A origem de Jesus

Jesus foi gerado antes de todas as coisas no céu e num tempo bem antigo ou foi no ventre de Maria?

As três afirmações cristológicas que apoiam a preexistência de Jesus, são: 1) Jesus é Deus; 2) Jesus estava com o Pai no céu; 3) Jesus existia antes da fundação do mundo. Basta provarmos biblicamente que Jesus é um homem para destruí-las.

Uma prova de que Jesus nunca esteve no céu antes de seu nascimento de Maria, sua mãe, está baseada na própria história da origem de Jesus. A Bíblia é a palavra de Deus e sempre fala a verdade. Nela contém muitos fatos históricos. Estes fatos são contados como aconteceu. A Bíblia não mente, oculta, disfarça ou se utiliza de qualquer outra prerrogativa a fim de tornar a narrativa mais favorável a uma intenção pré-concebia do seu autor. A história bíblica sobre a origem de Jesus é verdadeira e contada exatamente como ocorreu. Nesta história não há menção de uma origem num tempo remoto. A Bíblia fala que Jesus veio de Maria e é descendente de Davi e Abraão.

Apesar de muitas passagens bíblicas falarem que Jesus é um homem, nascido de uma linhagem humana, os preexistencialistas, trinitários ou não, insistem em afirmar que Jesus possuía uma natureza divina, essência de Deus. Além de divina, sua origem está na antiguidade. Isso só é possível fora do contexto bíblico.

Origem de Jesus no Antigo Testamento

Jesus tem origem terrena, não celestial. Nenhuma passagem bíblica do Antigo Testamento alude que sua origem é no céu e no tempo da eternidade antiga. Todas apontam para um homem que iria se originar de uma mulher, de uma linhagem humana.

No ventre de uma mulher

Para começar, Gênesis 3:15 faz uma alusão, mesmo que de forma simbólica, a um descendente de mulher, que seria o Cristo: “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.” A palavra descendente exclui a palavra antecedente. A promessa de Deus refere-se a alguém posterior à mulher, não anterior. Além do mais, o DNA do Messias já estava ali na mulher. 

Falando em DNA, o autor de Hebreus diz o seguinte: “E, por assim dizer, por meio de Abraão, até Levi, que recebe dízimos, pagou dízimos. Porque ainda ele estava nos lombos de seu pai quando Melquisedeque lhe saiu ao encontro”, (Hebreus 7:910) Cabe uma pergunta: Jesus estava nos lombos de Abraão, ou estava no céu? Tanto Levi quanto Jesus são descendentes genéticos de Abraão, se um estava, ou outro também. A Abraão foi prometido: “Na tua descendência [semente] serão benditas todas as nações” (Gênesis 22:18). Paulo comentou: “E essa semente é Cristo”, (Gálatas 3:16). Jesus estava no DNA de Abraão. A origem de Jesus passa por ele.

Moisés, legislador e líder de Israel, que tipificava a vinda de outro Legislador (Jesus Cristo) disse à nação judaica: “O Senhor teu Deus suscitará a ti um profeta do meio de ti, de teus irmãos, semelhante a mim, a ele ouvireis”, (Deuteronômio 18:5). No Novo Testamento Pedro citou essas mesmas palavras e aplicou-as a Jesus Cristo, (Atos 3:22, 7:37). Hebreus diz: “Por isso convinha que ele fosse feito semelhante a seus irmãos…”, (Hebreus 2:17). Podem as palavras de Moisés acima se aplicarem a um anjo ou a um Ser preexistente? Poderia um anjo, ou um Ser celestial, verdadeiramente, ser descrito como “levantou do meio de ti“, “de teus irmãos, como Moisés?” Deus disse a Moisés claramente, “… suscitarei um profeta do meio de seus irmãos!” Portanto, se é profeta, não pode ser anjo, deus, ou…

A origem de Jesus também passar por Davi, e a Davi foi dito: “Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, então farei levantar depois de ti um dentre a tua descendência, o qual sairá das tuas entranhas, e estabelecerei o seu reino. Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho…”, (2 Samuel 7:12-14). Observe que o texto afirma categoricamente que Jesus veio da descendência de Davi, de “suas entranhas”, (DNA), negando enfaticamente um Ser preexistente e mostrando que sua origem é neste mundo. Esta profecia relaciona-se com Cristo e o cumprimento dela se encontra no Novo Testamento, ver Lucas 1:32-33.

Sobre a origem de Cristo, existem muitas profecias no Antigo Testamento. Entre os profetas que mais falaram do Messias está Isaías, que declarou: “Uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel”, (Isaías 7:14). Quem lê este texto não tem dúvida de que se trata de um homem. Em outra passagem, Isaías atesta claramente que a origem do Messias teve início no ventre de uma mulher: “E agora diz o Senhor, que me formou desde o ventre para ser seu servo…”,  (Isaías 49:5). Essas profecias foram cumpridas no ministério  do Messias, (Mateus 1:23), a quem Pedro descreveu como “um homem aprovado por Deus… com milagres e maravilhas que Deus fez por ele”, (Atos 2:22).

