00e3o, mas uma estrutura social espec\u00edfica.<a href=\"#_edn146\" id=\"_ednref146\">[146]<\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Os quatro tigres asi\u00e1ticos.<\/em> A an\u00e1lise dos quatro tigres asi\u00e1ticos (Cor\u00e9ia do Sul, Cingapura, Taiwan e Hong Kong) ajuda elucidar o processo de desenvolvimento da regi\u00e3o do Sul o Pac\u00edfico. O modo diferente que os tigres reagiram permite uma compreens\u00e3o da natureza da crise em si. Ao analisar os quatro pa\u00edses, Castells vai al\u00e9m de entender os processos de desenvolvimento e a crise, procura \u201cinterpretar as contradi\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas desencadeadas por esses processos, motivando a transi\u00e7\u00e3o para as sociedades informacionais e sua integra\u00e7\u00e3o na economia global\u201d. \u00c9 na intera\u00e7\u00e3o entre crise, desenvolvimento, Estado e a sociedade que poderemos encontrar a explica\u00e7\u00e3o para as diferentes formas dessa incorpora\u00e7\u00e3o. Castells reconstr\u00f3i o complexo conjunto de rela\u00e7\u00f5es entre Estado, a sociedade e a economia na regi\u00e3o do Pac\u00edfico, do qual vou levantar alguns pontos.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cingapura: No caso de Cingapura, a constru\u00e7\u00e3o da identidade nacional se deu pelo Estado via empresas transnacionais. O fator crucial foi a entrada maci\u00e7a de capital oriundas de fontes externas e da poupan\u00e7a. Era o governo quem controlava esta poupan\u00e7a e investia em infra-estrutura social e f\u00edsica e um pouco em empresas p\u00fablicas. \u201cO fator central do processo de desenvolvimento foi o papel do governo, fornecendo os incentivos necess\u00e1rios para atrair capital estrangeiro e conseguir investidores\u201d. O governo tamb\u00e9m exerceu papel fundamental na diversifica\u00e7\u00e3o industrial. O \u201cr\u00e1pido crescimento das economias na regi\u00e3o ajudou Cingapura a subir a escada do informacionalismo e a tornar-se um dos centros da economia global\u201d. Ela se tornou o local preferido pelas empresas multinacionais para localizar a administra\u00e7\u00e3o e investimento na regi\u00e3o econ\u00f4mica mais din\u00e2mica do planeta. Cingapura se tornou \u201cvitrine do novo processo de desenvolvimento, construindo identidade nacional com base em investimentos multinacional, atra\u00eddo e protegido por uma cidade-estado desenvolvimentista\u201d.<a href=\"#_edn147\" id=\"_ednref147\">[147]<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cor\u00e9ia do Sul: A Cor\u00e9ia do Sul foi tamb\u00e9m muit\u00edssima auxiliada pelo governo que criou um capitalismo estatal oligopolista. Com apoio militar, pol\u00edtico e financeiro dos Estados Unidos e influenciado pelo modelo japon\u00eas, o governo criou uma estrutura baseada em grandes empresas com o mercado protegido. Por\u00e9m, como este mercado interno era muito pequeno, o governo criou uma estrat\u00e9gia voltada para a exporta\u00e7\u00e3o. Havia, ainda, um Conselho de Planejamento Econ\u00f4mico que planejou, orientou e implantou v\u00e1rios planos q\u00fcinq\u00fcenais. Muitas vezes estes planos falharam, mas o governo estava l\u00e1 para socorrer as empresas. Fora isso, o Estado desempenhou papel crucial de atrair capital e controlar e mobilizar os trabalhadores. Todavia, foi somente na d\u00e9cada de 70, quando a economia estava solidificada, que o governo procurou investimentos estrangeiros. O Estado tamb\u00e9m promoveu a incorpora\u00e7\u00e3o submissa da m\u00e3o-de-obra na nova economia industrial. Esta incorpora\u00e7\u00e3o, contudo, foi mais repressora do que em outras sociedades. Finalmente, \u201ca \u00eanfase em ci\u00eancia e tecnologia aliada \u00e0 melhoria dos produtos e processos na ind\u00fastria coreana t\u00eam sido a obsess\u00e3o da Cor\u00e9ia do Sul desde a d\u00e9cada de 60\u201d. Em apenas tr\u00eas d\u00e9cadas, um Estado com um projeto nacionalista desenvolvimentista saiu das cinzas e se ingressou na economia mundial.<a href=\"#_edn148\" id=\"_ednref148\">[148]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Taiwan: J\u00e1 Taiwan foi um Estado de capitalismo flex\u00edvel sob a \u00e9gide de um Estado inflex\u00edvel. A produ\u00e7\u00e3o flex\u00edvel e adapt\u00e1vel \u00e0s condi\u00e7\u00f5es da economia mundial estava sob controle de um Estado forte. Duas caracter\u00edsticas s\u00e3o cruciais para o entendimento do processo que se passou: o Estado do <em>Kuomintang<\/em> ocupava o centro da estrutura; a estrutura \u00e9 uma rede formada por rela\u00e7\u00f5es entre as empresas e o mercado mundial por interm\u00e9dio de companhias <em>trading<\/em> e intermedi\u00e1rios comerciais. O n\u00facleo da estrutura industrial taiwanesa era constitu\u00eddo de grande n\u00famero de empresas de pequeno porte, fundadas com poupan\u00e7a familiar e redes cooperativas de poupan\u00e7a e ajudadas com cr\u00e9dito de banco p\u00fablico. \u201cAs empresas estrangeiras eram ligadas, por meio de sistemas de subcontrata\u00e7\u00e3o, a uma ampla rede de pequenas empresas que formavam uma base significativa para a produ\u00e7\u00e3o industrial\u201d. A economia taiwanesa n\u00e3o implica o controle por multinacionais como em Cingapura, nem por conglomerados de grandes empresas como na Cor\u00e9ia do Sul. \u201cO Estado foi o principal agente na orienta\u00e7\u00e3o e coordena\u00e7\u00e3o do processo de industrializa\u00e7\u00e3o, na montagem da infra-estrutura, na conquista do capital estrangeiro, na escolha das prioridades para investimentos estrat\u00e9gicos e na imposi\u00e7\u00e3o de suas condi\u00e7\u00f5es\u201d.<a href=\"#_edn149\" id=\"_ednref149\">[149]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hong Kong: Hong Kong apresenta um modelo que contempla empresas de pequeno porte numa economia mundial, com uma interven\u00e7\u00e3o mais moderada do Estado em rela\u00e7\u00e3o aos outros pa\u00edses. Flexibilidade das ind\u00fastrias e pre\u00e7os relativamente baixos foram os principais fatores para a explica\u00e7\u00e3o do seu crescimento. A estrutura \u201cindustrial b\u00e1sica de Hong Kong consistia de redes de pequenas empresas, operando em rede e subcontratando entre si para tarefas espec\u00edficas\u201d. Mas a pergunta \u00e9: como essas empresas se ingressaram no mercado mundial? Para isso, houve participa\u00e7\u00e3o decisiva do governo organizando as exporta\u00e7\u00f5es e criando v\u00e1rias centrais de informa\u00e7\u00e3o e treinamento com escrit\u00f3rios no mundo todo. Mas, o papel decisivo do governo foi na estimula\u00e7\u00e3o do consumo. Tamb\u00e9m o Estado do bem-estar social colonial foi fundamental em duas outras fun\u00e7\u00f5es: pela manuten\u00e7\u00e3o a paz na ind\u00fastria por longo per\u00edodo, e pela cria\u00e7\u00e3o de uma rede de seguran\u00e7a para empreendimentos de baixo risco. A partir de 1984, ap\u00f3s a assinatura do acordo de transfer\u00eancia da soberania, Hong Kong adotou um novo modelo que contou com tr\u00eas iniciativas estrat\u00e9gicas: empenhou-se ainda mais na ind\u00fastria da exporta\u00e7\u00e3o; expandiu seu papel de centro internacional de neg\u00f3cios; e, tornou-se a conex\u00e3o para a China.<a href=\"#_edn150\" id=\"_ednref150\">[150]<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>A compara\u00e7\u00e3o entre os quatro tigres mostrando suas semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as.<\/em> A diferen\u00e7a mais consider\u00e1vel \u00e9 a estrutura industrial de cada pa\u00eds. Cingapura caracteriza-se pela conex\u00e3o direta entre as empresas multinacionais e o Estado. A Cor\u00e9ia do Sul \u00e9 concentrada nas redes apoiadas e orientadas pelo Estado. Taiwan combina uma estrutura flex\u00edvel de redes de empresas nacionais de pequeno porte e empresas estrangeiras de grande porte. Hong Kong teve seu crescimento, at\u00e9 meados dos anos 80, planejado e executado pelas ind\u00fastrias locais. N\u00e3o h\u00e1, portanto, nenhuma rela\u00e7\u00e3o entre uma estrutura e outra.<a href=\"#_edn151\" id=\"_ednref151\">[151]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alguns fatores comuns s\u00e3o, primeiro, a exist\u00eancia de uma situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia na sociedade. Segundo, a orienta\u00e7\u00e3o da economia voltada para o exterior. Terceiro, a aus\u00eancia de uma classe de propriet\u00e1rios rurais. Quarto, a disponibilidade de m\u00e3o-de-obra instru\u00edda, capaz de se requalificar durante o processo de melhoria do n\u00edvel industrial. Quinto, a capacidade de adapta\u00e7\u00e3o dessas economias ao paradigma informacional e ao padr\u00e3o da economia global em constante mudan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Estado desenvolvimentista no Leste Asi\u00e1tico nasceu da necessidade de sobreviv\u00eancia e depois se tornou base de um projeto nacionalista para afirmar sua identidade\/pol\u00edtica no cen\u00e1rio mundial. \u201cDesse modo, sob formas diferentes espec\u00edficas a cada sociedade, o Estado desenvolvimentista nos pa\u00edses rec\u00e9m-industrializados da \u00c1sia parece ter sido o instrumento dos processos de constru\u00e7\u00e3o (ou reconstru\u00e7\u00e3o) da na\u00e7\u00e3o (ou cidade), desenvolvidos por atores pol\u00edticos em grande parte independentes de suas sociedades\u201d.