Capitalismo e Cristianismo: Recompensas e Castigos

Por: Rousas J. Rushdoony

Uma opinião comum em anos recentes sustenta que recompensas e castigos representam um meio prejudicial de lidar com crianças ou adultos. Somos informados que recompensas produzem motivos errados naqueles que ganham e que são traumáticas para aqueles que perdem. É dito também que o castigo é meramente uma vingança. Sobre essas premissas, alguns educadores têm eliminado a atribuição de notas, bem como outras formas de recompensa e castigo. Esse ódio por recompensa e castigo é uma forma de ataque sobre os conceitos inter-relacionados de competição e disciplina. Quer na esfera espiritual, com respeito ao céu, ou no mundo acadêmico por notas, ou no mundo dos negócios por lucros, castigos e recompensas (ou penalidades) motivam as pessoas (Sl 19.11; 58.11; 91.8; Mt 5.11; etc.). Essa motivação leva à competição, e a competição requer disciplina, autodisciplina, disciplina sob a lei civil e criminal, e disciplina sob Deus (Hb 12.1-11). E um resultado da competição honesta é o caráter.

Mas, algumas pessoas objetam, por que não por cooperação? Não é a cooperação um método superior à competição? Mas, como declarado por Campbell, Potter e Adam em Economics and Freedom [Economia e Liberdade], “num mercado livre, a cooperação voluntária e a competição são nomes para o mesmo conceito econômico”. Historicamente, a competição do mercado livre tem sido apenas possível onde uma cultura comum e uma fé comum levam indivíduos a cooperarem uns com os outros. Os homens competem por cooperação na confiança que outros respeitem a qualidade, e eles constantemente melhoram seus produtos e serviços para conseguir essa cooperação. A cooperação morre se a competição morrer, pois então a “tração”, compulsão e a força substituem as atividades livres e cooperativas do mercado.

Fundamentalmente, recompensas e castigos pressupõem duas coisas. Primeiro, pressupõem Deus, que estabeleceu certos retornos na forma de recompensas e penalidades na própria natureza do universo, bem como em sua lei moral (Ex 20.5, 6; Jd 5.20). Assim, qualquer ataque sobre a idéia de recompensas e castigos é um ataque sobre a ordem de Deus. Segundo, recompensas e castigos pressupõem liberdade como básica para a condição do homem. O homem é livre para se esforçar, competir, trabalhar por recompensas e sofrer penalidades. Dessa forma, qualquer ataque sobre esses conceitos é também um ataque sobre a liberdade; é uma insistência que nivelar a igualdade com total controle é uma condição melhor para o homem do que a liberdade é ou possa ser. S. Paulo declarou, “onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade” (2Co 3.17). Deus e liberdade são inseparáveis. E a liberdade pressupõe e requer a atividade livre; ela tem seu esforço, suas recompensas e castigos, seu céu e inferno, seu êxito e fracasso. Essas são as condições necessárias da liberdade. A alternativa é a escravidão. A escravidão oferece uma forma muito real de segurança, mas isso o faz também a morte e um cemitério (Dt 30.15-20). Respeitar recompensas e castigos, competição e disciplina, é respeitar a própria vida, e valorizar o caráter e a autodisciplina. Isso significa, simplesmente, escolher a vida: “escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência” (Dt 30.19).

Fonte: monergismo.com

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