O Salmo 22 é uma profecia sobre o Messias, isto é comprovado por suas citações nos Evangelhos. O versículo 10 mostra enfaticamente que o Senhor Jesus tinha Deus como Pai somente após seu nascimento. Ele jamais poderia ter sido Filho Unigênito antes do tempo: “Sobre ti fui lançado desde a madre; tu és o meu Deus desde o ventre de minha mãe”.

Há uma passagem em Miquéias 5:2 que fala da origem de Jesus. Ela é muito mal compreendida. Diz: “E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre os milhares de Judá, de ti me sairá o que governará em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade”. Esta passagem indica que a origem de Jesus vem de tempos muito antigos, mas não tão distante que extrapole a vida humana na terra. Esta passagem diz que a linhagem do Messias passou por Belém. Ela quer mostrar que mesmo sendo uma pequena cidade, dá origem a um grande homem, um rei, cuja dinastia já vinha de muito tempo. O foco desta passagem não é antiguidade de um Ser, mas a importância da cidade de Belém porque por ela passa a linhagem do Messias, o libertador do povo.

Nada há, no Antigo Testamento que possa aludir a origem de Jesus a um tempo muito anterior à vida humana na terra, muito menos que seja um Ser celestial. Todas as profecias, promessas divinas e fatos históricos apontam para um homem natural, que nasceria de uma mulher e era descendente de Abraão e Davi.

Se o “Deus Filho” já existia antes da encarnação como uma pessoa eternamente distinta na Divindade, e Deus é eternamente três pessoas, ou duas, como outros pensam, então por que não lemos nada sobre Ele no Antigo Testamento? Devemos acreditar que mesmo não sendo mencionado o Filho em todo o Velho Testamento, ainda assim é Ele consubstancial, co-eterno e co-igual com o Pai? O fato é que Ele não foi revelado no Antigo Testamento porque não havia nenhuma pessoa distinta chamada “Filho”.  Este termo surge apenas no Novo Testamento. As terminologias “Filho” e “Pai” surgiram apenas depois da manifestação de Jesus para descrever a relação entre o Eterno Deus com um ser humano, Filho do Homem.

Como o Novo Testamento fala da origem de Jesus? 

Em consonância com o Antigo Testamento, o Novo Testamento fala da origem terrena de Jesus. O seu nascimento é relatado em Mateus. “Livro da geração de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão […]  E Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu JESUS, que se chama o Cristo”, (Mateus 1:1,16). Não há dúvida, quando a Bíblia fala da origem de Jesus, entendemos perfeitamente que foi por meio de uma descendência humana. Há uma história real por trás de seu nascimento. A narrativa bíblica sobre o nascimento de Jesus é um relato histórico.

Sobre Mateus 1:1, temos três traduções muito significativas: “Esta é a lista dos antepassados de Jesus Cristo, descendente de Davi, que era descendente de Abraão”; “Livro da geração de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão”; “Livro da origem de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão”. A palavra origem vem do grego “geneseôs”, gênesis. Assim está escrito no original: “biblos geneseôs iêsou christou”. No mesmo contexto, a palavra “geneseôs” foi usada para narar seu nascimento, veja Mateus 1:18: “Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: estando Maria, sua mãe, desposada com José, sem que tivessem antes coabitado, achou-se grávida pelo Espírito Santo”. No Léxico Grego-Inglês de Bauer gênese é definido como: “Alguém que passa a existir em um momento específico”, ou seja, “estado de ser, vindo a existência”,  de “ascendência como ponto de origem”.

No evangelho de Mateus, a genealogia de Jesus volta até Davi chegando a Abraão. O registro genealógico dado por Lucas leva as coisas ainda mais para trás, até Adão, (Lucas 3:38). Tanto Mateus e Lucas tiveram ampla oportunidade para mencionar a preexistência (se por acaso cressem nela), mas não há nada registrado em seus Evangelhos. Intimamente ligada com a lista genealógica de Mateus é a afirmação de que Jesus entrou em existência no útero de Maria (Mateus 1:20). O tempo e o local da origem do Filho de Deus são feitas de forma transparente. Lucas também diz que o Filho de Deus veio à existência no ventre de sua mãe, (Lucas 1:32,35). A única coisa excepcional no nascimento de Jesus é que Ele foi gerado pela força de Deus.

A Bíblia é história. O relato histórico sobre o nascimento de Jesus define um tempo no calendário. Aconteceu em 4 a.C. sob o governo do Rei Herodes, conforme Mateus 2:1: ”E, tendo nascido Jesus em Belém de Judéia, no tempo do rei Herodes, eis que uns magos vieram do oriente a Jerusalém.”  Portanto, o relato de Mateus no capítulo 1 demonstra que Jesus não existiu em qualquer momento antes de sua geração pelo Espírito Santo.