<a href=\"#_edn152\" id=\"_ednref152\">[152]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por que os Estados desenvolvimentistas tiveram tanto sucesso? Tr\u00eas quest\u00f5es ajudam a responder: a rela\u00e7\u00e3o entre os Estados desenvolvimentistas asi\u00e1ticos e outros Estados no sistema internacional; a l\u00f3gica interna dos Estados desenvolvimentistas; e a rela\u00e7\u00e3o entre os Estados desenvolvimentistas e as respectivas sociedades. Na primeira quest\u00e3o, os Estados desenvolvimentistas foram muito favorecidos pelo contexto geopol\u00edtico da Guerra Fria. Na segunda, foi a constru\u00e7\u00e3o de um aparato estatal tecnocr\u00e1tico eficiente. Na terceira, a capacidade pol\u00edtica para impor e incorporar sua l\u00f3gica \u00e0 sociedade.<a href=\"#_edn153\" id=\"_ednref153\">[153]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os quatro tigres asi\u00e1ticos seguiram um caminho bem divergente durante a crise de 1997. No caso de Hong Kong e Cingapura a diverg\u00eancia destas duas cidades-estado est\u00e1 na maneira como cada governo atuou no mercado imobili\u00e1rio. Em Hong Kong houve uma hipervaloriza\u00e7\u00e3o dos im\u00f3veis e o governo passou atuar como especulador, e quando a crise chegou os pre\u00e7os ca\u00edram substancialmente, e a cidade-estado foi \u00e0 bancarrota. J\u00e1 Cingapura manteve os valores dos im\u00f3veis sob controle, o governo n\u00e3o entrou no mercado da especula\u00e7\u00e3o e continuou a confiar nos fluxos financeiros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cor\u00e9ia do Sul e Taiwan s\u00e3o diferentes. A Cor\u00e9ia tem uma economia baseada em grandes empresas, enquanto a economia de Taiwan \u00e9 baseada em redes de pequenas empresas. Ambos dependem da competitividade de seus setores industriais. A crise da Cor\u00e9ia do Sul come\u00e7ou com a fal\u00eancia de uma grande <em>chaebol<\/em>. A participa\u00e7\u00e3o do Estado desenvolvimentista sul-coreano na economia era forte, mas este tinha limita\u00e7\u00f5es advindas da sociedade democr\u00e1tica. J\u00e1 em Taiwan a participa\u00e7\u00e3o do governo na crescente competitividade era secund\u00e1ria. Havia redes dessas empresas em Taiwan, na \u00c1sia e nos Estados Unidos que na hora da crise contra-balancearam o choque. Enfim, n\u00e3o h\u00e1 um padr\u00e3o nas fontes da crise entre os quatro tigres asi\u00e1ticos.<a href=\"#_edn154\" id=\"_ednref154\">[154]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na d\u00e9cada de 90 houve uma mudan\u00e7a substancial na rela\u00e7\u00e3o entre Estado, sociedade e economia. Na Cor\u00e9ia do Sul surgiu um movimento social impondo restri\u00e7\u00f5es ao Estado desenvolvimentista. O centro da pol\u00edtica mudou de uma ditadura militar para uma democracia popular. Em Taiwan a busca por identidade mudava, cada vez mais, do p\u00fablico para o privado, da na\u00e7\u00e3o para a fam\u00edlia e o individual. Hong Kong tem um futuro incerto, mas sua identidade n\u00e3o o \u00e9. Esse povo \u00e9 \u201cum componente essencial da nova China, uma China feita de redes transnacionais de empresas e sociedades regionais, administradas por uma complexa teia de governos naiconais\/provinciais\/locais e com ela interagindo\u201d. Cingapura sem uma sociedade civil \u201crepresenta a fus\u00e3o do Estado revolucion\u00e1rio e do Estado desenvolvimentista na constru\u00e7\u00e3o da legitimidade, no controle da sociedade e na condu\u00e7\u00e3o da economia\u201d.<a href=\"#_edn155\" id=\"_ednref155\">[155]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>China<\/em><strong>.<\/strong> H\u00e1 a id\u00e9ia de que a \u201cmoderniza\u00e7\u00e3o e a abertura internacional da China \u00e9 (e era) uma pol\u00edtica estatal deliberada, elaborada e controlada at\u00e9 agora pelos l\u00edderes do Partido Comunista\u201d.<a href=\"#_edn156\" id=\"_ednref156\">[156]<\/a> O partido \u201cera uma poderosa m\u00e1quina pol\u00edtica descentralizada, presente em cada aldeia, bairro e unidade de produ\u00e7\u00e3o de todo o pa\u00eds, formando uma imensa rede hier\u00e1rquica que, pela primeira vez na hist\u00f3ria, realmente controlou a China at\u00e9 em seus menores recantos\u201d.<a href=\"#_edn157\" id=\"_ednref157\">[157]<\/a> O Comit\u00ea Central do partido tinha por objetivo inserir a China na economia global e no paradigma informacional. A id\u00e9ia de:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um processo de desenvolvimento econ\u00f4mico e tecnol\u00f3gico totalmente maduro \u2014 sem ceder \u00e0 press\u00f5es da sociedade civil e com a segura manuten\u00e7\u00e3o da capacidade de manobra na arena global nas m\u00e3o do Estado \u2014 agrada bastante a um partido cuja <em>raison d\u00b4etre<\/em> \u00e9, em \u00faltima an\u00e1lise, a afirma\u00e7\u00e3o da China como pot\u00eancia mundial, preservando a mitologia comunista, se poss\u00edvel. <a href=\"#_edn158\" id=\"_ednref158\">[158]<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A integra\u00e7\u00e3o da China na economia global teve uma tentativa frustrada no in\u00edcio da d\u00e9cada de 80. A partir de uma leitura equivocada da \u201cnova divis\u00e3o internacional da teoria do trabalho\u201d se propuseram a construir quatro Zonas Econ\u00f4micas Especiais que, isoladas do restante do pa\u00eds, iriam funcionar como meio de exporta\u00e7\u00e3o dos produtos chineses e importa\u00e7\u00e3o de <em>know-how<\/em>. A tentativa era atrair as multinacionais, mas o que elas queriam eram o mercado chin\u00eas e a liberdade de poderem criar suas pr\u00f3prias redes de fornecedores de distribuidores. As empresas multinacionais restringiram investimentos e retiveram tecnologia, e n\u00e3o representaram as principais conex\u00f5es da China com o mercado mundial. Ent\u00e3o, por outra via, a China tem uma conex\u00e3o \u00e9tnica com o mercado mundial atrav\u00e9s de \u201credes de empresas chinesas\u201d que operam no exterior e os governos locais e prov\u00edncias da China\u201d.<a href=\"#_edn159\" id=\"_ednref159\">[159]<\/a> Uma vez estabelecidas estas redes o capital flui de v\u00e1rias partes do mundo provenientes das comunidades chinesas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 uma importante rela\u00e7\u00e3o entre os Estados desenvolvimentistas regionais chineses e os empres\u00e1rios burocr\u00e1ticos. O governo central chin\u00eas, na busca de desenvolvimento econ\u00f4mico, promoveu uma pol\u00edtica de reforma para cada localidade de acordo com as caracter\u00edsticas espec\u00edficas. Os governos regionais ganharam, ent\u00e3o, autonomia para exercer suas pol\u00edticas econ\u00f4micas. Com isto, os governos regionais \u201cinvestiram em novas empresas voltadas para o mercado, muitas vezes em <em>joint ventures<\/em> com investidores estrangeiros\u201d. Contudo, \u00e0 medida que a economia de mercado ia se expandindo, ficou cada vez mais dif\u00edcil exercer o controle pol\u00edtico sem criar o caos, devido a tr\u00eas motivos:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Primeiro, porque os centros de acumula\u00e7\u00e3o de capital estavam em grande parte nas m\u00e3os de uma constela\u00e7\u00e3o de empresas provinciais\/locais, diretamente ligadas a fontes financeiras e mercados externos. O segundo motivo refere-se ao r\u00e1pido crescimento de milhares de <em>gumin<\/em> (\u201cespeculadores fan\u00e1ticos por a\u00e7\u00f5es\u201d) que, utilizando-se da tecnologia da informa\u00e7\u00e3o para operar nas bolsas de valores de Pequim, Xangai e Shenzhen a partir de qualquer ponto da China, canalizavam recursos de poupan\u00e7a e driblavam os controles governamentais. E o terceiro motivo \u00e9 fundamental: o novo equil\u00edbrio do poder na China tomara a forma de um padr\u00e3o complexo de interdepend\u00eancia entre o governo central e as regi\u00f5es, interconectados pelo partido e pelo ex\u00e9rcito.<a href=\"#_edn160\" id=\"_ednref160\">[160]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas como foi a rela\u00e7\u00e3o da China com a crise de 1997? A China resistiu \u00e1 viol\u00eancia dos fluxos financeiros e foi a \u00fanica economia na regi\u00e3o que continuou crescendo a uma taxa elevada e teve ainda condi\u00e7\u00f5es de socorrer Hong Kong. Dois fatores explicam a resist\u00eancia da China: primeiro sua integra\u00e7\u00e3o limitada \u00e0 economia mundial; segundo, a administra\u00e7\u00e3o do ritmo de sua integra\u00e7\u00e3o no com\u00e9rcio mundial pelo governo.