A sexta praga do Apocalipse

O sexto anjo derramou a sua taça sobre o grande rio Eufrates; e sua água secou-se, para que se preparasse o caminho dos reis do Oriente. Apocalipse 16:12

Chegamos ao final do século XIX. A Europa está industrializada. Os homens são engenheiros e operários, capitalistas e industriais. O progresso é crescente. Os homens industriais precisam de matéria-prima, mas também precisam dos homens consumidores, precisam do mercado. Muitos enriquecem, outros empobrecem. Surgem os conflitos e as lutas de classe. A quem pertencem as riquezas? Vamos entender este mundo? Vamos viajar para o Oriente numa “Maria-Fumaça” e passar por um lugar proibido pelos turcos otomanos, “o caminho dos reis do Oriente”. Antes, relembremos tudo o que o Cordeiro, nosso guia, nos mostrou até o momento.

Ele abriu os seis primeiros selos que revelaram a decadência do Império Romano. A abertura do sétimo selo desencadeou as sete trombetas. As quatro primeiras trombetas assinalaram a queda do Império Ocidental. A quinta e sexta trombetas mostraram a queda do Império Oriental. Porém, as lembranças do Antigo Império Romano continuavam na mente dos europeus, e o antigo império foi reconstruído sob o título de Santo Império Romano. A sétima trombeta desencadeou uma série de flagelos contidos em sete taças. As cinco primeiras simbolizaram a destruição do Santo Império. Os grandes reinos do mundo eram um a um esmiuçados. Ainda assim, um poderoso domínio permanecia sobre a Terra: o Império Otomano. A sexta taça mostra o juízo sobre ele.

Agora será visto como os eventos históricos da virada do século XIX para o século XX se relacionam com a profecia da sexta taça do Apocalipse. Porém, parte dessa profecia será analisada mais adiante.

O IMPERIALISMO: Quando os homens buscavam riquezas

Contemplando a Europa do final do século XIX, encontramos um novo personagem: o engenheiro. É ele que está por trás do movimento das máquinas a vapor. O céu de Londres se enche de fumaça. São as chaminés das fábricas.

No Século das Luzes houve um grande avanço intelectual, e as áreas científicas, como física, química e matemática, sofreram espantosos desenvolvimentos. O caminho para a alta tecnologia foi aberto e resultou nas grandes invenções. Na virada do século XVIII para o XIX, a invenção da máquina a vapor teve efeito direto na Revolução Industrial, e essa, por sua vez, provocou um grande excesso de riquezas na Europa. Então, para escoar esse acúmulo de capital, surgiu um novo expansionismo europeu de cunho imperialista, que se lançou à conquista dos demais continentes, com exceção da América. Esse imperialismo estendeu-se especialmente pela África e Ásia. O imperialismo determinou uma nova estrutura socioeconômica aos europeus e aos demais povos. Marcou a história entre a segunda parte do século XIX e a primeira metade do século XX. O imperialismo foi uma política de expansão do poder de um país mais forte sobre outros estados menos poderosos. O imperialismo geralmente se refere ao período de expansão das “potências” industriais modernas, que vai de 1880 até a Primeira Guerra Mundial. Mas ele estendeu-se anos depois e foi chamado de neoimperialismo. Foi a expansão imperialista que determinou a queda do Império Turco Otomano. O grande Rio Eufrates secou.

O fim do Império Turco Otomano

O sexto anjo derramou a sua taça sobre o grande rio Eufrates, e sua água secou-se… Apocalipse 16:12a

Essa profecia coloca no cenário da História a decadência do Império Otomano. O rio significa uma nação, um reino ou um povo. Um grande rio é um grande reino. A expressão foi usada como símbolo de um poderoso reino situado na região do Eufrates. Esse reino é o Império Turco, que surgiu da ascensão das forças turcomanas sobre o Império Bizantino.
O anjo derramou taça sobre o Rio Eufrates, e sua água secou. Na realidade, as nações conquistadas pelos turcos desmembraram-se do Império Otomano e passaram ao domínio dos países europeus. Édouard Perroy afirma que até as primeiras décadas do século XIX, o Império Turco Otomano englobava todo o mundo árabe, as regiões bizantinas e eslavas, desde as portas de Viena até as mais longínquas margens do Mediterrâneo, do Mar Vermelho e do Golfo Pérsico, e apenas desmoronou no século XX.
O Império Otomano pouco se preocupou com sua defesa militar e unidade cultural. Isso facilitou sua queda. Aos povos era permitido viver a seu modo. Seus sentimentos de nacionalidade eram fortes em detrimento da unidade imperial. Quando as revoltas internas aconteceram, o ambiente era propício para as potências europeias apoiarem as nações conforme sua conveniência. Daí, a partir de 1830, todo aquele conglomerado de nações se desmembrou do Império. A Argélia foi ocupada pela França, e a Sérvia também se tornou independente. Em 1878, foi a vez da Bulgária tornar-se autônoma. Pouco tempo depois, Romênia, Romélia e Montenegro conquistaram suas independências. Em 1912, Trípoli passa para a posse da Itália. Em 1913, todo o território europeu da Turquia não mais existia. Em 1917, a terra da Palestina é tomada pela Grã-Bretanha e, em 1923, a Turquia estava reduzida a uma pequena nação na Ásia Menor. O domínio do Império Turco sobre as nações havia acabado. A água do grande Rio Eufrates havia secado.

A expansão do comércio europeu

… para que se preparasse o caminho dos reis do Oriente. Apocalipse 16:12b

As águas do grande Rio Eufrates secaram para que se preparasse o caminho dos reis do Oriente. Como isso se deu?

Na Europa, os turcos sempre foram considerados como intrusos, como também eram um entrave para o expansionismo europeu devido ao extenso domínio e a sua localização estratégica, que fechava as vias de acesso para o extremo Oriente. No outro lado do Atlântico, defendida pela Doutrina Monroe, a América estava livre das garras do imperialismo. Então, a Europa que dependia da África e da Ásia para desfazer-se de sua grande produção industrial, obter matéria-prima e empregar o excesso de seu capital se impôs à busca constante de escoadouros para produtos industrializados, bem como de fontes de fornecimento de matéria-prima e produtos alimentícios. Os governos foram chamados a intervir diretamente nesse imperialismo econômico, tiveram que decidir pelas conquistas coloniais, pelo protecionismo alfandegário que originou uma verdadeira guerra econômica.

A partir de 1880, a busca desesperada pelo controle de rotas e mercados mundiais intensificou a corrida por zonas de influência e por colônias. Na Ásia, havia oposições entre a Inglaterra e a França por causa do Sião (atual Tailândia), entre a Inglaterra e a Rússia, na Pérsia (atual Irã), no Pamir e no Tibete. Com mediação da França, russos e ingleses chegaram a um acordo sobre a Pérsia em 1907 e dividiram esse país em zonas de influência. Essa era a política adotada em toda a Ásia Oriental, especialmente na China, onde os Estados Unidos passaram a defender a política de portas abertas, pela qual todas as potências poderiam competir em todos os lugares.
O expansionismo das nações europeias derrubou o Império Turco e abriu o caminho para as relações comerciais das nações asiáticas com o Ocidente. O caminho dos reis do Oriente estava aberto. A sexta taça refere-se à queda do Império Turco Otomano. Foi derramada no grande Rio Eufrates, e os reis do Oriente puderam consumir os produtos industrializados na Europa.

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