O Filho de Deus veio à existência quando foi gerado no útero de sua mãe. Observe novamente a ênfase no relato do milagre da concepção: Lucas 1:35   “E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus”. Quando traduzimos o grego “kai” ao pé da letra, temos: “ele será chamado Filho de Deus”. Jesus não era o Filho de Deus em qualquer momento antes de seu nascimento de Maria. O anjo Gabriel afirma com verbos no futuro: “Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo”, (Lucas 1:32).

Considere também a pregação dos Apóstolos. Será que eles proclamaram a crença em um ser preexistente que havia assumido a forma humana? Eles não fizeram. Ouça a pregação de Pedro: “Davi… sendo um profeta, e sabendo que Deus lhe havia prometido com juramento a ele, que do fruto de seus lombos, segundo a carne, levantaria o Cristo, para se sentar no seu trono”, (Atos 2:30). A quem Davi acredita que sentaria no seu trono, um anjo ou um ser que já existia? Não, ele acreditava que aquele que reinaria seria “fruto de seus lombos”, isto é, um descendente. 

Em Gálatas 4:4 Paulo atesta sobre o tempo em que o Messias viria: “quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei”. A expressão de Paulo deixa muito claro que o Filho de Deus era filho de uma mulher.  

Jesus era um homem porque tinha uma antecedência humana. Veio de outros homens, Surgiu do ventre de uma mulher. Jesus era biologicamente filho de Davi e de Abraão: “Lembra-te de que Jesus Cristo, que é da descendência de Davi, ressuscitou dentre os mortos, segundo o meu evangelho”, (II Timóteo 2:8). “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz e às descendências, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua descendência, que é Cristo”, (Gálatas 3:16). “Acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne”, (Romanos 1:3).

Além dessas, muitas outras passagens afirmam que Jesus era filho de Davi. Alguns exemplos: As multidões no caminho para Jerusalém, (Mateus 21:9); os meninos que tocavam no templo, (Mateus 21:15). Outras: “Não diz a Escritura que o Cristo vem da descendência de Davi, e de Belém, da aldeia de onde era Davi?”, (João 7:42).  “E ele lhes disse: Como dizem que o Cristo é filho de Davi?”, (Lucas 20:41). “Dizendo: Que pensais vós do Cristo? De quem é filho? Eles disseram-lhe: De Davi”, (Mateus 22:42). “Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai”, (Lucas 1:32). Não há nessas referências uma pitada sequer de algo que nos dirija o pensamento para a crença de que Jesus foi formado de um estoque angelical, ou mesmo que era um Ser preexistente.  Mas, em vez disso aprendemos que ele foi alguém que teve origem entre os humanos.

O expositor Metodista Adam Clark, diz: “A doutrina da filiação eterna de Cristo, é em minha opinião, anti-escritural e altamente perigosa. Eu não tenho sido capaz de encontrar qualquer declaração expressa disto nas Escrituras”. (Comentário de Lucas 1: 35).

Como visto até aqui, percebe-se claramente que quando todas as informações nas Escrituras são pesquisadas e rastreadas com profundidade e honestidade, nossa conclusão é a de que o Messias veio a este mundo através de uma geração humana. O Filho de Deus é prometido no Antigo Testamento e não preexistente. No Novo Testamento Ele é humano, existente, histórico e real provando que as promessas foram cumpridas. Aliás, promessas cumpridas sob a égide de um juramento de Deus a um homem.

Em suma, Jesus é um homem, um ser humano, que se tornou o padrão para todos aqueles que se aproximam de Deus na esperança da vida eterna. Deus não espera que estes venham atingir a perfeição vista no Filho, mas exige que construam suas vidas com características aproximadas à de Seu Filho. Ao fazer isso, eles desenvolvem uma personalidade e um carácter dignos de perpetuação em um corpo de glória incorruptível na era por vir, (1 Coríntios 15:53-57). A teoria que apresenta Jesus como um Ser preexistente, ou anjo, destrói esse padrão, mistifica e distorce a bela doutrina de Deus manifestado no homem Jesus.

Se nos filiamos à tese impossível de que Jesus, de alguma forma, pessoalmente, já existia antes de seu único nascimento, podemos nos envolver numa grande confusão. Torna-se praticamente impossível considerar Jesus como um homem. E mesmo que o engano não seja percebido, cedo ou tarde causará um enorme prejuízo à fé de milhões de cristãos. Se, ao contrário, começamos com a premissa bíblica de que Jesus é um homem, assim como todos os outros homens (com a única exceção de seu nascimento virginal e sua vida sem pecado), não há mais nenhum “mistério”.

Tudo o que é adotado pelos preexistencialistas para tentar provar uma existência anterior de Jesus são argumentos interpretativos de algumas passagens proféticas e qualificativas e outras passagens que nem se quer fazem referência ao Mestre. O argumento histórico da origem de Jesus é mais poderoso do que o argumento metafísico de uma existência anterior. Não há registro histórico na Bíblia sobre uma possível anterioridade de Jesus.

Por Edy Brilhador (com base no texto do Site Nascido de Mulher)

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