<a href=\"#_edn161\" id=\"_ednref161\">[161]<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alguns observadores pensam que o desenvolvimento na China est\u00e1 associado \u00e0 democracia. Mas n\u00e3o \u00e9 bem assim. A \u201crede de organiza\u00e7\u00f5es do Partido Comunista mant\u00e9m controle firme da maioria das associa\u00e7\u00f5es e express\u00f5es volunt\u00e1rias da vida c\u00edvica\u201d. H\u00e1 uma abertura e diversidade na m\u00eddia, mas dentro dos limites da corre\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. No fim do mil\u00eanio a China tem de enfrentar v\u00e1rios problemas, mas nenhum deles relacionados com a democracia. O mais importante deles se refere \u00e0 viabilidade do \u201cmodelo cingapuriano\u201d que l\u00edderes chineses parecem querer implementar. Portanto, ao que parece demonstrar, a inser\u00e7\u00e3o da China na economia mundial ser\u00e1 feita somente mediante controle r\u00edgido do Estado desenvolvimentista. \u00c9 bem capaz que diante de qualquer amea\u00e7a de instabilidade, o Estado chin\u00eas procure perpetuar-se sob forma de nacionalismo inflex\u00edvel.<a href=\"#_edn162\" id=\"_ednref162\">[162]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A regi\u00e3o do Pac\u00edfico Asi\u00e1tico, que na primeira metade da d\u00e9cada de 90 recebeu um fluxo formid\u00e1vel de capital, no ano de 97 sofre uma invers\u00e3o substancial neste fluxo. O impacto foi profundo, mas com conseq\u00fc\u00eancias diferentes para cada pa\u00eds. A raz\u00e3o est\u00e1 no modo como cada sociedade, atrav\u00e9s do Estado, lidou com a economia durante o per\u00edodo de desenvolvimento. O Jap\u00e3o foi um projeto nacionalista promovido pelo Estado. O modelo de desenvolvimento japon\u00eas est\u00e1 baseado na empresa em rede, na flexibilidade do mercado de trabalho, por\u00e9m havia pouca habilidade em lidar com a exposi\u00e7\u00e3o aos mercados financeiros globais. Cingapura um Estado praticamente sem sociedade civil, criou uma identidade nacional promovida pelo governo atrav\u00e9s de empresas multinacionais. O governo tinha bom controle dos movimentos financeiros. A Cor\u00e9ia do Sul caracterizada por um capitalismo oligopolista formado por grandes empresas, tinha uma economia voltada \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o. Taiwan um capitalismo flex\u00edvel baseado em empresas de pequeno porte, sem a presen\u00e7a maci\u00e7a de multinacionais. Hong Kong uma economia baseada em empresas de pequeno porte, mas com pouca interven\u00e7\u00e3o estatal, o principal papel do governo foi a estimula\u00e7\u00e3o do consumo. Na China, o processo de moderniza\u00e7\u00e3o foi e \u00e9 controlado pela delibera\u00e7\u00e3o do Estado, apesar de alguns erros na implementa\u00e7\u00e3o dos programas, resistiu firme \u00e0 viol\u00eancia dos fluxos de capitais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>5. A unifica\u00e7\u00e3o da Europa: globaliza\u00e7\u00e3o, identidade e o Estado em rede.<\/strong> Tomando a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia como objeto de an\u00e1lise, \u00e9 poss\u00edvel entender a rela\u00e7\u00e3o entre a globaliza\u00e7\u00e3o, identidade e o Estado em rede. A forma\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia \u00e9 conseq\u00fc\u00eancia de tr\u00eas rea\u00e7\u00f5es contra tr\u00eas amea\u00e7as observadas nas d\u00e9cadas de 50, 80 e 90. Nos tr\u00eas casos, o \u201cobjetivo era sobretudo pol\u00edtico, e os meios para alcan\u00e7ar esse objetivo eram acima de tudo medidas econ\u00f4micas\u201d. Em 1948 l\u00edderes europeus se reuniram em Haia para discutir a integra\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia. Desta data at\u00e9 1957 foram criadas a Comunidade Europ\u00e9ia do Carv\u00e3o e do A\u00e7o (CECA), em 1951, a Euratom e a Comunidade Econ\u00f4mica Europ\u00e9ia (CEE), em 1957. Em 1987, o Ato \u00fanico Europeu estabeleceu os passos rumo \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o do mercado comum europeu que vigoraria em 1992. Em 1991, foi assinado o Tratado de Maastricht que assumiu o compromisso da unifica\u00e7\u00e3o total da economia europ\u00e9ia.<a href=\"#_edn163\" id=\"_ednref163\">[163]<\/a> Esse processo de unifica\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia criou supranacionalidade de um lado e respeitou as diferen\u00e7as de outro, ou seja, permitiu:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">diferentes n\u00edveis de integra\u00e7\u00e3o dependendo dos pa\u00edses e dos problemas. Essa \u2018geometria vari\u00e1vel\u2019 de constru\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia, apesar de toda incoer\u00eancia, \u00e9 um instrumento essencial da constru\u00e7\u00e3o em si, uma vez que evita conflitos frontais entre os principais parceiros e, simultaneamente, permite que as institui\u00e7\u00f5es europ\u00e9ias enfrentem os desafios apresentados pelos dois processos que promovem a integra\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, se op\u00f5em a ela: a globaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e a identidade cultural.<a href=\"#_edn164\" id=\"_ednref164\">[164]<\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A integra\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia \u00e9 uma rea\u00e7\u00e3o ao processo de globaliza\u00e7\u00e3o, \u00e9 tamb\u00e9m prova de que:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A economia global n\u00e3o \u00e9 um sistema indistinto constitu\u00eddo de empresas e fluxos de capital, mas uma estrutura regionalizada em que as velhas institui\u00e7\u00f5es nacionais e as novas entidades supranacionais ainda desempenham um papel importante na organiza\u00e7\u00e3o da concorr\u00eancia econ\u00f4mica e na obten\u00e7\u00e3o, ou desperd\u00edcio, de seus benef\u00edcios. <a href=\"#_edn165\" id=\"_ednref165\">[165]<\/a>&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quatro dimens\u00f5es da globaliza\u00e7\u00e3o afetam a integra\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia. A principal delas \u00e9 a que se refere aos mercados financeiros e mercados monet\u00e1rios. A cria\u00e7\u00e3o do euro \u00e9 a tentativa de manter um equil\u00edbrio monet\u00e1rio e financeiro nas economias europ\u00e9ias. A segunda dimens\u00e3o \u00e9 a tecnologia da informa\u00e7\u00e3o, elemento essencial da capacidade produtiva das economias e do poder militar dos Estados. \u201cA tecnologia da informa\u00e7\u00e3o agora est\u00e1 globalizada de forma assim\u00e9trica, e a pertin\u00eancia das empresas e mercados europeus garantem a profunda integra\u00e7\u00e3o da Europa nas redes tecnol\u00f3gicas predominantes\u201d.<a href=\"#_edn166\" id=\"_ednref166\">[166]<\/a> Outras duas dimens\u00f5es importantes s\u00e3o a globaliza\u00e7\u00e3o e interdepend\u00eancia dos meios de comunica\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento de uma economia do crime global. Ambas conduzem a Europa para uma \u201c\u2018terra-de-ningu\u00e9m\u2019 onde crime, poder e dinheiro se interligam\u201d.<a href=\"#_edn167\" id=\"_ednref167\">[167]<\/a> Estas dimens\u00f5es da globaliza\u00e7\u00e3o trazem grandes conseq\u00fc\u00eancias para as sociedades europ\u00e9ias, e a principal \u00e9 o desmantelamento do Estado de bem-estar social.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A globaliza\u00e7\u00e3o est\u00e1 motivando rea\u00e7\u00f5es defensivas baseadas no princ\u00edpio de identidade territorial e nacional. Partes significativas da popula\u00e7\u00e3o da Europa tendem a afirmar suas na\u00e7\u00f5es contra a supranacionalidade da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia. A base dessa afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 a desconfian\u00e7a contra as institui\u00e7\u00f5es sobre a possibilidade real de se manter a identidade nacional. Tal inseguran\u00e7a \u00e9 alimentada pela multietnia e multiculturalismo crescentes nas sociedades europ\u00e9ias. Outra fonte de desconfian\u00e7a \u00e9 aquilo que veio ser rotulado como \u201cd\u00e9ficit democr\u00e1tico\u201d, ou seja, as decis\u00f5es sobre o rumo da unifica\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia s\u00e3o tomadas sem a participa\u00e7\u00e3o de suas respectivas sociedades. O fato \u00e9 que \u00e9 o nacionalismo e n\u00e3o o federalismo que est\u00e1 construindo a evolu\u00e7\u00e3o da integra\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia. E se isso acontece, surgir\u00e1 uma quest\u00e3o: qual na\u00e7\u00e3o ir\u00e1 servir de base para essa integra\u00e7\u00e3o? Talvez, venha existir uma integra\u00e7\u00e3o em torno da articula\u00e7\u00e3o social e institucional de dois princ\u00edpios: o pol\u00edtico (modelo franc\u00eas) e o <em>Volk<\/em>, em torno da l\u00edngua, (modelo alem\u00e3o). Enfim, a \u201cbusca pela identidade como ant\u00eddoto \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e \u00e0 priva\u00e7\u00e3o de direitos pol\u00edticos tamb\u00e9m permeia abaixo do Estado-na\u00e7\u00e3o\u201d.