Os Significados das Frases de João 17:5

4 Minutos de leitura

Objetivo: Analisar cada expressão do verso 5 à luz do contexto imediato de João 17.

Introdução: Ao chegarmos a João 17:5, encontramos uma das declarações mais profundas da oração de Jesus. Depois de afirmar que consumou a obra que o Pai lhe confiou, Ele faz um pedido específico que envolve “glória”, comunhão com o Pai e um tempo “antes que houvesse mundo”. Por isso, tendo em mente o que foi analisado na Lição 01 — que “glória” está relacionada à honra e à reputação — e o que foi estudado na Lição 02 — que se trata do cumprimento de sua missão —, esta lição se propõe a analisar cuidadosamente cada expressão do verso, considerando tanto a exegese das palavras quanto o contexto imediato do capítulo 17. O objetivo é compreender o significado das frases dentro da própria Escritura, evitando interpretações isoladas e permitindo que o próprio texto explique a si mesmo.

1. O que significa “agora”? #

O verso começa com a expressão: “E agora, glorifica-me tu, ó Pai”. A palavra “agora” conecta o pedido com o que foi dito no verso anterior: “tendo consumado a obra” (Jo 17:4). Portanto, o “agora” indica consequência. Jesus não está fazendo um pedido isolado, mas apresentando o resultado de uma missão concluída. O tempo da obra terrena terminou; inicia-se o tempo da exaltação.

Muito importante prestar ateção nestes dois tempos apresentados no contexto: tempo da missão e o tempo da glorificação. O tempo da missão se encerra com sofrimento; o tempo da glorificação se inicia com a exaltação.

2. O que significa “glorifica-me tu, ó Pai”? #

O verbo “glorificar” (gr. doxázō) significa honrar, exaltar, revestir de reconhecimento, como vimos na lição 01. No próprio evangelho, Jesus já havia dito: “é chegada a hora de ser glorificado o Filho do Homem” (Jo 12:23), referindo-se à cruz. A glorificação em João inclui morte, ressurreição e exaltação. Assim, quando Jesus pede para ser glorificado, Ele está pedindo que o Pai manifeste publicamente a honra que corresponde à obra cumprida.

3. O que significa “com aquela glória”? #

A expressão “com aquela glória” indica algo específico, não uma glória genérica. O contexto mostra que essa glória está ligada ao plano divino. No capítulo 17, a glória aparece como missão cumprida (v.4), como autoridade concedida (v.2) e como amor do Pai (v.24). Portanto, trata-se da glória pertencente ao propósito redentor de Deus.

4. O que significa “que eu tinha contigo”? #

Aqui aparece claramente a ideia de relacionamento. A expressão “contigo” revela comunhão, proximidade e unidade de propósito com o Pai. Ao longo do evangelho, Jesus declara que “vim do Pai e entrei no mundo; outra vez deixo o mundo e vou para o Pai” (Jo 16:28). Essa afirmação mostra origem e destino dentro do plano divino, destacando que sua missão estava vinculada à vontade do Pai desde o princípio. A glória mencionada, portanto, está associada à posição de honra que o Filho ocupa em relação ao Pai dentro desse propósito.

A interpretação cristã tradicional entende essa expressão como indicação de uma glória literal possuída por Jesus antes da criação, o que implicaria sua existência pessoal naquele momento. O argumento é que alguém não poderia “ter” glória se não existisse. Contudo, ao observarmos atentamente o contexto de João 17, percebemos que a “glória” mencionada no capítulo está diretamente ligada à obra realizada. Jesus declara: “eu te glorifiquei na terra, tendo consumado a obra” (Jo 17:4). Em seguida, pede para ser glorificado. Assim, a glória aparece como resultado da missão cumprida.

Dentro dessa perspectiva contextual, a glória “que eu tinha contigo” pode ser entendida como a honra e exaltação previstas no plano de Deus desde antes da fundação do mundo. Trata-se da glória estabelecida no propósito divino, agora manifestada historicamente. De fato, após sua morte e ressurreição, o nome de Jesus foi exaltado e anunciado entre as nações, sendo honrado e reconhecido ao longo dos séculos. Dessa forma, o texto enfatiza a realização do plano de Deus e a exaltação decorrente da obediência do Filho.

5. O que significa “antes que houvesse mundo”? #

A frase “antes que houvesse mundo” remete ao tempo anterior à criação. Na linguagem bíblica, algo pode existir no propósito de Deus antes de se manifestar historicamente. A Escritura fala do “Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo” (Ap 13:8) e de sermos escolhidos “antes da fundação do mundo” (Ef 1:4). Isso indica que o plano redentor precede a criação. Assim, a glória mencionada por Jesus está vinculada ao propósito eterno estabelecido por Deus.

6. Como o contexto do capítulo ajuda a interpretar o verso 5? #

No capítulo inteiro, o tema é missão, autoridade e glorificação por meio da obra concluída. Jesus afirma que recebeu autoridade (v.2), revelou o nome do Pai (v.6) e consumou a obra (v.4). Portanto, o verso 5 não deve ser isolado do contexto. A glória pedida é consequência da obediência e cumprimento do plano divino.

Conclusão da Lição #

Ao analisarmos cuidadosamente cada expressão de João 17:5 dentro do seu contexto imediato, percebemos que o verso está profundamente conectado à missão que Jesus acabou de declarar como concluída. O pedido não surge isolado, nem desconectado do que foi afirmado nos versos anteriores. Pelo contrário, ele é a continuação natural da declaração: “eu te glorifiquei na terra, tendo consumado a obra” (Jo 17:4).

A palavra “agora” marca a transição entre dois momentos do plano divino: o tempo da missão, caracterizado pela obediência e pelo sofrimento, e o tempo da glorificação, marcado pela exaltação concedida pelo Pai. A expressão “glorifica-me” revela que essa honra é concedida por Deus como resposta à obra cumprida. “Com aquela glória” aponta para algo determinado, específico, já estabelecido no propósito divino. “Que eu tinha contigo” destaca a comunhão e a unidade de propósito entre Pai e Filho. E “antes que houvesse mundo” insere tudo isso dentro do plano eterno de Deus, anterior à criação.

Assim, João 17:5 deve ser lido à luz de todo o capítulo: a glorificação mencionada refere-se a um pedido fundamentado na missão realizada e no plano redentor estabelecido antes da fundação do mundo. A ênfase do texto não está em especulações sobre essência, mas na fidelidade do Filho, no cumprimento da obra e na exaltação que o Pai lhe concede dentro de seu propósito eterno.

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