<a href=\"#_edn168\" id=\"_ednref168\">[168]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao \u201crefletirmos sobre as vis\u00f5es e os interesses contradit\u00f3rios que envolvem a unifica\u00e7\u00e3o da Europa e analisarmos a falta de entusiasmo entre os cidad\u00e3os da maioria dos pa\u00edses, parece milagre que o processo de integra\u00e7\u00e3o esteja em est\u00e1gio t\u00e3o avan\u00e7ado\u201d.<a href=\"#_edn169\" id=\"_ednref169\">[169]<\/a> Parte da explica\u00e7\u00e3o est\u00e1 no fato da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia n\u00e3o suplantar os Estados-na\u00e7\u00e3o, mas ser instrumento para a sua sobreviv\u00eancia sob a condi\u00e7\u00e3o de transfer\u00eancia de soberania em troca de uma voz mais ativa em assuntos internacionais e dom\u00e9sticos. Por\u00e9m, esta explica\u00e7\u00e3o precisa de uma express\u00e3o institucional e isso foi encontrada na \u201cgeometria complexa e vari\u00e1vel de institui\u00e7\u00f5es europ\u00e9ias que agrega o controle do processo decis\u00f3rio pelos governos nacionais\u201d. \u00c9 esta complexidade que permite a acomoda\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios interesses e pol\u00edticas. Quest\u00f5es como moeda \u00fanica, defesa militar, pol\u00edcia, gastos p\u00fablicos, com\u00e9rcio, resid\u00eancia, pol\u00edtica externa, meio ambiente, tributos e imigra\u00e7\u00e3o constituem esta complexidade que \u00e9 resolvida gra\u00e7as \u00e0 liberdade gerada pela flexibilidade das organiza\u00e7\u00f5es, permitindo que cada Estado possa decidir a n\u00edvel nacional como ir\u00e1 interagir com a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia. O elemento principal para estabelecer a legitimidade da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia \u00e9 exatamente a capacidade por parte de suas institui\u00e7\u00f5es de ligar-se a n\u00edveis subnacionais de governo.<a href=\"#_edn170\" id=\"_ednref170\">[170]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O processo real de relegitima\u00e7\u00e3o da Europa parece estar ocorrendo no surgimento de iniciativas locais e regionais, no desenvolvimento econ\u00f4mico, bem como nas express\u00f5es culturais e nos direitos sociais que estabelecem uma liga\u00e7\u00e3o horizontal entre si, ao mesmo tempo em que aderem a programas europeus de forma direta ou por interm\u00e9dio dos respectivos governos nacionais. <a href=\"#_edn171\" id=\"_ednref171\">[171]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A unifica\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia \u00e9 um processo que constr\u00f3i o Estado em rede. Este Estado \u00e9 caracterizado pelo compartilhamento de autoridade em rede. Rede tem n\u00f3s, e n\u00e3o centro. \u201cN\u00f3s podem ser de tamanhos diferentes e estar ligados por rela\u00e7\u00f5es assim\u00e9tricas na rede, de tal forma que o Estado em rede n\u00e3o impede a exist\u00eancia de desigualdades pol\u00edticas entre seus membros\u201d. N\u00e3o obstante essas assimetrias, \u201cos v\u00e1rios n\u00f3s do Estado em rede europeu s\u00e3o interdependentes, de forma que nenhum n\u00f3, nem o mais poderoso, pode ignorar os outros, nem mesmo os menores, no processo decis\u00f3rio. Se alguns n\u00f3s pol\u00edticos o fizerem, todo o sistema \u00e9 questionado\u201d.<a href=\"#_edn172\" id=\"_ednref172\">[172]<\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enfim, o que existe? Identidade europ\u00e9ia ou projeto europeu? \u00c9 pouco prov\u00e1vel a aceita\u00e7\u00e3o da unifica\u00e7\u00e3o aconte\u00e7a fundamentando-se apenas nos interesses instrumentais de administrar a globaliza\u00e7\u00e3o. E, se for ligado \u00e0 identidade e esta ficar somente a n\u00edvel nacional, regional e local, talvez a unifica\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia n\u00e3o passe de um mercado comum igual a outros existentes pelo mundo. A longo prazo, esta uni\u00e3o requer identidade europ\u00e9ia, mas esta n\u00e3o existe e n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil constru\u00ed-la. Todavia, pode ser constru\u00edda n\u00e3o em oposi\u00e7\u00e3o, mas como forma de complementar as identidades nacionais, regionais e locais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para finalizar, a unifica\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia \u00e9 fruto de rea\u00e7\u00f5es a processos no cen\u00e1rio global. O primeiro objetivo era se livrar da guerra, mas \u00e0 medida que a globaliza\u00e7\u00e3o se ampliou, estas rea\u00e7\u00f5es procuram, atrav\u00e9s do compartilhamento de poder, criar um campo de prote\u00e7\u00e3o em volta da Europa, mesmo que internamente aja muita diverg\u00eancia, principalmente porque cada Estado \u00e9 historicamente moldado por um nacionalismo espec\u00edfico. Devido a isto, e tamb\u00e9m \u00e0s condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas de cada pa\u00eds, n\u00edveis diferentes de integra\u00e7\u00e3o criam uma geometria vari\u00e1vel na Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, formando o que pode ser considerado de Estados em rede. As principais dimens\u00f5es destes Estados s\u00e3o a implementa\u00e7\u00e3o de uma moeda \u00fanica, elevado grau no uso da tecnologia da informa\u00e7\u00e3o, e globaliza\u00e7\u00e3o e interdepend\u00eancia dos meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois desta leitura do volume III, acredito que posso apontar quais s\u00e3o os principais aspectos da teoria de Castells presentes na sua interpreta\u00e7\u00e3o sobre o fim de mil\u00eanio. Para definir melhor o que pretendo dizer, vale lembrar que no volume I Castells apresenta a sociedade em rede estruturada pelas tecnologias da informa\u00e7\u00e3o que conectam, ou desconectam, de indiv\u00edduos a pa\u00edses inteiros e no volume II apresenta o poder da identidade presente nos sujeitos coletivos, ou n\u00e3o, como express\u00e3o de uma rea\u00e7\u00e3o a um advers\u00e1rio. Os dois primeiros volumes d\u00e3o conta de apresentar uma sociedade em rede polarizada por dois conjuntos de sujeitos coletivos que negam-se um ao outro. O que \u00e9, ent\u00e3o, a interpreta\u00e7\u00e3o de fim de mil\u00eanio? \u00c9 uma interpreta\u00e7\u00e3o macrossocial e macropol\u00edtica valendo-se da combina\u00e7\u00e3o da an\u00e1lise da sociedade em rede (volume I) com a an\u00e1lise das identidades (volume II). Castells apresenta na sua interpreta\u00e7\u00e3o de fim de mil\u00eanio a combina\u00e7\u00e3o entre a transforma\u00e7\u00e3o causada pelo informacionalismo e a transforma\u00e7\u00e3o causada pelo poder da identidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, a an\u00e1lise sobre a crise do estatismo e o colapso da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica revela a rela\u00e7\u00e3o entre globaliza\u00e7\u00e3o, rede informacional, nacionalismo e etnias de um lado, e estatismo, comunismo, Partido Comunista e burocracia de outro. Mostra a intera\u00e7\u00e3o entre estes sujeitos at\u00e9 que a queda do sistema deixou um vazio ideol\u00f3gico e institucional, preenchido pela rede global informacional que conectou seletivamente os n\u00f3s relevantes para os fluxos globais de riqueza e poder, os novos capitalistas, e deixou tamb\u00e9m uma combina\u00e7\u00e3o de Estados nacionais interligados em v\u00e1rios aspectos infra-estruturais, formando uma rede inextrinc\u00e1vel. Houve uma corros\u00e3o por dentro e a fragmenta\u00e7\u00e3o do Estatismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A an\u00e1lise sobre o surgimento do quarto mundo revela a rela\u00e7\u00e3o entre a rede global e as massas de pobres e miser\u00e1veis. A rede desconectou uma grande popula\u00e7\u00e3o do mundo que vai de imensas regi\u00f5es da \u00c1frica a guetos dentro da cidade de Nova Iorque, bem no cora\u00e7\u00e3o do capitalismo. A desconex\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 seletiva por ra\u00e7a, classe e etnia. O quarto mundo \u00e9 o p\u00f3lo fr\u00e1gil. T\u00e3o fr\u00e1gil que n\u00e3o mais pertence \u00e0 rede, somente \u00e9 afetado por ela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A an\u00e1lise sobre o crime global revelou a forma\u00e7\u00e3o de uma rede permeada de conex\u00f5es das mais variadas poss\u00edveis e com um poder sem precedentes. Nenhuma rede do crime organizado \u00e9 global, mas tem conex\u00f5es globais com outras redes criminosas, e com isto, amplia seu poder para atuar em todo a superf\u00edcie do planeta atrav\u00e9s de alian\u00e7as estrat\u00e9gicas. O narcotr\u00e1fico, por exemplo, estabelece a sua base de opera\u00e7\u00f5es e controle num Estado fragilizado institucionalmente como a Col\u00f4mbia e se conecta globalmente com a m\u00e1fia italiana e com as redes de crime organizado na R\u00fassia e nos Estados Unidos, al\u00e9m de conectar alguns indiv\u00edduos de sua pr\u00f3pria sociedade no trabalho de cultivo da coca e desconectar outros atrav\u00e9s de assassinatos na lutas pelo comando do tr\u00e1fico. O crime organizado se conecta tamb\u00e9m com os poderes institucionalizado do Estado e \u00e9 altamente favorecido pela identidade \u00e9tnica, territorial e cultural em sua forma de funcionamento. \u00c9 um tipo de sujeito social que soube muito bem se adaptar \u00e0s caracter\u00edsticas da sociedade informacional, como a forma\u00e7\u00e3o de redes e o uso de tecnologias. O crime organizado cria os mais diversos v\u00ednculos porque \u00e9 capaz de inserir na sua rede desde o mais simples cidad\u00e3o a um pol\u00edtico, ou empres\u00e1rio, de alto renome nacional.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A an\u00e1lise da regi\u00e3o do Pac\u00edfico asi\u00e1tico revelou a rela\u00e7\u00e3o entre os Estados desenvolvimentistas e a globaliza\u00e7\u00e3o. Este \u00e9 o p\u00f3lo forte da rede. A geometria assim\u00e9trica e vari\u00e1vel da rede \u00e9 conseq\u00fc\u00eancia da forma espec\u00edfica de intera\u00e7\u00e3o de cada uma destas sociedades asi\u00e1ticas com a rede informacional global. Na regi\u00e3o do Pac\u00edfico cada governo comandou a transi\u00e7\u00e3o para o informacionalismo \u00e0 sua maneira. Da\u00ed surgiram economias mais e menos flex\u00edveis e que sofreram mais ou menos o impacto da crise de 1997. As conseq\u00fc\u00eancias para cada uma dependeram do grau de conectividade de cada na\u00e7\u00e3o ao sistema global de circula\u00e7\u00e3o de capital. O nacionalismo, o comunalismo e o sistema pol\u00edtico foram fatores determinantes para a dire\u00e7\u00e3o tomada para cada na\u00e7\u00e3o.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A an\u00e1lise sobre a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia revela uma intrigante possibilidade da forma\u00e7\u00e3o de um sistema de Estados em rede. Os cinq\u00fcenta e poucos anos de hist\u00f3ria do processo de forma\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia t\u00e1 apontando para um conv\u00edvio pac\u00edfico entre as diversas na\u00e7\u00f5es, Estados, culturas e etnias gra\u00e7as \u00e0 capacidade de integra\u00e7\u00e3o em diferentes n\u00edveis dos sujeitos envolvidos. A Europa, cuja hist\u00f3ria \u00e9 marcada por violentas guerras entre suas na\u00e7\u00f5es, \u00e9 hoje protagonista de um processo que combina multiculturas, multietnias, Estados, comunidades, na\u00e7\u00f5es, cidades numa rela\u00e7\u00e3o multin\u00edvel, em que ora os sujeitos se entrincheiram atr\u00e1s do nacionalismo, ora se predisp\u00f5e a cooperar com aquilo que talvez seja a mais complexa forma de conviv\u00eancia entre na\u00e7\u00f5es, gra\u00e7as ao alto grau de flexibilidade nas conex\u00f5es entre os seus n\u00f3s. Ou seja, entre as institui\u00e7\u00f5es supranacionais da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia e os governos locais, sem a interfer\u00eancia do governo nacional.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enfim, redes, n\u00f3s, fluxos, conex\u00e3o, desconex\u00e3o, adaptabilidade, flexibilidade, seletividade, fragmenta\u00e7\u00e3o e segmenta\u00e7\u00e3o, nacionalismo, culturalismo, comunalismo, ra\u00e7a, etnia, classe e Estado, entre outros, percorrem todos os pontos de sua teoria na an\u00e1lise do fim de mil\u00eanio. Acredito que \u00e9 ora de uma s\u00edntese final sobre a teoria da sociedade em rede como meio de certifica\u00e7\u00e3o da proposta inicial: <em>a intelec\u00e7\u00e3o da teoria da sociedade em rede de Manuel Castells<\/em>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>CONCLUS\u00c3O<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A teoria da <em>sociedade em rede<\/em> de Manuel Castells \u00e9, com certeza, atual e hipercomplexa. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio cuidado para n\u00e3o transform\u00e1-la numa \u201cesquizofrenia sociol\u00f3gica\u201d, isto \u00e9, num emaranhado de conceitos e rela\u00e7\u00f5es desorientados e sem sentido. Vou arriscar uma conclus\u00e3o que consiga agrupar os principais aspectos da teoria e, assim, tornar este texto ponto de partida para uma compreens\u00e3o mais espec\u00edfica e mais elaborada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O aspecto geral apresentado pela teoria \u00e9 sua estrutura\u00e7\u00e3o em redes, nas l\u00f3gicas hier\u00e1rquica e relacional de fluxos. Redes s\u00e3o compostas por n\u00f3s entrecortados por curvas. A din\u00e2mica b\u00e1sica da rede \u00e9 uma polariza\u00e7\u00e3o que impulsiona para o topo da hierarquia os elementos mais relevantes e pressiona para baixo aqueles de menor valor de acordo com os valores pertinentes da rede. H\u00e1 uma oposi\u00e7\u00e3o entre a rede abstrata (global e informacional) formada pelas rela\u00e7\u00f5es (fluxos) dos sujeitos dominantes e os sujeitos de mat\u00e9ria viva. No arcabou\u00e7o te\u00f3rico apresentado por Castells, s\u00e3o v\u00e1rias redes. No topo da hierarquia, a principal, a rede global funcionando em tempo real. Na base, existem redes subjacentes \u00e0 rede global. Entre o topo e a base outras redes est\u00e3o posicionadas em diferentes n\u00edveis. Estas redes ora operam com uma l\u00f3gica integradora, ora op\u00f5em-se.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No topo, a rede global informacional baseada na capacidade integradora das tecnologias da informa\u00e7\u00e3o\/comunica\u00e7\u00e3o. Sua mat\u00e9ria-prima principal s\u00e3o fluxos de informa\u00e7\u00e3o, poder e riqueza. A rede \u00e9 flex\u00edvel, adapt\u00e1vel e seletiva. A rede global informacional se forma a partir de fluxos interc\u00e2mbiados emitidos por centros de controle (\u201cespa\u00e7os de fluxos\u201d, n\u00f3s) espalhados em diversos pontos do planeta. Estes fluxos conectam os mais diversos n\u00f3s, desde que possuam a mesma l\u00f3gica, numa estrutura aberta ao infinito, permitindo uma a\u00e7\u00e3o integrada a n\u00edvel mundial em tempo real. A maneira como as sociedades interagem com a Revolu\u00e7\u00e3o da Tecnologia da informa\u00e7\u00e3o, facilitando ou dificultando a penetra\u00e7\u00e3o desta tecnologia na economia e em outros aspectos da vida social, formata a rede numa geometria vari\u00e1vel. E, como exemplo, a economia global informacional \u00e9 estruturada de forma assim\u00e9trica em tr\u00eas p\u00f3los principais (EUA, Europa e Jap\u00e3o). Esta informacionalidade constru\u00edda pelas redes eletr\u00f4nicas modificou completamente a forma dos homens agirem em todos os sentidos da vida, principalmente padronizando e intensificando a a\u00e7\u00e3o humana, e isto tornou sociedade em rede altamente dependente das tecnologias da informa\u00e7\u00e3o. E a forma de conex\u00e3o vai depender da cultura, pol\u00edtica, tradi\u00e7\u00f5es, institui\u00e7\u00f5es e especificidade hist\u00f3rica de cada sociedade. Este \u00e9 um aspecto do conceito geral da rede.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na base, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 rede global informacional, existem v\u00e1rias redes sociais baseada no entrincheiramento do Ser em torno de comunidades prim\u00e1rias. S\u00e3o redes fundamentalistas, movimentos sociais, movimento ambientalista, movimento feminista e mil\u00edcias compartilhando significados a partir de alguns princ\u00edpios como a religi\u00e3o, o territ\u00f3rio, a natureza, a na\u00e7\u00e3o e a l\u00edngua. Os diversos contextos sociais em que est\u00e1 inserido cada ser coletivo d\u00e3o origem a movimentos espec\u00edficos de acordo com sua hist\u00f3ria e geografia. Todos possuem um objetivo social a ser alcan\u00e7ado e um inimigo a ser derrotado contra o qual resistem com todas as suas for\u00e7as. A globaliza\u00e7\u00e3o est\u00e1 entre os principais. Estas redes fazem uso da tecnologia da informa\u00e7\u00e3o\/comunica\u00e7\u00e3o para ampliar seu poder. A m\u00eddia eletr\u00f4nica \u00e9 uma poderosa ferramenta de express\u00e3o da identidade. Tudo isso, levando-se em conta a fraqueza do Estado e a crise da democracia, tem propiciado terreno f\u00e9rtil para o aparecimento de m\u00faltiplas identidades na sociedade em rede. A constru\u00e7\u00e3o da identidade quando analisada de acordo com a teoria \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de n\u00f3s espec\u00edficos (grupos, movimentos, processos) que interagem com a rede global. Existe uma composi\u00e7\u00e3o de redes subjacentes \u00e0 rede global. Esta \u00e9 imagem que se apresenta na constru\u00e7\u00e3o da identidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No interm\u00e9dio, diversas redes com as mais diferentes caracter\u00edsticas completam a complexa sociedade informacional. O informacionalismo potencializa as redes e sua l\u00f3gica afeta todo o planeta. Sociedades como a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica podem n\u00e3o entender a l\u00f3gica informacional da rede global. Regi\u00f5es pobres (n\u00e3o considerando somente a riqueza material, mas cultural tamb\u00e9m) de v\u00e1rias partes do mundo podem ser exclu\u00eddas do mapa informacional. Ao contr\u00e1rio, outras regi\u00f5es em desenvolvimento se conectam \u00e0 rede global, de acordo com as mais variadas l\u00f3gicas sociais, expandindo a arquitetura e mudando a geometria da rede. Tamb\u00e9m regi\u00f5es ricas como a Europa, que \u00e9 um poderoso n\u00f3, se configura em rede para contornar obst\u00e1culos tanto internos como externos. Mas a potencialidade das redes depende das atividades que exercem. Da\u00ed que redes de narcotraficantes e redes de crime organizado possuem mais energia diante de Estados fr\u00e1geis, como a Col\u00f4mbia. Estas redes dinamizam seu funcionamento ao acessar mercados poderosos, gra\u00e7as a conex\u00f5es ao modelo da empresa em rede. Enfim, cultura, institui\u00e7\u00f5es, Estado, etnia constroem os mais diferentes v\u00ednculos e influenciam a configura\u00e7\u00e3o das redes. Esta \u00e9 a id\u00e9ia passada pela interpreta\u00e7\u00e3o de fim de mil\u00eanio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como \u00faltimas palavras, quero fazer a refer\u00eancia final ao trabalho de Castells para complementar os par\u00e1grafos acima e este trabalho como um todo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As redes organizam as posi\u00e7\u00f5es nas sociedades e nas economias. A relev\u00e2ncia social est\u00e1 condicionada por sua presen\u00e7a ou aus\u00eancia nas redes espec\u00edficas. A aus\u00eancia na rede dominante leva a uma estrutura irrelevante. Somente viver nas redes permite ter acesso \u00e0 exist\u00eancia social de acordo com os valores e interesses estruturalmente dominantes. Pelo fato de serem formadas em sociedades desiguais, segmentos da sociedade, grupos sociais e individuais, a distin\u00e7\u00e3o social mais importante se refere \u00e1 posi\u00e7\u00e3o dada em uma rede.<a href=\"#_edn173\" id=\"_ednref173\">[173]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 tamb\u00e9m importantes diferen\u00e7as dentro das redes e entre elas em termos da import\u00e2ncia estrutural dos fluxos gerados em tais redes (ou em algumas posi\u00e7\u00f5es das redes) por alguns objetivos dados ao sistema. A hierarquia estrutural entre redes e a hierarquia entre posi\u00e7\u00f5es dentro dos fluxos das redes determinam a habilidade para influenciar a l\u00f3gica social total desde uma postura particular.<a href=\"#_edn174\" id=\"_ednref174\">[174]<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este trabalho, cujo tema \u00e9 <em>a intelec\u00e7\u00e3o da teoria da sociedade em rede de Manuel Castells<\/em>, permite uma compreens\u00e3o bastante razo\u00e1vel sobre a aplica\u00e7\u00e3o de uma teoria sociol\u00f3gica na pesquisa s\u00f3cio-cient\u00edfica. E, tamb\u00e9m, acredito que transmite uma vis\u00e3o bem completa e bons conhecimentos sobre esta relevante teoria.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[a]<\/a>&nbsp; Ao aplicar o conceito de rede, fa\u00e7o de forma abstrata, sem a preocupa\u00e7\u00e3o de precisar seu contexto social. H\u00e1 de se entender que geralmente Castells aplica o conceito especificando qual \u00e9 o tipo de rede que se refere.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[b]<\/a> Castells se refere ao trabalho de Claude Fischer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[c]<\/a> CMC: comunica\u00e7\u00e3o mediada por computador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[d]<\/a> <em>Identidade legitimadora<\/em>: introduzida pelas institui\u00e7\u00f5es dominantes da sociedade no intuito de expandir e racionalizar sua domina\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos atores sociais, tema este que est\u00e1 no cerne da teoria de autoridade e domina\u00e7\u00e3o de Sennett, e se aplica a diversas teorias do nacionalismo. (CASTELLS, 2000. V. II, p. 24)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[e]<\/a> <em>Identidade de resist\u00eancia<\/em>: \u201ccriada por atores que se encontram em posi\u00e7\u00f5es\/condi\u00e7\u00f5es desvalorizadas e\/ou estigmatizadas pela l\u00f3gica da domina\u00e7\u00e3o, construindo, assim, trincheiras de resist\u00eancia e sobreviv\u00eancia com base em princ\u00edpios diferentes dos que permeiam as institui\u00e7\u00f5es da sociedade, ou mesmo opostos a estes \u00faltimos, conforme prop\u00f5e Calhoun ao explicar o surgimento da pol\u00edtica de identidade\u201d. (CASTELLS, 2000. V. II, p. 24).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[f]<\/a> <em>Identidade de projetos<\/em>: \u201cquando os atores sociais, utilizando-se de qualquer tipo de material cultural ao seu alcance, constroem uma nova identidade capaz de redefinir sua posi\u00e7\u00e3o na sociedade e, ao faz\u00ea-lo, de buscar a transforma\u00e7\u00e3o&nbsp; [ <em>sic<\/em> ] de toda a estrutura social. Esse \u00e9 o caso, por exemplo, do feminismo que abandona as trincheiras de resist\u00eancia da identidade e dos direitos da mulher para fazer frente ao patriarcalismo, \u00e0 fam\u00edlia patriarcal e, assim, a toda a estrutura de produ\u00e7\u00e3o, reprodu\u00e7\u00e3o, sexualidade e personalidade sobre a qual as sociedades historicamente se estabelecem\u201d. (Idem).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\">[g]<\/a> Castells, baseado em Alain Touraine, define sujeito n\u00e3o como indiv\u00edduos, s\u00e3o atores sociais coletivos pelos quais os indiv\u00edduos atingem o significado hol\u00edstico em sua experi\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\">[h]<\/a> No intuito de tornar mais clara a exposi\u00e7\u00e3o, preferi usar o termo \u201coposi\u00e7\u00e3o\u201d a ter que aplicar \u201centrincheiramento\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref9\" id=\"_ftn9\">[i]<\/a> Uma passagem r\u00e1pida pela hist\u00f3ria da seita nos ajuda a entender melhor. Asahara, seu l\u00edder, nasceu cego e construiu sua reputa\u00e7\u00e3o dizendo \u00e0 m\u00eddia que tinha poderes sobrenaturais. Enveredou-se pela \u00e1rea dos efeitos especiais visuais. Tentou ingressar na pol\u00edtica com prop\u00f3sitos de transformar a sociedade. Frente ao fracasso, se voltou contra o governo. Tomando a linha apocal\u00edptica, anunciou uma guerra nuclear na qual morreria 90% da popula\u00e7\u00e3o. Montou, ent\u00e3o, uma empresa e passou a fabricar armas biol\u00f3gicas e qu\u00edmicas. Importou um helic\u00f3ptero e tanques do mercado negro russo e passou a se dedicar em projetos de constru\u00e7\u00e3o de armas tecnol\u00f3gicas, inclusive a <em>laser<\/em> teleguiadas. Diante de tudo isso, ele sua seita fundaram um Estado paralelo.[i] (CASTELLS, 2000, p. 125 e 126)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref10\" id=\"_ftn10\">[j]<\/a> PRI: Partido Revolucion\u00e1rio Institucional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref11\" id=\"_ftn11\">[k]<\/a> <em>Estatismo<\/em>: sistema social organizado em torno da apropria\u00e7\u00e3o do excedente econ\u00f4mico produzido na sociedade pelos detentores do poder no aparato do Estado. (CASTELLS, V. III, p. 26)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref12\" id=\"_ftn12\">[l]<\/a> <em>Industrialismo<\/em>: mecanismo de desenvolvimento em que as principais fontes de produtividade consistem no aumento quantitativo dos fatores de produ\u00e7\u00e3o (capital, trabalho e recursos naturais), juntamente com a utiliza\u00e7\u00e3o de novas fontes de energia. (CASTELLS, V. III, p. 27)<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref1\" id=\"_edn1\"><\/a>REFER\u00caNCIAS<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">[1] CASTELLS, 2000. V. I, p. 498.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref2\" id=\"_edn2\">[2]<\/a> CASTELLS, 1996, p. 23.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref3\" id=\"_edn3\">[3]<\/a> CASTELLS, 2000. V. I. p. 436.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref4\" id=\"_edn4\">[4]<\/a> Idem, p. 437\u2014439.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref5\" id=\"_edn5\">[5]<\/a> Idem, p. 498.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref6\" id=\"_edn6\">[6]<\/a> CASTELLS, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref7\" id=\"_edn7\">[7]<\/a> Idem, p. 189.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref8\" id=\"_edn8\">[8]<\/a> CASTELLS, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref9\" id=\"_edn9\">[9]<\/a> Idem, p. 123.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref10\" id=\"_edn10\">[10]<\/a> CASTELLS, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref11\" id=\"_edn11\">[11]<\/a> Idem, p. 354.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref12\" id=\"_edn12\">[12]<\/a> Idem, p. 386 e 387.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref13\" id=\"_edn13\">[13]<\/a> Idem, p. 387.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref14\" id=\"_edn14\">[14]<\/a> Idem, p. 466.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref15\" id=\"_edn15\">[15]<\/a> Idem, p. 111.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref16\" id=\"_edn16\">[16]<\/a> CASTELLS, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref17\" id=\"_edn17\">[17]<\/a> Idem, p. 405.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref18\" id=\"_edn18\">[18]<\/a> Idem, p. 412.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref19\" id=\"_edn19\">[19]<\/a> Idem, p. 87 e 88.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref20\" id=\"_edn20\">[20]<\/a> Idem, p. 110 e 111.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref21\" id=\"_edn21\">[21]<\/a> Idem, p. 189.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref22\" id=\"_edn22\">[22]<\/a> CASTELLS, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref23\" id=\"_edn23\">[23]<\/a> Idem, p. 263.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref24\" id=\"_edn24\">[24]<\/a> Idem, p. 264.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref25\" id=\"_edn25\">[25]<\/a> CASTELLS, 2000. V. II, p. 22.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref26\" id=\"_edn26\">[26]<\/a> Idem, p. 23<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref27\" id=\"_edn27\">[27]<\/a> Idem, p. 135.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref28\" id=\"_edn28\">[28]<\/a> Idem, p.32.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref29\" id=\"_edn29\">[29]<\/a> Idem, p. 33.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref30\" id=\"_edn30\">[30]<\/a> CASTELLS, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref31\" id=\"_edn31\">[31]<\/a> Idem, p. 42.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref32\" id=\"_edn32\">[32]<\/a> Idem, p. 43.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref33\" id=\"_edn33\">[33]<\/a> Idem, p. 53.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref34\" id=\"_edn34\">[34]<\/a> CASTELLS, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref35\" id=\"_edn35\">[35]<\/a> Idem, p. 132.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref36\" id=\"_edn36\">[36]<\/a> Idem, p. 84.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref37\" id=\"_edn37\">[37]<\/a> Idem, p. 145.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref38\" id=\"_edn38\">[38]<\/a> Idem, p. 203.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref39\" id=\"_edn39\">[39]<\/a> CASTELLS, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref40\" id=\"_edn40\">[40]<\/a> Idem, p. 246.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref41\" id=\"_edn41\">[41]<\/a> Idem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref42\" id=\"_edn42\">[42]<\/a> Idem, p. 46.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref43\" id=\"_edn43\">[43]<\/a> CASTELLS, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref44\" id=\"_edn44\">[44]<\/a> Idem, p. 59 e 60.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref45\" id=\"_edn45\">[45]<\/a> CASTELLS, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref46\" id=\"_edn46\">[46]<\/a> Idem, p. 159.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref47\" id=\"_edn47\">[47]<\/a> Idem, p. 160.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref48\" id=\"_edn48\">[48]<\/a> CASTELLS, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref49\" id=\"_edn49\">[49]<\/a> Idem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref50\" id=\"_edn50\">[50]<\/a> Idem, p. 39.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref51\" id=\"_edn51\">[51]<\/a> CASTELLS, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref52\" id=\"_edn52\">[52]<\/a> Idem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref53\" id=\"_edn53\">[53]<\/a> Idem, p. 75.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref54\" id=\"_edn54\">[54]<\/a> Idem, p. 76.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref55\" id=\"_edn55\">[55]<\/a> CASTELLS, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref56\" id=\"_edn56\">[56]<\/a> Idem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref57\" id=\"_edn57\">[57]<\/a> Idem, p. 78.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref58\" id=\"_edn58\">[58]<\/a> CASTELLS, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref59\" id=\"_edn59\">[59]<\/a> Idem, p., p. 127.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref60\" id=\"_edn60\">[60]<\/a> Idem, p., p. 220.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref61\" id=\"_edn61\">[61]<\/a> CASTELLS, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref62\" id=\"_edn62\">[62]<\/a> Idem, p. 237 e 238.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref63\" id=\"_edn63\">[63]<\/a> Idem, p. 219.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref64\" id=\"_edn64\">[64]<\/a> CASTELLS, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref65\" id=\"_edn65\">[65]<\/a> Idem, p. 255.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref66\" id=\"_edn66\">[66]<\/a> Idem, p, 275.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref67\" id=\"_edn67\">[67]<\/a> Idem, p. 68.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref68\" id=\"_edn68\">[68]<\/a> CASTELLS, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref69\" id=\"_edn69\">[69]<\/a> Idem, p. 150.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref70\" id=\"_edn70\">[70]<\/a> Idem, p. 166.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref71\" id=\"_edn71\">[71]<\/a> CASTELLS, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref72\" id=\"_edn72\">[72]<\/a> Idem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref73\" id=\"_edn73\">[73]<\/a> Idem, p. 133 e 134.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref74\" id=\"_edn74\">[74]<\/a> Idem, p. 150.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref75\" id=\"_edn75\">[75]<\/a> Idem, p. 161.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref76\" id=\"_edn76\">[76]<\/a> Idem, p. 243.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref77\" id=\"_edn77\">[77]<\/a> Idem, p. 245.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref78\" id=\"_edn78\">[78]<\/a> Idem, p. 96.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref79\" id=\"_edn79\">[79]<\/a> CASTELLS, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref80\" id=\"_edn80\">[80]<\/a> Idem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref81\" id=\"_edn81\">[81]<\/a> Idem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref82\" id=\"_edn82\">[82]<\/a> Idem, p. 219.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref83\" id=\"_edn83\">[83]<\/a> Idem, p. 220 e 222.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref84\" id=\"_edn84\">[84]<\/a> CASTELLS, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref85\" id=\"_edn85\">[85]<\/a> Idem, p. 211.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref86\" id=\"_edn86\">[86]<\/a> CASTELLS, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref87\" id=\"_edn87\">[87]<\/a> Idem, p. 287.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref88\" id=\"_edn88\">[88]<\/a> Idem, p. 293.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref89\" id=\"_edn89\">[89]<\/a> Idem, p. 396.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref90\" id=\"_edn90\">[90]<\/a> CASTELLS, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref91\" id=\"_edn91\">[91]<\/a> Idem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref92\" id=\"_edn92\">[92]<\/a> Idem, p. 321.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref93\" id=\"_edn93\">[93]<\/a> Idem, p. 353.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref94\" id=\"_edn94\">[94]<\/a> Idem, p. 353.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref95\" id=\"_edn95\">[95]<\/a> Idem, p. 365 e 366.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref96\" id=\"_edn96\">[96]<\/a> Idem, p. 374.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref97\" id=\"_edn97\">[97]<\/a> Idem, p. 402.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref98\" id=\"_edn98\">[98]<\/a> Idem, p. 408.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref99\" id=\"_edn99\">[99]<\/a> Idem, p. 366.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref100\" id=\"_edn100\">[100]<\/a> Idem, p. 65.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref101\" id=\"_edn101\">[101]<\/a> Idem. V. II, p. 26.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref102\" id=\"_edn102\">[102]<\/a> CASTELLS, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref103\" id=\"_edn103\">[103]<\/a> Idem, p. 56 e 57.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref104\" id=\"_edn104\">[104]<\/a> Idem, p. 86.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref105\" id=\"_edn105\">[105]<\/a> Idem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref106\" id=\"_edn106\">[106]<\/a> Idem, p. 66.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref107\" id=\"_edn107\">[107]<\/a> Idem, p. 77.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref108\" id=\"_edn108\">[108]<\/a> Idem, p. 115.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref109\" id=\"_edn109\">[109]<\/a> Idem, p. 116.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref110\" id=\"_edn110\">[110]<\/a> Idem, p. 117.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref111\" id=\"_edn111\">[111]<\/a> CASTELLS, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref112\" id=\"_edn112\">[112]<\/a> Idem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref113\" id=\"_edn113\">[113]<\/a> Idem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref114\" id=\"_edn114\">[114]<\/a> Idem, p. 154.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref115\" id=\"_edn115\">[115]<\/a> CASTELLS, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref116\" id=\"_edn116\">[116]<\/a> Idem, p. 172.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref117\" id=\"_edn117\">[117]<\/a> CASTELLS, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref118\" id=\"_edn118\">[118]<\/a> Idem, p. 185.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref119\" id=\"_edn119\">[119]<\/a> Idem, p. 186.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref120\" id=\"_edn120\">[120]<\/a> CASTELLS, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref121\" id=\"_edn121\">[121]<\/a> Idem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref122\" id=\"_edn122\">[122]<\/a> Idem, p. 191.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref123\" id=\"_edn123\">[123]<\/a> Idem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref124\" id=\"_edn124\">[124]<\/a> Idem, p. 194.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref125\" id=\"_edn125\">[125]<\/a> Idem, p. 203.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref126\" id=\"_edn126\">[126]<\/a> CASTELLS, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref127\" id=\"_edn127\">[127]<\/a> Idem, p. 205.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref128\" id=\"_edn128\">[128]<\/a> Idem, p. 217.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref129\" id=\"_edn129\">[129]<\/a> Idem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref130\" id=\"_edn130\">[130]<\/a> Idem, p. 218.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref131\" id=\"_edn131\">[131]<\/a> Idem, p. 222.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref132\" id=\"_edn132\">[132]<\/a> Idem, p. 223.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref133\" id=\"_edn133\">[133]<\/a> CASTELLS, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref134\" id=\"_edn134\">[134]<\/a> Idem, p. 227.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref135\" id=\"_edn135\">[135]<\/a> CASTELLS, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref136\" id=\"_edn136\">[136]<\/a> Idem, p. 238.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref137\" id=\"_edn137\">[137]<\/a> CASTELLS, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref138\" id=\"_edn138\">[138]<\/a> Idem, p. 239.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref139\" id=\"_edn139\">[139]<\/a> Idem, p. 240.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref140\" id=\"_edn140\">[140]<\/a> Idem, p. 223.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref141\" id=\"_edn141\">[141]<\/a> CASTELLS, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref142\" id=\"_edn142\">[142]<\/a> Idem, p. 256.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref143\" id=\"_edn143\">[143]<\/a> Idem, p. 257.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref144\" id=\"_edn144\">[144]<\/a> Idem, p. 260 e 261.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref145\" id=\"_edn145\">[145]<\/a> Idem, p. 262.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref146\" id=\"_edn146\">[146]<\/a> CASTELLS, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref147\" id=\"_edn147\">[147]<\/a> Idem, p. 296\u2014300.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref148\" id=\"_edn148\">[148]<\/a> CASTELLS, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref149\" id=\"_edn149\">[149]<\/a> Idem, p. 304\u2014308.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref150\" id=\"_edn150\">[150]<\/a> CASTELLS, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref151\" id=\"_edn151\">[151]<\/a> Idem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref152\" id=\"_edn152\">[152]<\/a> Idem, p. 328.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref153\" id=\"_edn153\">[153]<\/a> CASTELLS, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref154\" id=\"_edn154\">[154]<\/a> Idem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref155\" id=\"_edn155\">[155]<\/a> Idem, p. 340\u2014347.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref156\" id=\"_edn156\">[156]<\/a> Idem, p. 349.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref157\" id=\"_edn157\">[157]<\/a> Idem, p. 350.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref158\" id=\"_edn158\">[158]<\/a> Idem, p. 353.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref159\" id=\"_edn159\">[159]<\/a> Idem, p. 354\u2014358.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref160\" id=\"_edn160\">[160]<\/a> Idem, p. 361.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref161\" id=\"_edn161\">[161]<\/a> CASTELLS, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref162\" id=\"_edn162\">[162]<\/a> Idem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref163\" id=\"_edn163\">[163]<\/a> Idem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref164\" id=\"_edn164\">[164]<\/a> Idem, p. 392.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref165\" id=\"_edn165\">[165]<\/a> Idem, p. 395.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref166\" id=\"_edn166\">[166]<\/a> Idem, p. 396.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref167\" id=\"_edn167\">[167]<\/a> Idem, p. 399.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref168\" id=\"_edn168\">[168]<\/a> Idem, p. 401\u2014404.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref169\" id=\"_edn169\">[169]<\/a> Idem, p. 405.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref170\" id=\"_edn170\">[170]<\/a> CASTELLS, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref171\" id=\"_edn171\">[171]<\/a> Idem, p. 406.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref172\" id=\"_edn172\">[172]<\/a> Idem, p. 407.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref173\" id=\"_edn173\">[173]<\/a> CASTELLS, 1996, p. 23 e 24.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref174\" id=\"_edn174\">[174]<\/a> Idem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BIBLIOGRAFIA<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CASTELLS, Manuel. <em>A sociedade em rede:<\/em> a era da informa\u00e7\u00e3o: economia, sociedade e cultura. Vol. I, 4\u00aa ed. S\u00e3o Paulo : Paz e Terra, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CASTELLS, Manuel. <em>Fluxos, redes e identidades: uma teoria cr\u00edtica da sociedade informacional<\/em>. In : Novas perspectivas cr\u00edticas em educa\u00e7\u00e3o. Porto Alegre : Artes M\u00e9dicas, 1996.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">IANNI, Ot\u00e1vio. <em>Teorias da globaliza\u00e7\u00e3o<\/em>. Rio de Janeiro : Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 1997.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">VIEIRA, Liszt. <em>Cidadania e globaliza\u00e7\u00e3o<\/em>. Record : Rio de Janeiro, 1997.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>EDIMIR BRILHADOR A INTELEC\u00c7\u00c3O DA TEORIA DA SOCIEDADE EM REDE DE MANUEL CASTELLS MARING\u00c1 2006 EDIMIR BRILHADOR A INTELEC\u00c7\u00c3O DA [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":"","site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1391","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.4 - 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